domingo, 8 de janeiro de 2017

Domingo no parque

Domingo em Brisbane é especial. Estou há três semanas aqui, mas este foi verdadeiramente o meu primeiro domingo em Brisbane, já que no primeiro (25 de dezembro) ficamos em casa comemorando o Natal e no outro estava em Mooloolaba (a alguns quilômetros de Brisbane).
Por volta de 13h30 seguimos de ônibus para South Bank. Detalhe: o cartão da minha filha estava sem crédito (ela não sabia) e o motorista permitiu que fôssemos de graça.
Como descrever South Bank? É uma imensa área de lazer com piscinas públicas, áreas verdes, bares, lanchonetes e restaurantes, às margens de Brisbane River.





Não vi um policial em todo meu passeio, mas prevalece ali uma sensação de segurança. Enquanto tirávamos fotos, minha filha deixou sua bolsa e as cervejas que tínhamos comprado num banco. Dá para acreditar?
Seguimos andando e curtindo as pessoas com quem cruzávamos no caminho. Gente de bicicleta, a pé, famílias enormes passeando, tirando fotos. Chineses, indianos, brasileiros (em geral, casais ou um pequeno grupo de amigos) e australianos, é claro.

A gente se sentou numa área onde estava rolando uma música ao vivo. O som não estava muito alto, mas me encantei ao ouvir uma música de que gosto muito "Enchanted boy" - que conheci através da gravação de Caetano Veloso, mas soube que é uma das músicas mais gravadas do mundo.

Após tomarmos nossas cervejas, decidimos (minha filha Diana, um amigo brasileiro e eu) ir a um bar, onde também estava tocando música ao vivo. O bar estava cheio e, como a maioria dos lugares aos quais fomos até agora, é preciso pagar e pedir o se quer comer e beber. Os garçons apenas retiram as coisas da mesa depois que você comeu e bebeu.

O tempo estava ensolarado, mas agradável na sombra.
Muitas opções de lazer para crianças e adultos de graça. Saímos de lá por volta das 19h e me senti tentada a andar na imensa roda-gigante (20 dólares australianos por 10 minutos de passeio), mas fiquei com medo de não me sentir bem depois de tanta cerveja.



Atravessamos uma ponte a pé e entramos no cassino. Só para conhecer. Muitas pessoas jogando num espaço que lembra aqueles filmes passados em Las Vegas. Muitos asiáticos. O cassino é um espaço luxuoso, com música ao vivo. Coincidentemente, o cantor estava cantando uma música fofa, cujo nome não sei, mas que deve ser muito popular, porque foi interpretada por dois meninos que vimos tocando na rua em Mooloolaba. Mas decididamente jogar a dinheiro não é nossa praia ... Ganhamos 0,25 centavos numa máquina caça-níqueis e seguimos para casa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Miscelânea

Tenho tanto a contar sobre minha temporada na Austrália! Quando voltar ao Brasil pretendo descrever com mais detalhes minhas andanças por aqui. Por enquanto, só quero aproveitar o notebook de um dos "mates" de minha filha Diana para registrar um pouco das emoções dos últimos dias. Vício de quem gosta de escrever.
Estou cada dia mais apaixonada por Brisbane. 
Após o Natal, comemorado em casa com uma ceia brasileira/britânica, passamos alguns dias passeando por praias não muito distantes. Fomos a Byron Bay, uma cidadezinha charmosa que me lembrou um pouco Búzios por seu ar pitoresco, charmoso e, ao mesmo tempo, meio overcrowded. Em outras palavras, superlotada. Tinha engarrafamento na véspera do Ano Novo! As praias são simplesmente deslumbrantes.

Depois de Byron Bay, conhecemos Coolangatta - outra praia, onde passamos uma tarde depois de uma noite num hostel em Nimbi, que merece um post à parte. Não fiquei especialmente encantada com Coolangatta, embora seja um lugar bonito com belas praias. 
Após uma noite em Brisbane, partimos em direção a Sunshine Coast (ao Norte de Brisbane), onde conhecemos várias cidades e lugares: Noosa, Mooloolaba, Marrochydore, Brisbie Island e Redcliff. Muitos mergulhos, muitos deslumbramentos ... 

O melhor de tudo foi a caminhada em Noosa numa trilha que mesclava a beleza de um parque com o magnífico azul do mar, com direito a algumas praias pelo caminho. Inesquecível! 

Ano Novo em Mooloolaba num hostel não muito agradável. Muito barulhento e um pouco sujo, mas pelo menos tivemos sorte de ter um quarto só para nós três (Diana, o namorado e eu), já que a cama de cima do meu beliche permaneceu desocupada.

De volta a Brisbane, eu me senti em casa. Home sweet home. Logo depois de nossa chegada, um temporal desabou e o dia seguinte foi de tempo nublado e fresco - um alívio depois de vários dias de sol inclemente. 
Nos últimos dias, curti muito minha filha, principal razão de minha viagem. Fomos ao cinema (assistimos ao musical "La la Land" e ao desenho animado "Sing", ambos maravilhosos), cuidamos das roupas e outros afazeres domésticos. Assistimos a dois filmes em casa.

Fizemos algumas compras na City (o Centro de Brisbane) e hoje tivemos um dia perfeito: fomos a uma livraria onde todos os livros custavam 6 dólares (deu vontade de comprar um monte, mas só comprei um para mim). 

Visitamos museus em South Bank (o museu da Ciência, de Arte Contemporânea e de Arte Moderna). Nos divertimos muito nesse último. Vimos muita gente passeando. Até parece que todo mundo também está curtindo férias. 



Corremos para o cinema em South Bank, com direito a um saco de pipoca enorme e meia-entrada por ter 60 anos, depois acabamos almoçando/jantando num restaurante grego em South Bank.
Andamos de trem (na ida) e voltamos de ferry (na volta). Tivemos que caminhar um pouco até chegar em casa e acabei vendo as primeiras baratas nas ruas de Brisbane (meu grande temor). Diana morreu de rir das minhas corridas e pulos, e tentou em vão me convencer de que sou maior e mais forte do que elas (as baratas). Sugeriu que eu inclua isso nos meus propósitos para 2017: vencer meu medo de baratas. Será que consigo?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Primeiras impressões de Brisbane

Cá estou em Brisbane, a não sei quantos milhares de quilômetros de distância de casa. 
Minhas primeiras impressões da cidade e desse país que nunca tinha pensado conhecer antes de minha filha resolver morar aqui?
Tem horas que tudo parece familiar: o calor, até as pessoas, mas tem coisas que são extremamente surpreendentes para nós brasileiros.
Por exemplo, a sensação de segurança ao caminhar nas ruas, mesmo à noite. 
Ontem fiz um passeio sozinha a South Bank, um parque com piscinas artificiais, areia, e um monte de gente tomando  banho.Minha filha Diana disse que eu poderia deixar minhas coisas sobre a canga, na areia, sem susto, mas eu não conseguia tirar os olhos da minha bolsa. Mergulhava sempre com medo de abrir os olhos e não vê-la mais. Isso não aconteceu.
Banheiros públicos - sanitários, chuveiros - amplos e bastante limpos. Sem filas.
Fui a pé num calor cuiabano e encarei uma caminhada de aproximadamente uma hora, mas na volta resolvi experimentar o Hooper - um barco grátis que navega pelas águas do rio Brisbane. 
Foi ótimo! Vi lindas paisagens e ainda conversei com pessoas que viajaram ao meu lado.
Uma delas - um australiano de aproximadamente 50 anos - foi extremamente gentil e me contou muitas coisas sobre o rio. Confesso que não entendi tudo, mas fiquei ao mesmo tempo encantada com o companheiro de viagem - um músico que disse já ter dado a volta ao mundo algumas vezes - e incomodada com a mania dele me tocar sempre que contava alguma coisa. Ele me indicou o caminho quando descemos do barco e encarei umas 10 quadras de caminhada sob o sol inclemente, atravessando ruas de casas lindíssimas com a arquitetura típica de Queensland. Numa dessas ruas encontrei um Flamboyant - minha árvore preferida, típica da rua em Corumbá, onde nasci. Eu me emocionei.
Infelizmente tudo isso ficou cravado apenas na minha memória porque estava sem máquina fotográfica. Acreditem ... Pretendo refazer esse passeio e registrar um pouco do que contei.
Estou sem computador aqui e escrevo do note de Diego, um dos moradores do apê que Diana aluga em New Farm. Mas essa já é outra história que vou guardar para outra hora. Diana e seu namorado Renan me aguardam para sairmos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A respeito de violonistas e músicos inspiradores




Quem me conhece sabe que adoro música. Mas não é qualquer música. A boa música (sei que é um conceito subjetivo) me comove, me faz acreditar no ser humano. Hoje, por exemplo, eu me emocionei ao saber que o músico fluminense Egberto Gismonti, um de meus ídolos, vai se apresentar na Sala Cecília Meirelles, na abertura do Festival Villa-Lobos, com a Camerata Romeu, uma orquestra só de mulheres. Como gostaria de estar lá!

Há pouco recebi uma mensagem de um jovem violonista mato-grossense André Luiz Chitto de Oliveira, que conheci há algumas semanas numa memorável apresentação de Guinga e seus alunos no Teatro do Sesc Arsenal, em Cuiabá. Ele sugeriu que eu falasse no meu blog da morte do violonista Roland Dyens no último dia 29.

Fiquei lisonjeada com o aviso do André e um pouco envergonhada também. Eu não conhecia Roland Dyens. Agora conheço um pouco graças aos vídeos enviados pelo violonista mato-grossense.

Roland Dyens nasceu na Tunísia, mas se naturalizou francês. Segundo André, ficou conhecido pelos violonistas não só pelo alto nível interpretativo, mas também por suas composições e arranjos - muitos deles de música brasileira de compositores como Tom Jobim, Baden Powell e Pixinguinha.

Incrível, né? Esses compositores são valorizados por um músico francês e muitas vezes não são devidamente valorizados em seu próprio país.

Faço uma analogia com Egberto Gismonti, valorizadíssimo na Europa e em outros continentes e praticamente desconhecido em seu país. É uma pena.

Eu me sinto privilegiada por ter ouvido Gismonti, que até hoje me encanta e por ter tido acesso a uma cultura musical diversificada, já que estudei violão erudito, frequentei a Pro-Arte (no Rio de Janeiro), o auditório do IBAM (os saudosos concertos gratuitos das segundas-feiras), a Sala Cecília Meirelles e o Teatro Municipal. Assisti a concerto épicos (como o do músico Keith Jarrett) e a outros incríveis no Free Jazz Festival.

Uau, a mensagem do André Luiz está me levando a um passado do qual sinto muitas saudades e é melhor parar por aqui. Ainda bem que hoje temos a internet e ferramentas como o YouTube para matar as saudades e a sede por conhecimento de músicos estudiosos como o André. Lamento apenas que a maioria dos jovens se contente em ficar restrita aos sucessos do momento.  A propósito, confira aqui um dos links enviados por André.

sábado, 29 de outubro de 2016

Ai de ti Cuiabá!

 
Foto tirada em 26 de abril de 2014

Hoje o dia foi bem ativo e produtivo. Já rodei bastante por Cuiabá para cumprir compromissos, que começaram com uma ida a pé à agência do Banco do Brasil do meu bairro, no início da manhã. Depois fui ao Bosque da Saúde, de carro, ao bairro Boa Esperança e retornei ao meu bairro (Popular ou Goiabeiras, dependendo da vontade da hora) pelo Centro.
Todo esse preâmbulo é para dizer que fiquei me perguntando por que dois candidatos, ou melhor, dois grupos políticos, disputam tanto o comando desta cidade tão peculiar.
Quisera eu responder que é para melhorá-la, tornar mais digna a vida das pessoas que moram aqui, sejam elas cuiabanas natas ou não. Mas, infelizmente, não acredito nessa possibilidade. 
Moro em Cuiabá há 13 anos, mas mesmo antes de morar aqui já vinha à cidade com frequência.
Que me perdoem os cuiabanos mais apaixonados que detestam que algum forasteiro critique sua cidade, mas Cuiabá tem muitos problemas.  É claro que também tem muitas qualidades. Não tenho a pretensão de falar da periferia que mal conheço, mas os bairros mais centrais estão muito abandonados!
Numa breve caminhada por um trecho da Avenida Getúlio Vargas, cartão postal da cidade, vi tantos imóveis fechados, alguns cheios de mato e com a aparência de casas de cidade fantasma. 
Sem falar no buraco crônico que habita o lado esquerdo da Getúlio Vargas há pelo menos dois anos e meio e que foi tema de um post meu. Está do mesmo jeito.
E olha que o prefeito que encerra seu mandato em dezembro, Mauro Mendes, está com grande índice de aprovação. 
Alguém há de dizer que não se pode medir um prefeito por um buraco na rua. Pois eu meço. 
Não acho que a cidade esteja mais bonita e fico indignada com as feridas (algumas já cicatrizadas) deixadas pelas obras da Copa de 2014. Hoje passei pelo viaduto da UFMT (o sol estava brilhando e não corri risco de me afogar) e vi o absurdo de um trilho levando nada a lugar nenhum. 
Atravessei o canteiro central da outrora bela Avenida Rubens de Mendonça ( Avenida do CPA) me equilibrando para não cair - outro resquício de um pesadelo chamado VLT.
Como disse no início, vi muitos imóveis fechados, lojas que deixaram de funcionar, mas, curiosamente, todas as agências de banco continuam no mesmo lugar. Acho que é o único negócio que sempre dá lucro no Brasil.
Diante de tudo isso, como votar neste domingo? Sem alegria, sem esperança, vou apenas cumprir minha obrigação. 
Ouço argumentos de amigos do Rio que travam uma luta contra o voto nulo na cidade, para diminuir as chances de vitória de Crivella. Se eu estivesse lá, não titubearia em votar em Freixo. Talvez me decepcionasse? Pode ser, mas haveria uma esperança, uma possibilidade de algo diferente.
Aqui, em Cuiabá, há um embate entre os grupos do PSDB (Wilson Santos) e do PMDB (Emanuel Pinheiro), de velhos e novos caciques. Mas não vejo esperança. 
Perderei minha chance de opinar ... Pode ser, mas desta vez minha opinião é a seguinte: não quero escolher o menos pior e estou indiferente ao resultados do pleito de amanhã.  Ainda que reste em mim uma esperançazinha de que o vencedor me surpreenda positivamente. Mania de Poliana!

* Tomei o título emprestado do cronista Rubem Braga 

Foto tirada em 1º de novembro de 2016

Foto tirada em 1º de novembro de 2016



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Guinga em Cuiabá


Foto by Manfred Pollert - www.guinga.com.br

Venho aqui pedir desculpas publicamente a Guinga. Você sabe quem é Guinga? A maioria das pessoas não sabe. Azar delas. 
Eu achava que conhecia e, movida por esse conhecimento, fui assistir à apresentação de compositor/violonista carioca no teatro do Sesc Arsenal em Cuiabá, na noite de sábado.
Show de graça. Cheguei cedo (uma hora antes) para garantir meu ingresso. Esqueci que Guinga não é um pop star, nem canta no programa do Faustão. 
Não sei dizer quantas pessoas havia no teatro (falha de repórter que estava se sentindo de folga naquela noite), mas a vontade de escrever sobre Guinga é maior que a precisão dos fatos apurados.
Guinga chegou tímido ao palco. Conversou bastante com a plateia. Pediu ao iluminador para tirar um pouco da luz do artista e colocar mais luz no público. Perguntou nome de uma criança que estava com os pais. Jogou conversa fora.
 Aos poucos, foi contando um pouco sobre si mesmo, sobre seus parceiros musicais, as cantoras com quem costuma se apresentar (as brasileiras Leila Pinheiro e Mônica Salmaso e a norte-americana Esperanza Spalding, entre outras).
Começou a cantar, mas teve que parar, incomodado por um inseto inoportuno. Pediu ainda menos luz ao iluminador. 
Interpretou alguns números instrumentais. Tocou "Lígia" de Tom Jobim e pediu para que nós o acompanhássemos. Alegou rouquidão. Depois cantamos juntos "Carinhoso" de Pixinguinha. Gostoso. Elogiou a voz de Vera, da dupla Vera &Zuleika, que estava na plateia.
Guinga chamou então seus convidados, músicos da terra que tinham participado de um intercâmbio durante a semana. As cantoras Márcia Oliveira e Lorena Ly, o violonista Joelson Conceição,  o clarinetista Andrew Moraes, o saxofonista Phellyppe Sabo e um jovem violonista de Primavera do Leste maravilhoso, André Luiz Chitto de Oliveira.
Eles foram apresentando composições de Guinga e aí que eu vi que não conhecia Guinga. Composições fantásticas, sofisticadas, lindas! Foram apresentadas "Catavento e girassol", "Choro pro Zé", entre outras. Se eu tivesse me preparado melhor para o show de Guinga, saberia dizer muito mais nomes.
Guinga se derramava em elogios aos músicos que conheceu em Cuiabá e com quem dividia o palco. Chegava a se emocionar. Um show que ia se estendendo à medida em que a intimidade entre público e artista ia se ampliando. 
Poderíamos ficar lá horas ... Ficamos certamente mais de uma hora.  Bisamos "Carinhoso" - todos juntos, artistas e plateia.
Agora, estou aqui a ouvir Guinga e a me encantar cada vez mais com suas letras cheias de nuances e riquezas, e com suas melodias requintadas. Guinga disse que não sabe ler ou escrever música, mas é compositor dos mais sofisticados e ensina sua música com regularidade nos Estados Unidos e talvez seja mais prestigiado em outros países que no seu. 
Pena que Cuiabá conheça tão pouco Guinga e não tenha podido  valorizá-lo como merecia. Coisas de um Brasil com tantos sinais trocados, onde músicos como Guinga não recebem o devido reconhecimento. Ainda bem que tem Sesc Arsenal em Cuiabá.
Ah, se quiser saber mais sobre Guinga, confira o site www.guinga.com.br  
Foto do Facebook de André Luiz Chitto de Oliveira

domingo, 11 de setembro de 2016

Aquarius






Todo mundo devia assistir ao filme "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho.
O filme fala de resistência, coragem, coerência, fidelidade, amor, sexo,  amizade, especulação imobiliária, falta de escrúpulos.  Tem uma belíssima trilha sonora e ainda tem Sônia Braga.
Quando Sônia Braga era a atriz brasileira mais badalada e um verdadeiro sex symbol no país eu a vi de perto um dia. Estava cobrindo a visita aos presos políticos num complexo penitenciário do Rio de Janeiro (acho que para o jornal Ultima Hora) quando ela chegou com outros artistas. Comentamos sobre como a atriz parecia miúda e totalmente sem glamour naquele momento: ela usava um vestidinho simples, que a gente costuma definir como "vestido hippie". 
Alguém comentou que aquela mulher pequena e magra tinha uma relação fantástica com a câmera. Ela simplesmente se transformava diante das lentes de fotógrafos e camera men.
No filme, Sônia é Clara, uma jornalista e escritora de 65 anos, que já superou um câncer no seio e guarda as marcas da cirurgia. É bonita, charmosa, poderosa. Viúva, mora sozinha no último apartamento habitado do Edifício Aquarius - uma joia em frente ao mar, à praia de Boa Viagem, no Recife.
O filme é envolvente, tem momentos engraçados e outros de suspense. É muito atual. A entrevista de Clara às jovens jornalistas é muito instrutiva. Ela fala, conta histórias interessantes, mas a jovem repórter só quer saber se ela gosta de MP3 e consegue fisgar a frase para sua manchete. Isso me lembrou os tempos em que eu trabalhava na revista Veja. Era bem assim ...
Isso aqui não é uma crítica, é apenas uma resenha visando compartilhar minhas impressões sobre um filme brasileiro polêmico e poderoso.
Assista e tire suas próprias conclusões. 
Ps. Irandhir Santos, o salva-vida amigo de Clara, está tão lindo!