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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Quem te viu quem te viu






Hoje fui surpreendida com a notícia do fechamento do bar Choros &Serestas – o Chorinho tantas vezes mencionado neste blog. Não quero falar sobre os motivos do encerramento das atividades do bar e restaurante que, aliás, continuará abrindo para almoço durante algum tempo.
Só quero registrar mais uma vez o meu imenso carinho pelo Chorinho, que já foi minha segunda casa em Cuiabá. Quando me mudei de Cáceres para a capital mato-grossense há 13 anos logo identifiquei aquele bar simples e aconchegante do bairro Jardim Tropical como o “meu lugar” em Cuiabá.
Mal sabia chegar lá no início. Conheci o Chorinho graças à amiga Manoela que, durante um tempo, foi minha fiel companheira de samba aos finais das tarde de sábado. Eu chegava tímida com minha amiga sambista, que dava show na pista de dança com Elis, dançarino completo. De vez em quando, ele me tirava para um samba e eu me sentia lisonjeada com a honra de dançar com o grande Elis. Saravá!
Aos poucos, fui conhecendo mais pessoas, frequentando o baile das sextas, as noites de quinta-feira (antes da moçada tomar o Chorinho de assalto) ... De repente, o sábado ficou apertado para tanta gente que se tomou de amores pelo Chorinho, por aquele samba democrático, bagunçado que corria ligeiro e animado sob o comando quase imperceptível do grande Marinho Sete Cordas. Quase ao mesmo tempo, as quartas-feiras começaram a ficar animadíssimas, compartilhadas por antigos e jovens apaixonados pelo Chorinho.
O auge do Chorinho – para mim – foi entre 2006 e 2012, quando comecei a me sentir íntima da casa. E comecei a cantar. Não me lembro quando foi a primeira vez que tive coragem de pegar o microfone e cantar “Quem te viu quem te vê”, que acabou se tornando minha marca registrada. Mas me recordo de um sábado em que admirava a roda de samba e Marinho fez sinal para eu cantar. Envergonhada, olhei para trás para me certificar de que o sinal era realmente para mim. Pronto, o “monstro” estava criado. Nunca mais parei de cantar. Briguei pelo microfone, naquelas noites em que representantes da velha, média e nova guarda se revezavam para interpretar seus sambas preferidos.
Era divertidíssimo! Bebi muito, comi pouco, sambei pra caramba ... Fiz muitos amigos, tive paqueras e teria muitas histórias divertidas para contar sobre o Chorinho que vivi.
Com a mudança forçada por conta de denúncia feita à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que não demonstrou qualquer boa vontade com a casa, o Chorinho começou uma nova etapa de sua história. Alguns velhos frequentadores deixaram de ir por um tempo ao novo Chorinho, instalado no bairro Quilombo (a alguns metros da Praça do Choppão). Os universitários que iam em busca de cerveja e comida baratas também foram se afastando. Novas pessoas chegaram.
Confesso que fiquei um pouco arredia no início diante de filas na porta e de um clima diferente do boteco do Jardim Tropical. Mas minha resistência foi vencida por Marinho que me disse: “Somos nós. É a música de sempre”. Ele tinha razão, em parte. Aos poucos, fui voltando a frequentar o “novo” Chorinho. Continuei dançando, cantando cada vez mais e fiquei muito feliz de ter sido convidada para participar de alguns eventos especiais, como o show em homenagem a Paulinho da Viola e Lupicínio Rodrigues, ao lado de cantoras veteranas e novatas.
E por falar em Paulinho, que estou ouvindo enquanto escrevo estas linhas, foi lá no Chorinho que aprendi a cantar “Onde a dor não tem razão”, que se tornou um dos meus sambas preferidos. Também foi lá que aprendi a cantar “Desde que o samba é samba”, de Caetano Veloso.
Conheci músicos que hoje fazem sucesso no cenário mato-grossense e nacional, como Paulo Monarco, Luciana Bonfim, Ana Rafaela (quando era apenas uma menina que impressionava por sua maturidade e talento musical), Lorena Ly, Joelson Conceição, Henrique Maluf e tantos outros.
Lamento muito que o Chorinho esteja fechando suas portas e desejo que o casal Marinho e Fátima encontre novos caminhos. Só tenho que agradecer o privilégio de ter curtido os bons tempos do Chorinho, ainda que não seja da chamada Velha Guarda da casa. Espero que os amigos feitos nesse tempo não se esqueçam de mim e não pretendo esquecê-los. Estou fechando uma página da minha vida em Cuiabá ... Com tristeza, mas também com muita gratidão!



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Chorinho: 22 anos de música e amizade

 
Marinho Sete Cordas em foto de Marcos Lopes

Compartilho neste espaço o texto que fiz para a divulgação do 22º aniversário do Chorinho. Aqui eu resgato um pouco da história deste espaço que aprendi a amar. Hoje, posso dizer que faço parte da história do Chorinho.
Há 22 anos, um grupo de moradores de Cuiabá, que gostava muito de choro, seresta e samba de raiz, começou a se encontrar em alguns locais da capital. Eram encontros regados à cerveja e música da melhor qualidade, que reuniam pessoas de várias profissões – médicos, professores, jornalistas – e no qual despontava um cearense, mestre na arte do violão de sete cordas. Esse foi o berço do bar Choros & Serestas e essa história merece ser contada esta semana, quando Antônio Marinho de Souza Fortaleza, o Marinho Sete Cordas, vai comandar as comemorações do 22º aniversário do popular Chorinho.
Mais do que um bar, o Chorinho continua sendo ponto de encontro de vários músicos, cantores e amantes da boa música popular brasileira. Hoje, estabelecido na Rua Estevão de Mendonça, nº 869, no bairro Quilombo, o Chorinho é um patrimônio cultural e artístico de Cuiabá e, como todo bom patrimônio, independe de sua localização. O Chorinho é Marinho e todos os músicos – profissionais e amadores – que se dedicam à casa e têm nela um local de diversão e confraternização.
“Fico muito feliz de conseguir levar esse movimento à frente em meio a todos os modismos”, comenta Marinho, numa referência aos momentos de altos e baixos enfrentados ao longo de mais de duas décadas.
No dia 21 de novembro de 1992, o bar Choros & Serestas nasceu no bairro Jardim Tropical, onde permaneceu até 2012.  Durante anos, o bar instalado no sobrado do Jardim Tropical, que ganhou o apelido carinhoso de Chorinho, manteve um público fiel, formado pelos integrantes do grupo fundador – a chamada Velha Guarda.
Aos poucos, uma nova geração foi chegando e, no final dos anos 2000, o Chorinho virou point da moçada, que fazia fila às quintas-feiras e aos sábados. Na roda de samba tradicional do sábado, novos grupos – como Conversa de Botequim e Orquestra de Boteco – foram gerados e muitos novos talentos aperfeiçoaram seus dotes artísticos.
O movimento no bar Choros & Serestas foi tão intenso que acabou incomodando algumas pessoas e os proprietários foram forçados a se mudar. Encontraram a melhor opção num restaurante da rua Estevão de Mendonça (perto do Choppão) que não chegou a ser inaugurado. Desde 24 de abril de 2012, o Chorinho funciona ali.
No início, houve um certo estranhamento por parte do pessoal da Velha Guarda, mas, aos poucos, o samba de qualidade e o talento de Marinho Sete Cordas, além de seu dom para atrair e cativar novos músicos e cantores, levaram muita gente a frequentar o bar novamente.
“Para nós, é um motivo de orgulho levar essa bandeira do samba de raiz, do choro e da seresta na capital mato-grossense, embora sempre estejamos abertos ao novo”, comenta Fátima Campos, que está à frente da administração do bar e restaurante junto com Marinho.
Eles lembram que o Chorinho já trouxe artistas de renome nacional a Cuiabá – gente do quilate de Monarco, Elton Medeiros, Délcio Carvalho, José Renato – e vários sambistas que vêm à capital fazem questão de curtir o ambiente do bar, como o veterano Nélson Sargento, que visitou o Chorinho após sua apresentação no Projeto Pixinguinha.
Toda essa energia estará no ar na próxima sexta-feira, quando os proprietários do bar Choros & Serestas vão comemorar os 22 anos da casa cercados pelos amigos cultivados ao longo do tempo.
“Será uma noite memorável e não poderíamos celebrar de outra forma, a não ser com uma roda de samba especial onde não faltará lugar para todos os amigos conquistados nesses 22 anos”, conta Marinho.

sábado, 2 de março de 2013

Elis, o dançarino





Na noite de ontem, uma amiga, Manoela, me ligou. Na hora pensei no Elis, um amigo em comum. Não deu outra: ela ligou para me comunicar o falecimento de Elis A. da Silva, 72 anos, ourives e o melhor dançarino do Chorinho - o bar Choros & Serestas de Cuiabá.
Não fui ao velório, nem ao enterro.  Escrever este texto é uma forma de reverenciar a memória de Elis.
Conheci o Chorinho em 2002, pouco antes de me mudar de Cáceres para Cuiabá, graças um encontro com Manoela em Cáceres. Ela me falou de um lugar onde costumava dançar e combinamos que me levaria lá na próxima vez que eu fosse a Cuiabá.
Não me lembro ao certo, mas provavelmente nessa primeira ida ao Chorinho conheci Elis. Na época ele era o par de Manoela. Os dois dançavam samba juntos divinamente. Manoela devia ter uns 20 e poucos anos. Ficamos amigas e comecei a frequentar o Chorinho em sua companhia quando me mudei para Cuiabá em fevereiro de 2003.
Nossa amizade durou até ela se mudar de Cuiabá, mas quando ela se foi eu já tinha outros amigos no Chorinho - muitos conquistados através dela.
O Elis era uma referência e estava sempre lá aos sábados. Uma figuraça! Gostaria de ter um vídeo dele dançando. Não sei de onde era, se tinha família, onde morava, só sei que ele dançava muito, tão bem que eu até ficava meio sem graça de dançar com ele. Jamais chegaria aos pés de sua partner Manoela.
Às vezes ele me elogiava e parecia que eu tinha ganho a noite.
De vez em quando ele sumia. Sinto que foi deixando de curtir tanto aquele Chorinho apinhando de gente que não deixava muito espaço para seus rodopios e passos de dançarino de gafieira. Quase não o vi mais depois que o Chorinho se mudou para um endereço novo, num local mais requintado.
Uma pena! Aos poucos, figuras como Elis vão desaparecendo. Queria ter dançado uma última vez com ele. Queria poder dizer que ele deve estar dançando numa festa no céu neste momento, mas não tenho esse dom. Sempre vou me lembrar de Elis com carinho e muita saudade de um bom tempo vivido em Cuiabá.
Manoela e Elis em nosso último encontro: um almoço em homenagem a sr. Gaspar,  no Chorinho, em 2012. Sr Gaspar também nos deixou no final do ano passado.


PS. Ele me lembrava um tio, Taciano, irmão do meu pai e uma pessoa bem presente na minha primeira infância.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Elton Medeiros no Chorinho




Em primeiro lugar, quero me penitenciar por não ter levado minha máquina para registrar o show de abertura do novo espaço do Chorinho. Pedi carona a um amigo e, para variar, me atrasei. Quando ele chegou, eu ainda não estava pronta e tiver que correr. Com isso acabei arrumando a bolsa às pressas e me esqueci de pegar a máquina. Azar meu!
A sorte que tinha vários fotógrafos lá e acredito que, em breve, poderei postar aqui fotos da nova sede do bar Choros & Serestas, matando a curiosidade dos amigos que me seguem e já têm o Chorinho como referência em Cuiabá.
A noite foi ótima. Casa cheia, pessoas excitadíssimas com a novidade e rasgando o verbo em elogios para Marinho, o dono do Chorinho há 19 anos. A propósito, Marinho, mais habituado a dedilhar com maestria seu violão de 7 cordas, estava super nervoso com tanta coisa para resolver. Mas, tanto ele quanto Fátima, sua mulher e administradora do Chorinho, estão de parabéns.
Ontem, eu não estava repórter: não levei relógio, nem papel e caneta para anotar detalhes da programação. Sei que a primeira apresentação, do violonista Joelson Conceição, acompanhado de músicos como Marquinhos no bandolim, deve ter começado por volta de 22h30m e a música instrumental - e maravilhosa - serviu como um esquenta para o show principal.
Elton Medeiros e seus acompanhantes (Paulão 7 cordas e Márcio Huck no cavaquinho, além de Joacir no pandeiro, mais conhecido entre nós como Madalena) já estavam a postos numa mesa perto do palco. Elton está bem velhinho, vai completar 82 anos em julho. Apesar do aspecto franzino e uma certa dificuldade para andar, fez um show muito digno, comovente e animado em alguns sambas, como "Meu sapato já furou", "Onde a dor não tem razão" e "O sol nascerá".
Entre um samba e outro (apresentou várias parcerias com Paulinho da Viola, Cartola e Zé Keti, além de outros compositores), Elton fez questão de contar histórias sobre os parceiros consagrados com quem conviveu em décadas de samba. Infelizmente, pouco consegui escutar, embora estivesse muito perto do palco e fizesse o maior esforço para entender. Além da pouca potência da voz do sambista, muitas pessoas tiveram um comportamento no mínimo desrespeitoso, continuando a conversar e até falando alto. Não consigo entender isso: pessoas que gostam de samba não são capazes de se calar por alguns minutos para ouvir um senhor sambista de mais de 80 anos!
Mas, apesar dos pesares, o show transcorreu bem e Elton Medeiros deu conta do recado. Pena que nem todos souberam escutá-lo.
Depois da apresentação do artista principal, a competente Orquestra de Buteco (com Marcelinho à frente como cantor) tomou conta do pedaço. Como ontem, excepcionalmente, não havia lugar para dançar (o espaço estava totalmente tomado pelas mesas), minha carona ia embora e eu precisava trabalhar hoje de manhã, deixei o Chorinho por volta de 1 hora da madrugada (depois de comer um pedaço do bolo maravilhoso do aniversário do trompetista Toni), mas a casa continuava cheia e certamente o samba não ia acabar tão cedo.
O novo Chorinho ficou um espetáculo!

domingo, 22 de abril de 2012

Seja bem-vindo!



Na próxima terça-feira tenho um encontro marcado com o compositor Elton Medeiros.no bar Choros & Serestas (o Chorinho), que vai estrear novo endereço, na Rua Estevão de Mendonça, 869, perto da praça do Chopão.
Já garanti meu ingresso, pois acho que será uma noite inesquecível por dois motivos.
Em primeiro lugar por causa do artista convidado. Quando comento com pessoas com idade até 30 anos que vai ter show de Elton Medeiros, elas fazem uma cara de surpresa, como dizendo "Quem é Elton Medeiros?"
É natural que não conheçam Elton. Ele nunca foi um cara da grande mídia. É um sambista discreto, elegante, parceiro de Paulinho da Viola, Cartola e Zé Keti (outro desconhecido da turma mais jovem), autor de belos sambas como "Onde a dor não tem razão" (...Venho reabrir as janelas da vida/ E cantar como jamais cantei/ Esta felicidade ainda...) e "O sol nascerá" (A sorrir/ Eu pretendo levar a vida).
Vai se apresentar acompanhado de Paulão 7 cordas e de Márcio Huck. Acredito que Elton vai trazer aquele espírito carioca do samba, aquela emoção que só os sambistas mais antigos e os artistas de verdade conseguem transmitir. Elton Medeiros foi um dos frequentadores mais assíduos do célebre Zicartola, o bar e restaurante criado por Cartola e dona Zica na rua da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, nos anos 60.
O violonista Joelson Conceição vai se apresentar antes do show principal e a Orquestra de Buteco depois dos convidados. Joelson e Orquestra são crias do Chorinho e hoje fazem sucesso entre a moçada que descobriu a casa do Jardim Tropical nos últimos anos.
A segunda razão que torna essa noite tão importante é justamente o fato de marcar a abertura do Chorinho num novo local,bem diferente do endereço convencional.
A mudança não foi por opção ( não vou entrar nesse assunto agora) e, se por um lado. é motivadora ( um lugar novo, com outra estrutura, super bonito), por outro, assusta um pouco os mais apegados (como eu).
Será que o Chorinho vai manter o mesmo espírito de sempre? Aquela atmosfera descontraída que me cativou desde a primeira vez que botei os pés lá em 2002?
Marinho, o violão 7 cordas que é dono do bar há 19 anos, e Fátima, sua mulher, que administra o espaço, garantem que vai.
Particularmente, acho que vai ser diferente, mas isso não significa que não vá ser bom.
Torço para que o Chorinho continue um lugar maravilhoso, cheio de alegria, música boa e pessoas do bem.
Junto com o Parque Mãe Bonifácia e o Sesc Arsenal, o Chorinho é meu lugar preferido em Cuiabá.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Rumo ao Sambódromo

Estou em pleno carnaval no Rio de Janeiro e hoje mal consigo segurar a ansiedade diante do programa noturno: vou retornar à Marquês de Sapucaí depois de 25 anos.
Fui uns quatro seguidos ao Sambódromo recém inaugurado nos anos 80, quando ainda morava no Rio e trabalhava como jornalista. Era bárbaro em todos os sentidos: dois dias trabalhando das 6h da tarde até de manhã, com poucas horas de sono e tendo que andar sem parar: da concentração aos camarotes, passando pela pista, em busca de notinhas interessantes para a coluna Gente da revista Veja e também de informações para outras matérias.
Na terça-feira, depois de horas a fio de desfile, era preciso juntar as últimas forças para ir à redação escrever. Sobrevivi a três coberturas pela Veja e achei que nunca mais iria querer pisar na Sapucaí, mas o tempo passa e a vontade voltou com gosto de coisa inatingível.
Mas este também é um desejo grande de minha irmã Jane e, de um encontro casual com um conhecido de Cáceres que contou sobre sua ida ao Sambódromo, nasceu o projeto de assistir ao desfile das escolas de samba do Grupo Especial.
E lá vamos nós ver Mangueira, Salgueiro, Unidos da Tijuca e outras mais. Maravilha!
No mais, o Rio continua lindo. Ontem e anteontem fizemos um tour pelos bairros da Glória, Lapa, Flamengo e Centro atrás de blocos. Vimos um mar de gente no Aterro, perto dos Arcos, na Praça XV e nenhum incidente. Nenhuma briga, roubo, nada. Pelo menos, perto da gente.
Muita gente fantasiada, muita gente jovem, gente mais velha também.Fiz algumas fotos, mas, marinheira de primeira viagem, não tenho como passá-las para o computador, mas sou uma pessoa das palavras, que guarda as imagens, os cheiros e os sons no coração,.
Li que a Mangueira vai homenagear o bloco Cacique de Ramos em seu enredo. São duas antigas paixões: Mangueira e Cacique. Diz que a bateria vai fazer alguns minutos de silêncio e se transformar numa roda de samba. Acho que vai ser lindo e vou me lembrar muito de meus amigos do Chorinho. Não prometo escrever  amanhã, que é praticamente o meu último dia no Rio, mas depois conto mais. Agora vou dar um mergulho no mar. É por isso que amo o Rio.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A volta da cigarra

A cigarra voltou ontem, com força total. Depois do ensaio do madrigal que não aconteceu por falta de integrantes e se transformou por isso mesmo numa sessão de terapia de grupo muito proveitosa diga-sede passagem, fui ao Chorinho.
Tomei uma cerveja e duas águas (gasto de pouco mais de R$ 7) e me diverti muito, apesar dos problemas, da corrupção no país, das injustiças, da solidão que às vezes bate à minha porta, etc, etc. Cantei (várias músicas relacionadas à tristeza, quase todas mandando a tristeza embora) e dancei bastante. Encontrei um ótimo parceiro de dança, reencontrei dois amigos que não via há anos. 
Saí de lá mais tarde do que devia e pretendia (esse é o problema) e a festa ainda não tinha acabado.
O Marinho - o incansável tocador do violão de sete cordas, dono e maestro do Chorinho - tem razão quando me chamou atenção na chegada por eu andar meio sumida: "Você não vai achar nada melhor fora daqui".

terça-feira, 29 de março de 2011

O melhor de Cuiabá

Como é bom comer! Acabo de vir do coquetel de lançamento da sétima edição da revista Corpo e Arte, para a qual fiz um big frila: 13 matérias, entre artigos, reportagens e até uma entrevista com a apresentadora Ana Maria Braga.
Tinha muita coisa gostosa para comer, entre salgados e doces (hum, maravilhosos) e música boa de se ouvir, interpretada por músicos e cantores da Escola Som Maior de Cuiabá, dois deles companheiros meus do Madrigal do Avesso: Helberth Silva e Liliane Beyeler, com uma participação especialíssima da jovem Ana Rafaela.
Amanhã vai rolar a reabertura do Chorinho - o bar Choros & Serestas, que ia entrar em férias coletivas no final de fevereiro, mas teve suas férias antecipadas na marra por conta da Secretaria de Meio Ambiente de Cuiabá, que interditou o local por conta de supostas reclamações de vizinhos em relação ao som. Eu não questiono a bronca dos vizinhos e sim a forma como tudo aconteceu. Segundo os proprietários, que são meus amigos, não houve qualquer notificação ou advertência como as autoridades alegaram. Os fiscais chegaram acompanhados da PM numa quinta-feira, quando a casa estava cheia, e já anunciaram a interdição.
Para conseguir reabrir mais de um mês depois, os donos fizeram algumas intervenções no estabelecimento e tem um prazo de seis meses para se adequar à legislação.
O importante é que o Chorinho, com seus 18 anos de tradição de boa música vai reabrir, para a alegria de centenas de frequentadores e das 32 famílias que dependem do bar para viver.
Embora tenha viajando nesse período para o Rio de Janeiro e depois para Aripuanã, confesso que morri de saudades do Chorinho: dos amigos que fiz lá e que encontro sem precisar marcar, da música, dos garçons, do guardador de carros e de poder cantar meus sambas.
No domingo, vai ter um show maravilhoso no Teatro da UFMT: Bass Family, com o baixista norte-americano Grant Stinnett e os baixistas brasileiros Sérgio Groove e Ebinho Cardoso, por R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia). Não conheço os outros dois, mas Ebinho é de Mato Grosso e soube que vai alçar voos maiores em breve. É um músico maravilhoso, cujo talento notei desde a primeira vez que o escutei há uns seis ou sete anos. Tenho certeza de que o show de domingo será um espetáculo memorável, daqueles que a gente pode ouvir em qualquer lugar do planeta que tenha música de qualidade.
Resumo da ópera: Cuiabá tem coisas horríveis (como os políticos e o trânsito, por exemplo), mas tem coisas muito legais também (como os músicos).

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A música como hobby

Hoje estou morrendo de sono ... Tive insônia ontem e acordei bem cedo para abrir a porta para a nova/velha diarista - uma profissional que trabalhou comigo muito tempo num passado recente e voltou para substituir a outra que me deixou na mão de repente.
Tentei dormir mais meia hora, mas não consegui e precisei tocar a vida adiante: entrevistas, complementação de dados por email para matérias, etc. Foi um dia intenso, mas proveitoso.
Mas estou morrendo de sono às 7 horas da noite. Não penso em ir dormir agora, mas quero tomar um banho e poder relaxar um pouco. Preciso disso.
No fim de semana mesclei trabalho (entrevistas e redação de matérias) com lazer (caminhada no parque, ida ao Chorinho e a um bar na sexta-feira para ouvir uma banda de rock, Sixtons, que conheço há anos).
Foi legal. A apresentação dos Sixtons, com o velho e bom rock and roll, foi revigorante e tive a sorte de ouvir uma canja do vocalista Samir Júnior, que está deixando a banda porque vai se mudar de Cuiabá. O cara é médico e canta muito. É muito interessante ver alguém cantando rock pra valer, é uma coisa muito visceral, exige entrega, muito suor. A voz vem lá de dentro mesmo. Haja garganta e energia!
No sábado conversando com uma médica para uma matéria sobre corrida, ela me disse que a corrida é seu hobby e por isso prefere não participar de competições. Pois bem, a música - especialmente o canto - é o meu hobby.
Em outra entrevista, uma psicopedagoga me disse que nossos neurônios não envelhecem, mas precisam ser estimulados. Por isso recomenda-se tanto às pessoas mais velhas, que se aposentam, que façam palavras cruzadas e outros passatempos do gênero para que exercitem a memória.
Pois bem, a música é o meu exercício para memória. Estou constantemente memorizando letras novas para apresentar no Chorinho (embora nem sempre consiga fazê-lo, já que é mais cômodo e seguro cantar as de sempre).
Faço isso por prazer. É estimulante poder cantar sambas novos em vez de ficar sempre repetindo as mesmas canções.
Mesmo nesses dias, de trabalho intenso, não deixo de me dedicar ao meu hobby. Um hobby barato, diga-se de passagem.

PS. Ontem memorizei a letra de "Cara valente", de Marcelo Camelo, uma música que adoro e pretendo apresentar assim que tiver uma chance.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Onde a dor não tem razão

Estou trabalhando desde de manhã hoje, com um breve intervalo para almoço, e resolvi me dar um "pequeno recreio" antes de continuar.
Sempre falo sobre meu amor pela música e, em especial, o samba. Cada vez que ouço e conheço mais, mais me apaixono.
Minha última paixão é uma música de Paulinho da Viola e Elton Medeiros, que fez sucesso recente na voz da cantora Tereza Cristina. É linda! Eu ouvia o povo cantar no Chorinho, mas não sabia o nome e nem tinha a dimensão da beleza da letra que se casa como luva à melodia.
Fiz questão de aprender a letra e me tornei também uma intérprete de "Onde a dor não tem razão" nas minhas idas ao Chorinho (bar Choros & Serestas), onde (quase) todos podem cantar.

Canto
Pra dizer que no meu coração
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranquilo
Onde a dor não tem razão
Nele a semente de um novo amor nasceu
Livre de todo rancor, em flor se abriu
Venho reabrir as janelas da vida
E cantar como jamais cantei
Esta felicidade ainda

Quem esperou, como eu, por um novo carinho
E viveu tão sozinho
Tem que agradecer
Quando consegue do peito tirar um espinho
É que a velha esperança
Já não pode morrer


Quanto mais repito os versos, mais me apaixono e me identifico com eles. Às vezes estou no carro sozinha e começo a cantar, como uma espécie de mantra ou oração. Essa música me acalma e me dá esperança.
Quem quiser ouvir, é só ir no youtube e procurar. Tem uma versão linda com Paulinho da Viola.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Questão de sorte - ou azar?

Hoje, enquanto caminhava no Parque Mãe Bonifácia fui elocubrando um pensamento que gostaria de compartilhar com vocês. Vamos ver se dou conta.
Tudo na vida pode ser analisado sob dois pontos de vista, até a morte. Quando alguém morre depois de sofrer muito, as pessoas dizem: "Ele/ela descansou", portanto, teve sorte por ter descansado, mas teve azar porque ficou doente ou sofreu algum acidente grave.
Anteontem aconteceu um episódio estranho logo que cheguei no Chorinho (o bar Choros & Serestas) . O lugar estava vazio e, quando eu passava, um dos garçons, meio estabanado, baixou o braço depois de arrumar o ventilador e, sem querer (obviamente), bateu no meu rosto. Na hora, levei um susto e ele não sabia o que dizer para se desculpar, mas minha grande preocupação era com minha lente de contato porque vi que a do lado esquerdo tinha saído.
Essa lente (sozinha) me custou R$ 700. Eu senti que ela não estava no meu olho e fiquei apavorada porque o lugar não é exatamente claro. Falei pro garçon: "Não se mexe", mas senti que ele não ia poder me ajudar muito a encontrar a lente. Nisso, olhei pra direita e vi a danadinha na minha blusa. Peguei, fui ao banheiro, lavei-a com o produto adequado (que sempre levo na bolsa) e voltei pro bar. Meu nariz ficou meio vermelho por causa do safanão, mas eu só conseguia pensar na alegria de ter encontrado minha lente.
Voltando ao tema do início: tive sorte ou azar? Depende do ponto de vista. Tive azar de passar exatamente na hora em que o rapaz baixou o braço, mas tive sorte pelo fato da lente ter ficado na minha blusa.
Pensei nisso também por causa da batida que levei há algumas semanas: tive azar de estar parada e outro carro bater na minha traseira. Levei susto, fiquei preocupada, etc. Tive sorte pelo fato da pessoa responsável pela batida ser super correta e ter me deixado tranquila quanto ao ressarcimento do meu prejuízo.
A vida é feita de coisas boas e ruins. Se a gente for cristã, espírita, budista, evangélica, etc, sempre vai encontrar na fé consolo para os acontecimentos e ver na solução o dedo de "Deus" (seja quem for).
Pessoas negativas (às vezes, eu me incluo entre elas) tendem a maximizar as coisas ruins e se sentir perseguidas, injustiçadas; pessoas positivas (às vezes, eu me incluo entre elas) tendem a enxergar essas coisas como fatos da vida, que devem ser encarados com a maior naturalidade possível.
É difícil às vezes manter o otimismo e consegui realmente acreditar na sorte e que há males que vem para o bem. Mas se a gente não acreditar, só fica pior, né?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Viva a vida!

Ontem fiz aniversário. Não sei se por isso, ou por conta da viagem que fiz na semana passada, ou da presença de duas irmãs em Cuiabá (a de Brasília e uma do Rio de Janeiro), mas estou com a cabeça nas nuvens. Uma vontade de  curtir o dia bonito e celebrar a vida. 
Fazer aniversário tem isso de bom. Amigos e parentes de longe - e de perto - ligam, outros mandam emails carinhosos ou, no mínimo, uma mensagem pelo orkut. É bom ser lembrada e se sentir querida. Comecei a comemorar no sábado à noite sutilmente, continuei ontem e na quarta-feira vou reunir amigos no Chorinho - a minha segunda casa em Cuiabá. Foi lá que aprendi a cantar (com a ajuda preciosa do Cantorum, ou melhor, do André Vilani) e redescobri o prazer de dançar. E que prazer! 
Não tenho carro zero, nem poupança, mas tenho saúde, duas filhas lindas, uma família maravilhosa e protetora, amigos fundamentais (alguns a distância) e disposição para trabalhar, dançar e cantar. O resto, dizem por aí, a gente corre atrás.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cantar

Nos últimos tempos aprendi a apreciar uma música de Caetano Veloso  -"Desde que o samba é samba " - que sintetiza bem o que a música - e especialmente o samba - representa para mim.  Tem uma parte que diz assim: "O samba é pai do prazer/ O samba é filho da dor/ O grande poder transformador". O autor sintetiza: o espírito da coisa: "Cantando eu mando a tristeza embora". Acho tudo isso lindo porque inclui a dor e o prazer, menciona "o poder transformador" e a capacidade de mandar "a tristeza embora".
É claro que muitas vezes quando as pessoas cantam esse e outros sambas já estão tão alcoolizadas que no dia seguinte tocam a rotina normalmente e aposentam (pelo menos até a noite seguinte) seus sonhos transformadores. 
Não tenho a pretensão aqui de iniciar (e concluir) uma discussão sobre o papel transformador da arte, embora seja um tema interessantíssimo. Só sei que quando canto eu me sinto mais feliz, como se uma chama reacendesse dentro de mim.
Na noite de quarta-feira, fui ao Chorinho já meio tarde (depois de outro compromisso musical) e me integrei ao grupo formado em volta do grande Marinho do violão de sete cordas. Aos poucos, foi se formando uma espécie de irmandade em que cada um ia mostrando o seu jeito de cantar. Comecei meio tímida, mas no final, estimulada por um senhor (cujo nome não sei) que tinha um vozeirão e cantava muito, acabei me soltando mais e buscando sentir a música. 
Não basta ser técnico e não incomodar o ouvido alheio com a falta de afinação ou cadência, é preciso sensibilizar o outro para fazer a diferença. 
Aprendi isso lá e voltei para casa feliz.





terça-feira, 4 de maio de 2010

Ai de ti, Cuiabá! (licença, Rubem Braga)

De volta a Cuiabá, eu me sinto como se tivesse voltado da Lua ou de outro lugar distante. Exageros à parte, misturam-se na minha cabeça o que eu vivi de fato ao longo da minha semana de viagem com o que li  em revistas e no livro já citado aqui.
Os cuiabanos que me desculpem, mas hoje descobri o que me  chateia em Cuiabá: é  o fato de ser uma cidade sem meios-tons, sem muita sutileza. Ou chove, ou faz  muito sol! Hoje, por exemplo, acordei  de madrugada com o tamborilar da chuva na janela, o dia amanheceu chuvoso e aparentemente fresco. Quando chegou a hora do almoço já estava um sol de rachar. A gente fica numa sala com ar condicionado e sabe que quando sair vai morrer de calor.
Mas, apesar de sua falta de sutileza, você não vai se livrar de mim, Cuiabá. Estou contigo e não abro. Pelo menos, por enquanto. Estou morrendo de saudades do Chorinho, de caminhar no Parque Mãe Bonifácia  com a Mônica para botar as fofocas em dia,de bater papo com Sílvia e Roberto no Sabor Mil.,de cantar no Cantorum e de fazer aulas de yoga.  Vou continuar usando este espaço para humildemente fazer meus comentários, críticas e divulgar o que a cidade oferece de bom. 
A propósito, ontem fui à abertura do Enipec. Foi bacana! Todo mundo lá: lideranças políticas, do agronegócio, etc. Fiz questão de prestar atenção aos discursos até para saber o que o povo anda pensando. O ponto alto da noite ficou por conta do discurso do atual governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, que além de não fazer os plurais (coisa normal por aqui), não consegue  expor suas ideias com clareza (teve uma hora que minha colega comentou: "Não entendi o que ele quis dizer";  eu tentei traduzir para ela o que supus que ele quis dizer) e ainda se saiu com uma inacreditável "escoação" para falar sobre os problemas de logística do estado. Sem comentários.

PS. Por curiosidade, olhei hoje o preço da pitaia no supermercado Big Lar: pouco mais de R$ 10, o quilo. Por curiosidade, pedi à funcionária para pesar uma fruta e deu mais de R$ 3. Agradeci. Já que falei em preço, fiquei boba com o preço da pizza que comi em Jaboticabal: a pizza inteira (com oito pedaços) custava R$ 20, preço de uma brotinho em Cuiabá. Pedimos uma meia, saímos satisfeitas (minha filha e eu) e ainda tomamos uma cerveja. Pagamos R$ 13,50 (eles não cobraram os 10%). A pizza estava uma delícia!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Concentração

Hoje tenho que usar todo meu poder de concentração para não pensar nas pessoas queridas - e desconhecidas - que me mandam mensagens de fim de ano; não me ligar em tantas coisas boas que poderão acontecer comigo a partir do dia 1º de janeiro; não ficar pensando em tudo de bom - e de não tão bom - que me aconteceu em 2009; e principalmente não pensar que minha filha caçula viaja à noite para Ribeirão Preto (segunda fase do vestibular da Unesp) e que a gente só vai se rever na véspera do Réveillon.
Ainda tenho uns textos para escrever e rever e preciso manter meu pensamento voltado para o agronegócio que paga minhas contas e mantém minha família alimentada.
Há alguns dias falei de uma menina (de 14/15 anos no máximo) que fez um discurso lindo como oradora na formatura de sua turma (8ª série - fim do 1º Grau). Hoje quero falar de outra grata surpresa: ontem, no Chorinho, conheci uma menina de 15 anos que canta samba lindamente, toca tamborim e é super simpática. Não sei detalhes, mas parece que é neta e filha de gente que gosta de samba, mas conversando com sua mãe descobri que a menina (Ana Rafaela) canta no Praticutucar - um trabalho com crianças maravilhoso da Rejane De Musis - e tem aulas de violão com Pio Toledo - um velho conhecido de Corumbá, que hoje mora e trabalha com música em Cuiabá.
Fiquei feliz. A gente se liga muito nos jovens sem limites e esperanças, mas às vezes não percebe quantos meninos e meninas bacanas estão surgindo por aí, que apreciam música de raiz, literatura de qualidade, que têm informações para decidir o que querem. Nesse sentido, é muito importante o trabalho de pessoas como Rejane e Pio.
Modestamente também dei minha pequena contribuição - e quero continuar dando - quando estive professora em Cáceres e Cuiabá. Volta e meia reencontro ex-alunos pela noite (ontem mesmo encontrei uma ex-aluna da Unic) e, em geral, sinto que de alguma maneira transmiti algo de bom para eles.
Entre as mensagens de Natal que recebi a que mais gostei foi a da fábula dos dois cavalos, enviada por minha sobrinha, Bel. Um era cego e mais velho, e o outro enxergava e tinha um sino. Por sabedoria do dono, ambos permaneciam juntos e se ajudavam. Na maior parte do tempo, o cavalo cego se guiava pelo sino do mais jovem, que aprendia com a experiência do mais velho.
A vida é assim, nem sempre idade é sinônimo de sabedoria e a gente está sempre aprendendo , com bichos, bebês, crianças e até com gente mais velha. O importante é estar sempre aberto ao conhecimento e a novas amizades.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Água de beber

Preciso urgentemente de férias! Minha cabeça está a mil e não consigo sair de frente do computador para caminhar um pouco. É bem verdade que o tempo está chuvoso e pouco convidativo para uma caminhada.
Acabei de responder a uma entrevista por email. As respostas serão publicadas na versão em português do site www.agonia.net Gostei da experiência. É incrível como a gente descobre coisas sobre si mesma quando é entrevistada.
Ando me descobrindo nos últimos dias, ainda que timidamente. Há uma semana, no (re)lançamento do meu livro (Cantos de amor e seresta, ops, ato falho, o nome do livro é Cantos de amor e saudade) em Cáceres fiz uma fala de 14 minutos que minha filha Marina registrou em vídeo sem que eu pedisse. Foi muito gostoso me ouvir dois dias depois. Modéstia à parte, eu percebi uma vivacidade, uma emoção, uma alegria em mim que desconhecia.
No meio da semana, no evento de comemoração do Dia Nacional do Samba, no bar Choros & Serestas (o Chorinho), eu me descobri como cantora. Foi muito legal.
Hoje, ouvindo rádio em casa enquanto trabalhava, ouvi algumas músicas que adoro. Em uma delas, "Água de beber", o poeta Vinícius de Morais diz:
"Eu quis amar mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor guarda um segredo
O medo pode matar o seu coração
...
Eu nunca fiz coisa mais certa
Entrei pra escola do perdão
A minha casa vive aberta
Eu abri todas as portas do meu coração"

É isso que eu quero. Ainda não consegui. Sei que "o medo pode matar o 'meu' coração" Estou fazendo tudo para abrir "todas as portas do meu coração", mesmo que isso me deixe apavorada.

PS. Sempre que menciono alguma música, costumo pesquisar a letra no Google para ver se eu não postei errado e não é que acabei de descobrir uma coisa incrível: "Água de beber" tem uma terceira estrofe que eu desconhecia, embora tenha cantando essa canção várias vezes num coral. Ela diz assim:
"Em sempre tive uma certeza
Que só me deu desilusão
É que o amor é uma tristeza
Muita mágoa demais para um coração"

Caramba! Vou ficar mesmo com as duas primeiras estrofes.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dia Nacional do Samba

Hoje é Dia Nacional do Samba. Fiquei sabendo disso quando vi o telejornal Hoje. Sei que tem um monte de coisas gravíssimas acontecendo mundo afora: chuvas no Sul, explosão de corrupção em Brasília, conferência sobre mudanças climáticas pintando na parada. Aqui em Cuiabá continua fazendo um calor dos diabos. Junte-se a isso o trânsito cada dia pior e temos motivos suficientes para aquele clima estressado de final de ano.
Mas hoje é Dia Nacional do Samba. Então, vamos nos permitir relaxar um pouco à noite, sambar e cantar samba no bar Chorinho (Choros & Serestas) - o templo do samba em Cuiabá.
Ligo esse assunto a uma frase da escritora e apresentadora Fernanda Young, que li ontem. Não sou ligada nela, mas gostei muito do que falou em entrevista ao jornal O Globo numa crítica a obsessão das mulheres quarentonas pela juventude: "... ser jovial é bem mais fácil do que parecer jovial: basta manter vivacidade, o amor pela vida". Falou tudo!
É isso que tornava a minha biografada, Estella Ambrósio, tão jovial aos 90 anos, e é a falta disso que faz muita gente jovem parecer velha e sem sal.
O samba é a minha chave para a jovialidade, por isso "Viva o samba!", que expressa sentimentos em versos simples e tem a chave para acionar nossa alegria, vivacidade e amor pela vida.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Paixão nacional

É incrível como a vida fica maravilhosa quando a gente ouve Chico Buarque! Mesmo que sejam canções trágicas como "Construção"
Por que estou dizendo isso? Eu me sentei diante do notebook em horário de almoço para falar de outro assunto e resolvi colocar Chico de fundo musical. Não consigo mais me concentrar! Tenho vontade de cantar, de me levantar e sair dançando. Realmente Chico continua sendo o meu grande ídolo cultural. Resistiu a dois maridos (que o detestavam) e se manteve fiel - do seu jeito: ele é de todas, mas certamente é um pouquinho meu. Afinal, são 40 anos de relação!
Quando eu era menina tinha uma amiga, Ana Cristina, que dizia ser prima do Chico e estava sempre acenando com a possibilidade de um encontro com ele. Chegamos a bolar um festival de canção do qual ele seria jurado. Cheguei a compor uma canção (um sambinha ao estilo Chico do final dos anos 60) na esperança de me destacar aos olhos do meu ídolo. Quem sabe eu não ganharia até um beijo ???
Na imaginação fértil da pré-adolescência, vivenciei diversos encontros com Chico no elevador, na praia; até cheguei a escrever uma redação escolar com o título "Uma visita inesperada" em que ele chegava inadvertidamente à minha casa.
O encontro sonhado nunca aconteceu. Recentemente, cheguei a vê-lo caminhando no calçadão da avenida Vieira Souto no Rio de Janeiro, mas reagi com naturalidade, como convém a uma "carioca nata".
Como jornalista nunca entrevistei Chico. Entrevistei (principalmente na época da Veja) vários artistas : Roberto Carlos, João Bosco, a turma do jazz que vinha para as primeiras edições do Free Jazz, mas nunca topei com o Chico pela frente. Fui a vários shows dele - o último foi em janeiro de 1999 (tudo isso, já?) no Canecão. Maravilhoso! Tenho esperança de ir a outros shows, mas enquanto isso não acontece vou matando as saudades com os vídeos do YouTube e minhas idas ao Chorinho, em Cuiabá, onde sempre procuro cantar canções de Chico. Minha última paixão é "Teresinha". Hoje é dia de Chorinho!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Quem não gosta de samba ...

Hoje, depois de mais uma noitada no Chorinho em plena quarta-feira, meu assunto não poderia ser outro. O mundo continua girar, pessoas compram carros, outras enfrentam ônibus, trens, vans e outros meios de transporte feito sardinhas em lata; outras sequer têm motivos para sair de casa e outra nem têm casa. Eu sei, mas a energia do samba circula em todas as vias do meu corpo e sigo em frente, mais feliz.
Se existe reencarnação acho que um dia vivi num meio onde todos transpiravam samba. Caetano disse: "Eu sou neguinha". Eu digo "Eu fui neguinha". O samba me faz vencer a minha timidez e me transporta para a avenida, para o morro, para qualquer lugar onde as pessoas sejam capazes de se reunir em torno desse ritmo tão brasileiro.
Algumas das melhores lembranças da minha infância estão associadas à avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, onde, ao lado de meu cunhado César vi desfilar blocos como o Cacique de Ramos e Bafo de Onça. Foi uma emoção indescritível. Mais tarde, tive o privilégio de conhecer a Marquês de Sapucaí, transformada em Sambódromo pelo ex-governador Leonel Brizola. Como repórter da revista Veja, assisti aos desfiles por alguns anos seguidos e tive acesso a camarotes,pista e - meu lugar preferido - concentração. A gente ralava muito, mas era muito gostoso também.
Poderia ficar horas aqui falando do samba, mas tenho que ir. Antes quero contar que decidi ontem que vou aprender a "tocar pandeiro para o mundo sambar". Se conseguir, vou me sentir uma mulher realizada.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Seu Cléber

Volta e meia uso este meu espaço para falar de música.
No sábado, fui ao Chorinho, que já não é mais o mesmo aos sábados (tudo muda, por que o Chorinho não haveria de mudar?) depois que muita gente andou descobrindo a melhor roda de samba de Cuiabá. Imagine que quando fui embora (por volta de 23h) tinha fila de gente para entrar! E pensar que há uns três anos o Chorinho ficava às moscas depois das 10h nas noites de sábado.
Mas a melhor surpresa deste último sábado foi o seu Cléber. De repente, um velhinho de fartos cabelos brancos chegou no nicrofone com seu pandeiro e começou a cantar sambas antigos e gostosos, da lavra paulistana ("Saudosa maloca", etc). O público que, a princípio ficou meio cabreiro diante do desconhecido, foi ao delírio. Depois de consultar seu "cardápio" (uma cola com o nome das músicas que iria cantar), o velhinho saiu todo lampeiro avisando para todo mundo que encontrava no caminho: "Tenho 83 anos". Foi o que ele me disse com uma cara de menino que acaba de fazer travessura.
Consegui descobrir que ele se chama Cléber (não sei se com cê ou ka) e que nasceu em São Paulo. Não entendi - por causa do barulho - se ele está de passagem por Cuiabá para visitar a filha ou morando na cidade. Tomara que esteja morando e retorne em breve ao Chorinho.