terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Estômago

O tema não é novo e foi tratado recentemente por meu colega jornalista Lorenzo Falcão em seu blog: http://tyrannusmelancholicus.blogspot.com/
Mas, há muito tempo ensaio assistir ao filme "Estômago". Chegava a pegar o filme na prateleira da locadora e acabava largando, na suposição de que não estava com "estômago" para vê-lo naquele dia.
Tudo - o título, a ilustração da capa do DVD - indicava que seria um filme apropriado para estômagos fortes e o meu nem sempre é.
Ontem, venci minhas resistências e assisti. É bem verdade que fiz duas paradinhas estratégicas (uma "forçada" por um telefonema), mas o filme é bom demais! Quem não viu, tem que assistir!
O que posso dizer de novo sobre "Estômago"? A história (e a forma como é narrada) é fantástica, os atores, a direçào, tudo é muito bom.
Mas quero abrir um espaço especial para falar da música do filme. Ela é tão boa que tenho vontade de assitir ao filme de novo só para ficar ouvindo a trilha sonora. É uma coisa meio felliniana (aliás, o filme todo) e realmente a trilha se faz presente no filme. Nem sei se isso tecnicamente é o ideal, porém na minha opinião uma trilha sonora tem que dizer a que veio.
Para minha surpresa, descubro no DVD dos bônus (sempre gosto de ver, principalmente quando gosto muito do filme) que a trilha foi composta pelo italiano Giovanni Venosta e realmente a influência de outros compositores e arranjadores italianos é grande. Ao mesmo tempo, Venosta procurou trazer elementos da música brasileira principalmente na percussão. A cuica, por exemplo, é um instrumento que ganha destaque em alguns temas.
Para quem não sabe, "Estômago", que tem o ótimo ator baiano João Miguel como protagonista, é uma "fábula nada infantil sobre poder, sexo e gastronomia". É um filme tenso (como todo filme em que parte da ação se passa numa cadeia), com passagens divertidas e outras bem pesadas.
Em alguns momentos, ele chegou a me lembrar um filme europeu (cujo nome me foge agora) em que uma mulher francesa misteriosa chega a uma aldeia nórdica fugindo da polícia ou da justiça e acaba preparando uma refeição dos deuses para os moradores, o que detona mudanças profundas nos personagens.
A gastronomia tem poderes incríveis e lamento realmente não ter esse poder. Bons cozinheiros são como feiticeiros, como mostra o filme do brasileiro Marcos Jorge. No final tudo vira "merda", segundo próprio Raimundo Nonato, o protagonista de "Estômago", mas até lá ...

2 comentários:

Eugênio disse...

Realmente, o filme é muito, muito bom. A maior parte das locações foi feita em Curitiba, terra do diretor. Acho que o filme que você faz referência é A Festa de Babette.

Martha disse...

Isso, Eugênio, obrigada!
Achei que ia demorar séculos para me lembrar.