sábado, 17 de maio de 2008

Uma lembrança ruim de Floripa

Na minha última noite em Florianópolis aconteceu um fato muito desagradável. Pegamos um táxi - eu e outros três jornalistas - para voltar aos respectivos hotéis depois de um show do Renato Teixeira. O motorista, muito falastrão, metido a engraçadinho, começou a falar de um episódio ocorrido na véspera ou no dia anterior. Ele foi assaltado e, ao perceber que o bandido estava com uma arma de brinquedo, atracou-se com ele. Segundo o motorista, ele colocou o assaltante no porta-mala de seu carro e o levou para a delegacia antes que fosse linchado. Ou seja, ele ainda foi "bonzinho". Mas pediu para a polícia dá um "trato legal" no cara (como se precisasse pedir). A outra moça que estava no carro perguntou se ele não tinha medo do cara querer se vingar quando saísse da cadeia. O motorista respondeu que não porque o cara ia mofar muito tempo na prisão e acrescentou, orgulhoso, que tinha quebrado todos os seus dentes.
Fui para o hotel remoendo suas palavras e por mais que tentasse não conseguia tirar a cena da cabeça. Tentei me acalmar imaginando que o motorista pudesse ter exagerado para se vangloriar (tem homem que adora se mostrar valentão) e pensando que quando um ladrão sai pro crime sabe que pode se dar mal. Mas, não sei por que o pensamento dele sendo espancado e preso num porta-mala a caminho da delegacia me agoniava muito. Até hoje penso no fato. Será que isso é normal?
Por que as pessoas tem tanta necessidade de violência, adoram ver as pessoas se esmurrando, tirando sangue das outras? Por que algumas pessoas até buscam isso? Imagino que haja pessoas bacanas que se dedicam ao boxe ou a outras lutas marciais, mas é uma coisa que definitivamente não consigo entender e é uma coisa que me assusta muito.
Sei lá, se é verdade esse papo de vidas passadas, provavelmente eu fui uma pessoa muito violenta ou vivi perto de pessoas muito violentas. Só isso explica essa minha aversão a tudo que envolve sangue, dor e sofrimento.

4 comentários:

Jornalista na Itália disse...

Oi Martha, tudo bem? Sabe, compartilho esse sentimento contigo. Nunca gostei das pessoas que riem quando alguém cai ou se dá mal. Isso é puro sadismo, seja ele em grau brando ou profundo. Existem pessoas que têm prazer de ver um idoso ou amigo caindo um tombo. O duro é termos que conviver com isso. E agradeço pela "audiência". Sempre tenho lido as tuas aventuras e desventuras no Centro-Oeste brasileiro.
Beijo grande

Beatriz Michelle disse...

Oi professora,

gostei muito do que a senhora escreveu sobre o caso Isabela e sobre esse taxista. Uma das maiores contribuições que tive na facul foi ler Caco Barcelos durante para a sua aula.
Vou colar umas palavras de Martin L. King para uma reflexão.bjus

"através da violência você pode matar um assassino, mas não pode matar o assassinato. Através da violência você pode matar um mentiroso, mas não pode estabelecer a verdade. Através da violência você pode matar uma pessoa odienta, mas não pode matar o ódio. A escuridão não pode extingüir a escuridão. Só a luz pode."

Martha disse...

É muito oportuno lembrar as palavras de Martin Luther King. Aliás, preciso conhecer um pouco mais o pensamento desse homem, que na minha opinião, se equipara a Gandhi na luta por mudanças sem o emprego da violência.
Obrigada pelo comentário.

Anônimo disse...

Oi

O dia que vc for assaltada, tiver uma arma na sua cabeça e um cara gritando, te colocando no porta-malas,e tirando seu dinheiro suado do banco e vc sem saber se vai sair dessa viva, quem sabe vc vai entender a expressão "violência gera violência" do ponto de vista não burguês, quem sabe vc vai cair na real.