quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Caraminholas

Não sei se eu deveria compartilhar isso aqui, mas está engasgado desde sexta-feira, quando descobri - fuçando na net - que o livro que escrevi para um empresário de Mato Grosso (na verdade, ele é mais que um empresário daqui) foi lançado na  Casa Fasano em São Paulo.
O livro foi lançado em duas dezenas de cidades onde existe uma loja do grupo e eu sabia que haveria lançamentos em duas capitais, Brasília e São Paulo, mas não imaginava que este último seria com tanta pompa e circunstância. E eu não fui convidada. Só fui convidada para o lançamento em Cuiabá em julho passado.
Dá para imaginar isso: um livro que é lançado sem a presença do escritor?
Assisti a um ótimo filme, "The ghost writer" (O escritor fantasma), de 2010, do diretor Roman Polanski em que o tal escritor fantasma não é convidado para o lançamento do livro que escreveu e vai à festa como "penetra" (se não me falha a memória, alguém da equipe do biografado descola um convite para ele). O filme é muito interessante, cheio de suspense e reviravoltas, e na verdade o tal escritor faz realmente o papel de ghost writer de um ex-primeiro ministro (tecnicamente ele não existe como autor, já que a autoria da obra é atribuída para o político). Só que ele descobre que o seu antecessor morreu misteriosamente durante o trabalho.
No meu caso, não sou uma ghost writer , já que meu nome aparece como autora do livro na ficha catalográfica, portanto ...
Enfim, é complicado ser jornalista, escritor. A valorização desse tipo de trabalho pela sociedade é sempre esquisita. Algumas pessoas reconhecem quando o texto é bem elaborado e o admiram, mas o trabalho de jornalista em geral é cada vez mais desvalorizado em termos financeiros. Bem que um dos meus cunhados me alertou quando soube que eu seguir essa profissão, mas eu não quis ouvir seus conselhos...
Mas sabe de uma coisa?  Estou feliz com o que eu sou. É engraçado, eu sempre quis fazer jornalismo cultural. Quando trabalhei na revista Veja, na década de 1980, aos poucos, fui me direcionando para artes e espetáculos. Como repórter de sucursal, é claro que eu sempre fiz de tudo e adorava isso, mas quando me chamaram à sede em São Paulo e me acenaram com uma promoção (que recusei, pasmem), foi a Editoria de Artes e Espetáculos que me recebeu de braços abertos. O editor era Mário Sérgio Conti, que galgou vários cargos na Veja e hoje - soube anteontem - é o substituto de Marília Gabriela no programa Roda Viva.
No auge da minha carreira como jornalista, vim para Mato Grosso e aí tive que recomeçar minha vida profissional. Em Cáceres, dei aulas no curso de Letras da Unemat e criei um laço afetivo especial com minhas colegas da Literatura.
Em Cuiabá, trabalhei sete anos como jornalista de agronegócio e agora, após a decisão da Famato de não mais publicar a revista Produtor Rural, eis-me labutando no jornalismo cultural como repórter do caderno Ilustrado do Diário de Cuiabá. É claro que não tem o mesmo charme e, muito menos, a estrutura de um Caderno B do Jornal do Brasil nos anos 70 e 80, meu sonho de consumo, mas estou curtindo muito.
Acho que não nasci com o dom de ganhar dinheiro. Preciso aprender a aceitar e administrar isso. E ser feliz, dentro do possível, e não me sentir derrotada porque minha conta bancária está sempre me provocando arrepios.

7 comentários:

Dete disse...

Imagino so a sua tristeza de nao ter sido convidada para o lancamento em Sao Paulo, mas acho que voce deve ter orgulho do trabalho que fez, independente do convite. O lancamento 'e so um dia, mas o livro vai criar asas e todos que o virem, verao seu nome tambem. Tenho certeza de que voce ainda vai escrever muitos outros livros. Um dia, quando estiver no lancamento de um livro so seu, vai ate achar graca do que aconteceu agora. Espere e ver'a :-) Bjs.

Chorik disse...

Como assim, lançaram sem você? Que absurdo!
Só uma coisinha: gostar do que se faz é mais importante que a conta bancária recheada. Porque isso não tem preço, Martha. Acredite em mim.
Bj

Chorik disse...

Ah sim, qual é o nome do livro?

Maria bel Baptista disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria bel Baptista disse...

Marthina eu sei como é isso. Trabalhei e escrevi dezesseis anos, com exclusividade, para publicar os livros já escritos, que eram oito livros... e isso não aconteceu... o ser humano é tão vaidoso que a vida não dá talento aos vaidosos; e eles precisam de gente talentosa como você. Fica tranquila e segue o seu curso ESCREVENDO as palavras bem ditas salvam um coração triste. beijo no seu coração. sua sobrinha que lhe ama muito Maria bel Baptista meu blogue diário de marias

Martha disse...

Obrigada pelas manifestações de carinho! Estou numa boa! Bjs

Martha disse...

Chorik, por uma questão pessoal, prefiro não dizer o nome do livro neste espaço, mas me passa seu email que te digo.