quarta-feira, 26 de março de 2008

Perplexidade

Enquanto esperava a chuva passar no piscinão do TRT, toda hora me voltava à memória a reportagem da revista "Veja" que tinha acabado de ler e que abordava o caso da menor torturada em Goiânia. O assunto mereceu duas páginas (uma de foto e outra de texto). Hoje também saiu uma matéria no jornal "O Globo" dizendo que o marido, o filho e a mãe adotiva da empresária também serão indiciados por omissão de socorro e prática de trabalho escravo. A mãe da menina também deverá ser indiciada.
Quanto mais leio e penso, menos consigo entender o assunto. Cada vez aparecem mais pessoas dizendo que passaram pelas mãos da empresária e que também foram torturadas por ela. Eu tinha entendido que ela só tinha um filho, mas agora li que ela tinha três, sendo dois crescidos. Li também que ela já teria sido denunciada ao Conselho Tutelar, que não apurou a denúncia.
É incrível: primeiro, para quem servem esses Conselhos Tutelares se sempre que surgem casos de violência a gente fica sabendo que já tinha havido uma denúncia anterior, porém o caso não foi devidamente investigado. Segundo, o que fazia essa "empresária" quando não torturava as pessoas? Que tipo de marido, filho convive com uma situação dessas: ter uma pessoa (uma criança) sendo tão judiada e não tomar qualquer atitude? Terceiro, quantas outras meninas como L. devem existir por aí em maior ou menor grau de sofrimento? Quarto, quantas pessoas como essa "empresária" não existem por aí, posando de pessoas normais, mas torturando suas empregadas, filhos, enfim todo tipo de pessoa indefesa? Quinto: que tipo de mãe entrega a filha para uma estranha e nunca mais aparece para saber como a filha está?
Enfim, é uma história macabra, estranha e muito triste.

2 comentários:

Eugênio disse...

Compartilho a sua perplexidade sobre a história de Goiânia. Só não entendo como você continua ainda a ler Veja.

Martha disse...

De vez em quando, tenho uma recaída. Eu me recuso a comprar a revista, mas gosto de dar umas peruadas.