domingo, 7 de março de 2010

A cigarra volta a atacar

Ontem recebi o maior elogio que uma branquela como eu pode receber. Desculpem a minha imodéstia, mas tenho que compartilhar isso com vocês, queridos leitores.
Depois de uma noitada de muito samba, suor e cerveja (pouca, bebi muita água), tomei a iniciativa de dançar com um cara que dava show na arte da dança. Um homem de uns 40/50 anos, negro, elegantíssimo.
Numa das minhas idas ao banheiro, conversei com uma moça loura que eu tinha visto dançando divinamente com ele e ela me disse (ou pelo menos entendi) que ele era professor de dança.
Num rasgo de ousadia eu me aproximei dele e começamos a dançar. Ele me disse - não me recordo das palavras textuais - que aquele meu gingado não era coisa de gente da minha cor de pele. Retruquei que também tinha um pouco de negro (como a maioria dos brasileiros), referindo-me à herança paterna, da qual muito me orgulho.
Voltei para casa mais feliz e realizada até porque ele me disse que voltaremos a dançar.
É engraçado que sempre me orgulhei muito e quis me aproximar mais do meu lado paterno, que sempre me pareceu mais alegre, comunicativo e bem, bem mais feliz, que o lado da minha mãe - com todo respeito.
Minha mãe sempre representou uma coisa mais de disciplina, rigidez, hierarquia, embora "poor mother", ela, no fundo, não fosse assim. Apenas reproduzia os valores passados por sua família a uma menina dos idos de 1910. Prova disso foi o fato dela ter se apaixonado por meu pai. Só que, mesmo distante de sua família, ela não tinha como não continuar educando seus filhos de acordo com os padrões aprendidos.
Fico feliz por ser uma mulher do meu tempo que pode viver intensamente seus desejos e se dar ao desfrute de "tirar" um homem desconhecido para dançar. Sem medo de ser feliz.
Como hoje é véspera do Dia Internacional da Mulher, dedico este texto a todas as mulheres do mundo.

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