domingo, 24 de abril de 2011

Ao pediatra, com carinho

Domingo de Páscoa, dia de confraternização, dia de perdão - me disseram.
Meio obrigada, assisto ao "Fantástico" e vejo uma reportagem muito interessante sobre a falta de médicos pediatras no Brasil.
A matéria me deixou pra baixo.
Minhas filhas estão hoje com 21 anos e 19 anos e não precisam mais de pediatras (embora, de vez em quando, se a coisa aperta,  a gente ainda recorra à tia Márcia, que é tia de verdade e pediatra), mas pensei nos meus netos que um dia virão e em tantas crianças que sofrem por falta de um bom atendimento médico.
O pediatra é um médico tão especial. Como disse uma médica entrevistada na reportagem, ele precisa entender o problema de um paciente que na maioria das vezes não fala, só chora.
As mães procuram ajudar, interpretando os sinais dos filhos, mas muitas vezes atrapalham mais do que ajudam. Quando o filho está doente, é difícil para a mãe manter a calma. Acho que ficaria louca se não tivesse contado sempre com bons pediatras.
Eu me lembro que ja passei aperto na fazenda com filhas pequenas numa época em que a comunicação era difícil e a viagem longa. Nesse tempo, em que morávamos em Cáceres, no interior de Mato Grosso, a tia Márcia ainda não tinha voltado da especialização em Campo Grande e a nossa pediatra oficial era a doutora Ana Maria. Quando ela estava viajando, quem nos atendia era a doutora Mara, que alguns anos depois deixou de atender no consutório. Ambas eram ótimas.
Eu era uma mãe relativamente calma e organizada, por isso levava sempre uma boa farmacinha para o Pantanal e conseguia lidar razoavalmente bem com os problemas que surgiam. Para isso, contava também com uma espécie de Bíblia das mães de primeira viagem: o livro do doutor Rinaldo De Lamare ("A vida do bebê").
Mas isso são memórias que vem à tona e que só me ajudam a lamentar ainda mais que menos médicos estejam se dedicando à nobre tarefa de cuidar das crianças. Isso, para mim, é mais um reflexo de duas situações: de um lado a desvalorização da medicina; de outro, a busca dos profissionais pelas especialidades que dão mais dinheiro e menos aborrecimento.
Pediatria dá muito trabalho. Conheço mães (sem problema de dinheiro) que esperam a noite chegar e a situação apertar para correr atrás do pediastra. Tem as que ligam para o pediatra  por qualquer bobagem. E o que dizer daquelas que não podem ver um pediatra no supermercado sem crivá-lo de perguntas, numa espécie de consulta informal?
A pediatria, como não requer muitos "procedimentos" (assim como a clínica geral), acaba dando pouco retorno financeiro ao profissional, que se vê refém, em geral, das consultas pagas pelos planos de saúde. Por isso muitos acabam preferindo dar plantões nos hospitais e clínicas (que remuneram melhor), mas que não oferecem a mesma qualidade de serviço.
Que bom que minhas filhas tiveram a sorte de serem atentidas pelas doutoras Ana Maria e Mara, e, mais tarde, pela doutora Márcia Cristina! Lamento pelas crianças que não têm a mesma sorte e, mais uma vez, tenho a sensação de que podemos estar evoluindo em termos de tecnologias disponíveis, mas estamos andando para trás em termos de humanização.
Será que estou enganada?

Um comentário:

Natalia Fênix Gótica disse...

Eu tambem vi uma matéria falando sobre o assunto, acho uma profissão extremamente dificil e infelizmente o poder publico não dá suporte na area da saude...