quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O que não mata ...

Ouvi essa frase outro dia - "O que não mata fortalece" - e tenho pensado muito nela.
Quando a gente é muito mimada (ou mima demais) acaba ficando meio fragilizada, com a sensação de que não tem forças suficientes para enfrentar os desafios do mundo.
Na verdade, nossos medos estão sempre nos paralisando, impedindo-nos muitas vezes de correr riscos.
Se não corrermos riscos, não ganhamos, nem perdemos, ficamos parados no mesmo lugar ou somos empurrados, levados pelos acontecimentos.
Lamento muito não ter praticado mais esportes coletivos e não ter estimulado mais minhas duas filhas a praticá-los. Acho que esse tipo de esporte (vôlei, basquete, handebol, futebol, etc) ensina muito. Ensina a atuar em equipe, a receber críticas, a rebatê-las (ou aceitá-las), a criticar, a lidar com o enfrentamento (físico ou não), a ganhar e a perder.
Sou meio intolerante com meus erros e morro de medo de que me chamem a atenção, por isso também tenho vergonha de chamar atenção, mas detesto passar despercebida. Argh ... Vai entender tanta contradição!
Tenho aprendido muito nos últimos tempos e sofrido alguns reveses. Quero acreditar que tudo isso esteja me fortalecendo e espero ter tempo ainda para que essa Martha fortalecida viva ainda algumas aventuras das quais possa se orgulhar.
Tenho vontade de gritar para minhas filhas: sejam fortes! Lutem por seus sonhos! Ñão abram mão jamais de suas convicções, mas sei que elas vão ter que descobrir muita coisa sozinhas e às vezes temo não tê-las criado suficientemente fortes para encararem e desfrutarem de todo encanto da vida.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O mundo está mais nítido novamente

Sabe aquela história do bode na sala? Eu adoro.
Para quem não entendeu, vou tentar resumi-la: alguém estava com um problema e o sábio do pedaço sugeriu colocar um bode na sala. Passados alguns dias, a pessoa não aguentava mais os problemas acarretados pelo animal e foi se queixar ao sábio, que sugeriu, então, que tirasse o bode e, depois de fazer isso, o cara ficou feliz da vida.
Neste fim de semana encarei um bode. Na sexta-feira, coloquei um par de lentes de contato novas. Tudo parecia ir bem, mas à tarde meus olhos começaram a me incomodar muito. À noite, insisti no uso das lentes e fiquei desesperada com tanto incômodo. Acabei tirando a que estava incomodando mais e fiquei só com a da direita.
Acordei no sábado com os olhos irritadíssimos e demorei para conseguir contato com meu oftalmologista. Ele disse que provavelmente eu tinha pegado uma conjuntivite porque tudo estava bem quando examinou. Tentei ponderar que seria azar demais pegar uma conjuntivite exatamente no dia em que colocava lentes novas. Uma observação aos leigos: pegar conjuntivite quando se usa lentes de contatos gás permeáveis (rígidas) equivale a jogar as lentes fora. Mais um detalhe: minhas lentes custam caro porque não são descartáveis e são especiais para quem sofre de ceratocone (uma deformação na córnea).
Quase entrei em pânico, porém como o médico pondereu que não poderia me examinar (a clínica não estava funcionando naquele dia) e me passou um colírio, tentei relaxar e não pensar no pior. O colírio (Maxilerg) era um antiinflamatório e tanto servia para conjuntivite como para lesões na córnea (o que poderia ter ocorrido em função do mau uso das lentes no dia anterior).
No sábado, não usei as lentes, mas no domingo, como tinha um compromisso social que não queria perder, coloquei apenas a da direita (a velha, conforme recomendado pelo oftalmologista) e passei o dia razoavelmente bem, mas ainda angustiada com o que podia estar acontecendo.
Hoje, voltei no médico já convicta de que não estava com conjuntivite e ele confirmou que eu não tinha esse problema. Disse que estava tudo bem, mandou eu botar as lentes novas de novo, ficar meia hora lá para ver se não ia ter reação. Não tive e estou com elas até agora sem problema algum.
O que aconteceu na sexta? Não sei. Mas o bode saiu da sala. 
Vocês não têm noção de como é assustadora a ideia de ficar sem poder usar as lentes de contato para quem precisa tanto delas como eu. Tenho óculos que resolvem o problema em parte (embora eu deteste usá-los), porém eles não me dão a visão que tenho com as lentes.
Detalhe engraçado: meu oftalmologista disse que minha visão melhorou muito com as lentes novas (eu percebi). Ele disse que não se arriscaria a andar comigo dirigindo com as lentes antigas. Caramba!  Realmente, à noite, eu já não conseguia distinguir um cone de uma pessoa. Dirigia com o maior cuidado, mas andava muito insegura.
A gente critica as pessoas que se arriscam dirigindo sem ter condições ideais, mas quantas vezes a gente também não se arrisca?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Chutar o balde

Por mais que eu esteja tentando me convencer de que minha vida é muito mais confortável e tranquila do que a da maioria das pessoas, hoje, sinceramente, gostaria de dar um chute no balde e conseguir relaxar plenamente por um fim de semana ou, pelo menos, algumas horas.
Quando digo relaxar penso em esquecer por algums momentos tudo que me apoquenta: o prazo para a entrega dos trabalhos freelancers, o desejo de ter uma situação financeira e profissionalmente mais confortável, a violência diária estampada na mídia e sempre à espreita, a preocupação sempre presente com as filhas (principalmente), parentes e amigos mais distantes.
Hoje vi a chamada para o quadro "De folga" (ou algo parecido) do telejornal Hoje e tive que sair correndo. Mostrava uma praia paradisíaca. Sei que não tenho o direito de reclamar (não estou reclamando, viu?), mas sinto tanta falta do mar. Já que estou longe dele e não tenho perspectiva de tê-lo a curto prazo, vou me consolar com minhas lembranças.
Um dos momentos mais lindos da minha vida foi vivido em Ubatuba, quando eu tinha 15 anos. Estávamos passando férias no litoral paulista e me lembro de estarmos - meus sobrinhos e eu, todos adolescentes - numa praia maravilhosa, sem outras pessoas à vista, numa tarde de verão. Que sensação boa! Éramos tão felizes! E olha que nessa época eu era um poço de timidez e não sabia como lidar com dois paqueras que se revezavam no posto de "amores daquele verão".
Outra lembrança maravilhosa é de um final de semana passado numa praia minúscula no litoral de Paraty. Pegamos um barco - uma amiga, eu, o namorado dela e o amigo do namorado dela - e acabamos passando duas noites na beira do mar. Minha amiga brigou muito com os borrachudos (insuportáveis); eu, mais mateira (embora criada no Rio), troquei a barraca por uma noite de sono ao relento, na areia, quase perto do mar. Hoje, não sei se teria coragem de fazer isso, mas naquela época éramos tão otimistas, tranquilos ...
Só para terminar a sequência "lembranças maravilhosas do mar", vou registrar outro fim de semana delicioso passado, também num acampamento, em Trindade, um lugar paradisíaco, às margens da Rio-Santos.
Claro que teve outros momentos maravilhosos, quase cotidianos, quando eu ainda morava no Rio de Janeiro, ou excepcionais como os quase 15 dias que passei atravessando o Atlântico em direção à Europa, quando tinha pouco mais de 17 anos e vivi minha primeira paixão. Já ia me esquecendo de mencionar uma viagem muito gostosa a Porto Seguro, pouco antes do Natal, numa época em que quase não havia turistas barulhentos.
Vou parar por aqui. Não sei se lembrar de tudo isso me deixou mais feliz ou ainda com mais vontade de chutar o balde ...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Valeu a dica!

Acabei de assistir a um filme recomendado por meus amigos do blog ao lado (o Tyrannus Melancholicus). Chama-se "Os falsários". Não tenho a mesma habilidade para falar de filmes com a dupla cinéfila, mas não posso deixar um filme desses passar em branco.
Dirigido pelo austríaco Stefan Ruzowitzky e vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o filme é tenso, tem um elenco fantástico - com destaque para o ator Karl Marcovics, que faz o papel do judeu Solly Sorowitsch -, uma trilha sonora marcante (o uso do tango em vários trechos do filme é sempre surpreendente) e uma história que se torna mais incrível ainda pelo fato de ser verídica.
 Quando você acha que já viu todo tipo de filme sobre nazismo, chega um que consegue surpreender por contar uma história original, que envolve questões como lealdade, ética, coragem e amor à vida. Vale a pena assistir mesmo.
O final é muito comovente, daqueles que dá vontade de ficar revendo a cena várias vezes, mas não vou contá-lo  para não estragar a surpresa de quem resolver, como eu, seguir a dica dos amigos blogueiros.
Depois de assistir a "Os falsários", fiquei pensando que, de alguma forma, também vivo como os personagens do filme, ignorando ou fingindo que não vejo o que rola "lá fora", em nome da minha sobrevivência neste mundo tão brutal, injusto e, ao mesmo tempo, apaixonante.



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Você tem tempo?

Há alguns dias uma parente distante e da minha idade "queixava-se" de que por não ter o que fazer assiste a todas as novelas de TV e fica feliz quando alguém a chama para fazer qualquer coisa.
Essa pessoa está afastada do trabalho (um emprego público) por questões de saúde, mas aparentemente está bem.
É estranho, vejo muita gente reclamando de falta de tempo para cuidar de si, para dar atenção aos amigos, e pouca gente reclamando de excesso de tempo.
Também tenho uma relação meio conflituosa com o tempo, que procuro administrar da melhor maneira possível: tenho bastante trabalho, mas procuro tirar um tempo para nadar, cuidar de mim (ir ao médico, fazer exames necessários, ir ao salão para alguns cuidados básicos), ter alguma vida social e afetiva.
Também me ressinto da falta de tempo, mas acho que prefiro reclamar de sua falta do que do excesso.
Se eu tivesse mais tempo e não ficasse tão paranoica com a questão de grana, gostaria de fazer tanta coisa! Ler mais, viajar mais, dedicar-me a trabalhos voluntários, voltar a estudar violão, praticar dança de salão, yoga, aprender alguma coisa nova, sei lá ...
Tem momentos em que me sinto cansada e me dá vontade de jogar tudo pro alto e simplesmente parar. Em outros, sinto o desejo de ter tempo, de ser muito nova para fazer tantas coisas! Pesquisar histórias, escrever livros, livros e livros. Ir atrás das pessoas que trabalharam comigo e com meu ex-marido no Pantanal, ver como estão, conversar com elas. Penso demais em todas elas e sinto um carinho enorme pelo tempo que compartilhamos em viagens complicadas por estradas de chão, cheias de água e lama,  e no dia a dia de uma fazenda isolada do mundo.
Eu queria ter tempo para mergulhar nessas lembranças relativamente recentes e transformá-las em literatura.
Do que mesmo eu comecei falando?
Bem, agora tenho que tomar banho correndo para ir ao lançamento do livro sobre imigração italiana da professora Cristiane daqui a pouco no Sesc Arsenal.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

No caminho das águas do Prata

A rota do Prata sempre me fascinou. Sou apaixonada por histórias envolvendo pessoas que navegaram pelo caminho das águas no final do século XIX e no início do século XX, inclusive, esse foi o pano de fundo do livro que escrevi sobre Cáceres e minha querida Estella Ambrósio (Cantos de Amor e Saudade, Entrelinhas, 2005).
Por isso, fiquei encantada com o livro "Italianos em Mato Grosso: Fronteiras de migração no caminho das águas do Prata. 1856 a 1914", da historiadora Cristiane Thaís do Amaral Cerzósimo Gomes, que será lançado (Entrelinhas, tendo como co-editora a EdUFMT) amanhã, dia 23, no espaço climatizado da Choperia do Sesc Arsenal, a partir das 19h30m.
Embora seja resultado de uma tese de doutorado para a PUC-SP, o livro tem uma linguagem bem acessível e narra as aventuras de italianos que chegaram a Mato Grosso no período analisado, pela rota do Prata, ou seja, passando pela Argentina e pelo Paraguai, antes de chegar ao Brasil, via Corumbá. Muitos seguiram até Cuiabá, outros fincaram raízes em Cáceres e muitos acabaram se casando com representantes da elite local, no que a autora chama de "processo de inserção sociocultural através do casamento".
É uma história com muitos sobrenomes - Ricci, Fragelli, Capriata, Maiolino e Lotufo, entre outros -, sendo alguns mais familiares para mim, como o de José Dulce - o genovês que desembarcou em Cáceres, no início do século passado, e esteve à frente de dois empreendimentos fundamentais para a região: a loja "Ao Anjp da Ventura" e o vapor Etrúria, personagens importantes do meu livro.
Descendente de italianos que fizeram essa rota, Cristiane vem se especializando no tema e tem outro livro publicado pela Entrelinhas/EdUFMT: "Viveres, fazeres e experiências dos italianos na cidade de Cuiabá. 1890-1930" (2005). É um trabalho consistente, cuja importância, na minha opinião, transcende Mato Grosso porque fala de migração, do sonho de progredir em outras terras que embala a humanidade e faz o mundo se mover há séculos.
 


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

As fotos do Zé

Na sexta-feira passada fui à abertura da exposição de fotos de José Medeiros, "Retratos e relatos", na Galeria de Artes do Sesc Arsenal.
As fotos são lindas como se pode ver por estas adicionadas ao post, mas estas não são as minhas preferidas, embora deem uma boa ideia do universo explorado pelo fotógrafo: o Pantanal, com sua gente, seu dia a dia, suas crendices, sua pobreza estampada nos pés e mãos calejados da gente que vive lá e que, geralmente, é menos valorizada do que os bichos e a flora pantaneiros.
José Medeiros - ou simplesmente Zé, meu companheiro de tantas viagens por este Mato Grosso - ama essa gente simples pantaneira e tem o dom de chegar às pessoas com facilidade. Ele não precisa fingir familiaridade, pois realmente fica muito à vontade na casa do povo e, por isso, consegue fazer retratos lindos.
Vale a pena ir atá a Galeria do Sesc Arsenal para contemplar as fotos do Zé. Elas me deixaram um pouco triste, mas isso já é uma outra história, que vou contar outra hora. Quem sabe num livro? 


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Pós-encontro Parte Final (por enquanto)

Ainda é difícil para mim tratar de outro assunto que não seja o Encontro da Família Baptista. Talvez na próxima semana eu me sinta mais motivada a comentar outros temas.
Já voltei à vida real, mas é como se ainda estivesse pisando num terreno meio etéreo. A cabeça está no ar e tenho que fazer um esforço redobrado para escrever matérias e lidar com assuntos cotidianos.
Não quero dizer com isso que tudo foi perfeito. Durante os dias passados em Campo Grande, tive que lidar com algumas dificuldades internas, que comecei a compartilhar hoje com a minha terapeuta. Isso é uma novidade que não contei aqui: estou frequentando o consultório de uma psicóloga através da Unimed, sem custo algum. O que parecia uma alternativa não tão atraente a princípio (como fazer terapia sem escolher o terapeuta?) acabou se tornando uma surpresa maravilhosa. Estou adorando a minha terapeuta e ela tem me ajudado muito a me conhecer melhor (nessa altura do campeonato ainda tenho que lidar com muitos pontos obscuros).
Voltei do encontro familiar com a sensação de não ter conversado suficientemente com todo mundo, mas talvez isso não fosse possível ou mesmo necessário. Mas é claro que queria ter conseguido dizer para cada uma das pessoas presentes (e para os ausentes) o quanto eram especiais para mim e quanto me deixava feliz poder compartilhar com elas aquele momento. Acho que eu deveria ter escrito um texto, mandado imprimir e distribuído para cada um, já que tenho dificuldades para expressar minhas emoções oralmente.
Outra coisa que percebi e gostaria de compartilhar é quanto nós, da família Baptista e mesmo os agregados, somos amorosos com nosso filhos e netos e bisnetos. É uma coisa das mulheres, mas os homens da família, eu me dei conta, são ótimos pais (e tios e avôs, em geral). Isso fez com que houvesse uma preocupação desde o início do encontro com a diversão e o bem estar das crianças e pré-adolescentes. Como já disse no post anterior, acho que eles se divertiram muito e não se esquecerão tão cedo dessa festa.
Em alguns momentos do encontro oficial (no domingo) muita gente - os mais velhos, as crianças, sem falar na turma dos enta que não parou de dançar - dançou e dava para sentir nos movimentos de muitos aquela alegria descompromissada. Ninguém estava preocupado com que os outros iriam pensar.
Eu me lembro de um momento em que cantei ("Foi um rio que passou em minha vida" de Paulinho da Viola) e dava para sentir a energia boa do pessoal dançando e cantando junto.
A família é uma coisa bacana e é bom demais saber que posso contar com a minha.


Minhas irmãs: da esq. para dir, Lila, Nancy (cunhada), Anna Maria, Junilza, July, Jandira, Jane e eu.
A ideia era fazer uma escadinha e Nancy entrou no lugar do meu irmão, Zezinho, falecido em 1987.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pós-encontro

Antes de qualquer coisa, um aviso aos navegantes: este não é um post definitivo sobre o encontro da Família Baptista, realizado em Campo Grande, neste final de semana. É apenas um registro, uma tentativa de transformar em palavra escrita os sentimentos envolvidos nessa mega operação familiar.
Tudo deu certo no nosso encontro. Ninguém se estranhou, nenhuma criança se machucou e todos, em algum momento, trocaram alguma energia - nem que fosse um peqeuno abraço, um grande abraço ou um sorriso.
Éramos 77 pessoas, entre adultos e crianças.
Conseguimos compartilhar várias refeições - entre almoços, jantares e cafés da manhã, em pequenos, médios e grandes grupos, sendo que o maior deles naturalmente aconteceu no dia do Grande Encontro, domingo, em que ficamos juntos de meio-dia até de noite. Alguns chegaram mais tarde, outros saíram mais cedo, mas houve um momento - registrado na foto - em que estavam todos.
Não houve grandes formalidades - nossa família não é dada a formalidades. O momento mais solene foi a fala da irmã mais velha, Lila, magnífica nos seus 89 anos, que falou lindamente, e passou o microfone para a irmã caçula, eu, que ... Não vou comentar minha fala, até porque falar não é meu forte. Prefiro escrever. Aliás, eu devia ter preparado alguma coisa para ler.
A parte musical do encontro foi bem legal: dançamos e cantamos bastante - vários tipos de música: polca paraguaia, chamamé, samba e rock (anos 80). Foi muito divertido!
As crianças curtiram muito e se confraternizaram maravilhosamente. Acho que o encontro sempre ficará como uma bela lembrança quando crescerem.
Alguém já falou da possibilidade de um encontro em 2012 num hotel fazenda. Acho que seria fantástico porque não perderíamos energia e tempo combinando para onde ir antes e depois do encontro principal.
Valeu muito, galera que foi! Valeu também a energia de quem não foi, mas acompanhou a movimentação pela net, através de nosso grupo montado no Facebook (fechado). 
Um beijo grande para todos e uma foto da galera reunida para quem acompanha meu blog, não é da família Baptista, mas se sente ligado nessa emoção.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ao som do sax

Amanhã viajo para Campo Grande ao encontro da Família Baptista, mas quero deixar uma dica cultural para quem ama a música instrumental ou ainda não descobriu a beleza desse tipo de som.
Sábado e domingo, no teatro do Sesc Arsenal, às 20h, vai ter show do Ciranda Sax, com entrada franca.
Ontem conversei por telefone com o maestro Murilo Alves, presidente do Instituto Ciranda - Música e Cidadania, uma organização que parece fazer o que se propõe: oferecer ensino gratuito de teoria e prática musical a quem realmente está a fim de abraçar a música e fazer dela mais do que um meio de vida.
Sou apaixonada por esse trabalho e aqui no blog não preciso esconder meu entusiasmo. Por isso lamento não poder prestigiar a apresentação do quarteto de saxofones formado por quatro músicos oriundos e ainda ligados ao projeto Ciranda: Jasson André (sax soprano e alto), Augusto César (alto), Neto Morais (tenor) e Phellyppe Sabo (barítono).
Adoro essa conversa entre sax diferentes e o repertório do show está muito convidativo: Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Chick Corea e Carlos Malta, além de arranjos de Vittor Santos para temas de rasqueados de Mestre Albertino.
Na conversa, Murilo Alves me falou de um compositor norte-americano cujo nome não me pareceu familiar: Lennie Niehaus. Como não admito escrever errado o nome de alguém, fui atrás de informações e descobri numa pesquisa básica (leia-se wikipédia) que ele tem uma história de colaboração com o diretor Clint Eastwood.  Niehaus assina a trilha sonora de alguns dos melhores filmes de Eastwood: "Sobre meninos e lobos", "As pontes de Madison" e "Os imperdoáveis".
Acabei desembocando no youTube onde assisti a um vídeo dos rapazes do Ciranda Sax tocando um tema de Niehaus, "Bee's knees", numa das etapas do programa Furnas Geração Musicial no Rio de Janeiro. É super legal! Só aumentou minha vontade de assistir ao show do Ciranda, mas estarei ausente por um bom motivo.
Vou tentar ficar longe da internet pelo menos nos dias que estiver em Campo Grande. Eu mereço esse descanso.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pobre Colniza!

Colniza fica a mais de mil quilômetros de Cuiabá, no extremo noroeste de Mato Grosso. O acesso ao município é dificílimo o ano inteiro, já que não há asfalto ligando a região à capital. O asfalto termina em Juína.
Estive lá mais ou mesmo nesta época do ano em 2009, quando trabalhava para a revista Produtor /Rural. Foi uma aventura e tanto, relatada em vários posts neste blog. De Juína a Colniza, levamos cerca de seis horas, mas na época das chuvas esse percurso torna-se impossível.
Pois bem, hoje a sofrida população de Colniza foi vítima da modalidade de assalto que a mídia chama de Novo Cangaço. Dessa vez, os ladrões, que usaram a mesma tática de sempre, assaltaram duas instituições bancárias ao mesmo tempo: Sicredi e Bradesco.
Essa situação é muito cruel. Uma das poucas vantagens, na minha opinião, de se morar no interior (e bota interior no caso de Colniza) seria ter mais tranquilidade em relação à população da capital, mas o que vemos em Mato Grosso? Cada vez mais assaltos a bancos com reféns em cidades onde o contigente policial é ridículo.
Colniza alcançou triste fama há alguns anos como o município mais violento do Brasil por causa do número de homicídios por habitantes. Quando estive lá, conheci gente amabilíssima, porém quando perguntava sobre a má fama do município, todos respondiam: "Aqui só morre quem tem que morrer". Ou seja, a justiça continua sendo feita com as próprias mãos, no estilo farwest, devido à falta de uma estrutura mínima de serviços aos quais os cidadãos têm direito, tais como segurança, justiça, saúde e educação.
Hoje, Colniza é novamente notícia em todos os sites, jornais e TVs de Mato Grosso. Mais uma vez o motivo não é bom. Lamento pelas pessoas de bem que vivem lá - gente que vai enfiando a cara Brasil afora em busca de melhores oportunidades de vida.
Na fuga, os assaltantes queimaram pontes de acesso. Não sei se as chuvas já começaram por lá, mas certamente a situação ficará ainda pior do que no último período das águas.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Grande Encontro

Estou a apenas quatro dias do Encontro da Família Baptista, que começou a ser gestado há uns três anos (ou mais), quando um sobrinho que mora em Brasília cirou uma comunidade com os nomes de meus pais no Orkut. Na época, minha filha mais velha sugeriu que organizássemos um encontro da família, mas a ideia não avançou.
Este ano, tive a iniciativa de criar um grupo da família no Facebook e. por vários motivos, a proposta do encontro prosperou. Talvez ela tenha sido amadurecida nesse tempo ou talvez seja apenas o momento certo da coisa acontecer. Não temos astrólogos na família, mas quem sabe se tivéssemos ele (ou ela) diria que estamos na confluência de Marte com Vênus (sei lá se isso é possível) e todos os astros e planetas estão corroborando para que esse encontro aconteça.
Confesso que fico com um friozinho na barriga. E se a gente se frustrar? Se não valer a pena todo investimento (emocional, financeiro)?
É impossível: vamos (re) encontrar um monte de gente, conhecer membros da família que só conhecemos por fotos, tirar mil fotos que ficarão de lembranças para sempre e inspirarão as novas gerações que estão chegando.
Teremos herdeiros de Júlio e Nilzalina (meus pais), com idade de 1 ano a 88 anos! Vamos comer, beber, rir, dançar e talvez até chorar juntos. Mas que dá um friozinho na barriga dá ....
Para mim, este evento vai ter um gosto de Natal, Ano Novo, enfim, será uma grande festa e acho que o tempo não será suficiente para pôr as conversas em dia e matar as saudades.
Estarão presentes todas as minhas seis irmãs, uma cunhada (viúva do meu irmão), dois cunhados (os outros já faleceram), uma penca de sobrinhos, sobrinhos netos e bisnetos, e mais um monte de agregados (apelidados carinhosamente de "parênteses" por estarem literalmente entre parênteses num cartão enviado pela família a um membro ausente num Natal do passado).
Fico meio angustiada diante de encontro familiares. Sei lá, acho que bate uma angústia meio infantil de quando eu era muito retraída e achava que não tinha nada a dizer de interessante para as pessoas. Quando encontrava meus sobinhos vindos de Mato Grosso cheios de energia e atitude, e eu me sentia a tia (embora tivesse a mesma idade que eles) perdida entre o desejo de ser criança e a responsabilidade de pertencer à classe dos mais velhos.
O encontro acontecerá em Campo Grande por razões estratégicas e decisão da maioria.
Tomara que seja bastante bom para que outros aconteçam. Já estou com saudades.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O buraco é mais embaixo

Na segunda, é mais difícil retomar o blog. Fico dividida entre falar das vivências do final de semana e dos acontecimentos quentes dos últimos dias. Não é assunto novo, mas não posso deixar de lamentar a morte do cinegrafista da Band, Gelson Domingos, durante operação policial na fazenda Antares, no Rio de Janeiro, no domingo.
Como disse um antigo colega do JB, Jorge Antonio Barros em seu blog (publicado em oglobo.globo.com/blogs/), é impossível permanecer impassível diante da morte de um colega de profissão: "Quando acontece no nosso quintal a notícia sempre torna-se mais relevante". Ainda citando o ex-colega do JB, 2011 foi o ano mais trágico para a imprensa latino-americana em 20 anos, segundo a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). A morte desse cinegrafista, afirma Jorge Antonio, só confirma o que pesquisadores como Luiz Mir têm dito: o Brasil vive uma gerra civil não declarada, com 50 mil mortos por ano.
Aqui em Cuiabá a coisa anda feia: assaltaram e balearam um deputado federal (Eliene Lima) na semana passada, quando ele conversava com um amigo delegado na porta de casa, no bairro Boa Esperança (perto da UFMT). É, meu amigo, pode ser que o fato de ser parlamentar apresse a identificação dos culpados, mas os ladrões são "democráticos": não querem saber a profissão, nem o partido das vítimas. Bobeou, tomou ...
Ando em Cuiabá como andava no meu Rio de Janeiro nos anos 1980, sempre alerta e desconfiada. É uma triste realidade.
Mata-se e se morre por muito pouco. Será que tem jeito de reduzir essa sensação de insegurança, como foi feito em Nova York e outras cidades violentas?
Longe de mim querer dar uma de especialista no assunto, mas acho que é importante combater a violência, com policiamento ostensivo nas ruas, policiais bem preparados e remunerados, que não saiam matando pessoas como o africano Toni Bernardo (aquele que foi espancado por três homens numa pizzaria do Boa Esprança), e principalmente com o combate não hipócrita aos grandes criminosos: políticos, autoridades e todo tipo de profissional corrupto, que desviam dinheiro que deveria tornar nossa sociedade mais justa, com educação de qualidade, saúde e saneamento básico, moradia e transporte dignos para toda a população e não para um minoria.
Todo meu apoio aos organizadores da manifestações anticorrupção do próximo dia 15!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Quanto mais velhos ...

Esta semana entrevistei uma mato-grossense que completou 100 anos: Nympha Escolástica da Silva - uma mulher de personalidade forte que se gaba de sua presença de espírito. “Se alguém falar alguma coisa que não gosto, dou resposta no ato. O que gosto, gosto; o que não gosto, não gosto. Por isso sou feliz”, afirmou. E isso não parece ser bravata de uma senhora centenária, já que todos asseguram que ela sempre foi assim.

Esse encontro me fez pensar sobre a questão da idade. Como tudo é relativo! Há pessoas que se acham velhas aos 18 anos e há outras com uma vitalidade invejável em idades avançadas. O que determina nossa idade?

Tenho um amigo, de 76 anos, que diz que essa história de melhor idade é uma balela. Meu amigo não é um pessimista, é apenas realista. Como convencer alguém entrevado numa cama ou tendo que recorrer a um andador de que aquela é sua melhor idade?

O mundo é cruel e contraditório. Ao mesmo tempo que tenta nos convencer das delícias da “melhor idade”, glorifica a juventude e tenta nos enfiar goela abaixo uma série de artifícios para se manter eternamente jovem: pílulas, cirurgias plásticas e técnicas revolucionárias para manter a pele lisa, sem rugas e expressão.

Outro dia, um amigo jornalista do Rio de Janeiro, que continua trabalhando aos 70 anos, contou sobre a situação difícil de uma amiga em comum: “É mais uma grande profissional que o mercado seletivo dos ‘jovens’ pôs de lado”.

Em algumas carreiras, como as de modelo e jogador de futebol, a idade é fundamental, todos sabemos, porém, na profissão de jornalista, em que o vigor físico e a beleza não são fundamentais, deveríamos ser tratados como vinho: quanto mais velhos, melhores. Não é o que acontece. Só não sei se isso também ocorre em outras profissões.

Volta e meia, alguém que entrevistei elogia minha capacidade de transmitir exatamente o que ele quis dizer. Sempre pensei que era essa a minha obrigação como repórter, mas constato, com uma certa relutância, que isso é um talento (modéstia à parte), que foi aprimorando com o tempo.

Pode ser até que o mercado não valorize os meus atributos (a profissão de jornalista anda tão desvalorizada, num mercado profissional onde publicitários e outros profissionais vão tomando nosso espaço – um assunto para outro artigo), mas hoje, diante do exemplo positivo de dona Nympha, eu me sinto invadida por uma onda de otimismo. Acho que preciso pôr mais em prática a sua receita de longevidade, que inclui o uso constante de guaraná em pó.

Texto publicado no Diário de Cuiabá hoje

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Concerto

Foto de Cláudia Abreu - Onde está Wally, ops, Martha?
Antes que se passe muito tempo, quero comentar aqui sobre o concerto de terça-feira passada. Foi muito legal!
O Madrigal do Avesso, do qual faço parte, fez uma participação especial reforçando o time dos alunos do curso de regência de Coral, que está sendo dado pelo professor e maestro Carlos Taubaté, através da Secretaria de Estado de Cultura (SEC-MT).
Como adoramos um palco, não pensamos duas vezes antes de aceitar o convite do Taubaté, que é também regente e fundador de nosso madrigal.
Cantamos três músicas a cappella, sob a regência de alunos do curso (entre eles, dois colegas nossos, Iasmin Medeiros e Epson Lima): "Old Folks at home", de Stephen Foster, "Luar do Sertão", de Catulo da Paixão Cearense  e "Ave Verum", de Mozart. Foi muito emocionante cantar novamente esta peça, que cantei há décadas num Concerto da Associação de Canto Coral na Sala Cecília Meirelles no Rio de Janeiro.
Em seguida, a banda formada por alunos do Curso de Regência de Bandas e Fanfarras, e reforçada por músicos do Instituto Ciranda e da Orquestra Sinfônica de Nova Mutum, apresentou quatro peças, sob  regência variada.
O grande final veio com banda e coral apresentando juntos "Canta Brasil" de Alcir Pires Vermelho e David Nasser (sob a regência do professor e maestro Murilo Alves)  e "Nos bailes da vida" de Mílton Nascimento e Fernando Brant. Quando o público do Cine Teatro Cuiabá preparava-se para pedir bis, os alunos dos cursos de regência fizeram uma homenagem surpresa para os professores/regentes (Taubaté e Murilo). cantando "Amigos para sempre".
Saímos do teatro felizes e com "a alma repleta" de amor pela música e loucos para fazer uma apresentação só do nosso Madrigal do Avesso.

Foto: Cláudia Abreu