sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Duas realidades

De volta a Cuiabá, fico sabendo que prenderam ontem os três seguranças acusados de espancar o ambulante Reginaldo Donnan no Shopping Goiabeiras. Hoje, de manhã, enquanto tentava me alongar e me livrar do incômodo provocado pela viagem de carro pelo Médio-Norte mato-grossense, assisti ao telejornal "Bom dia Mato Grosso" e vi as imagens chocantes dos seguranças colocando o vendedor num container de lixo para retirá-lo da sala onde foi espancado. Segundo a matéria da TV Centro América, eles colocaram sacos de lixo por cima de Reginaldo para disfarçar e ainda o amordaçaram para que ninguém ouvisse seus gemidos, já que imagino que estaria desacordado naquele momento.
O caso me espanta cada vez mais pela covardia dos agressores e gratuidade da agressão. A TV mostrou uma antiga reportagem em que Reginaldo aparece vendendo canetas esferográficas na entrada de um concurso. Era um cara simpático, bem articulado.
Mudando radicalmente de assunto, tive um dia muito interessante ontem em Nova Mutum (a cerca de 240 km de Cuiabá) visitando fazendas e entrevistando pessoas numa terra muito próspera e de grandes oportunidades. Conversei muito com um jovem empresário, de 32 anos, que oferece serviços tecnológicos altamente sofisticados na área de agricultura e pecuária de precisão.
O Brasil é isso, essa miscelânea: enquanto pessoas ainda jovens como Reginaldo, cheias de disposição para o trabalho, têm a vida ceifada de uma forma tão estúpida, outras, como Leonardo, o empresário de Nova Mutum, seguem animadas rumo ao futuro. Para continuar indo em frente e acreditar que o mundo vale a pena, a gente tem que se apegar a histórias como a do Leonardo, mas não pode dar as costas para casos como o de Reginaldo. É uma questão de justiça, num país onde tanta coisa precisa ser corrigida.

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