sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Do meu baú 3 - Daveron

Atendendo a pedido de uma leitora assídua do blog, a grande amiga e jornalista Terezinha Costa, vou contar um pouco a história de Alexander Daveron. Na verdade, vou "chupar" algumas informações do folder que elaborei junto com o colega e amigo Claumir Muniz na época em que trabalhava na Sematur, em Cáceres.
O norte-americano Alexander Solon Daveron viveu de 1899 a 1987, ou seja, morreu um ano antes da minha mudança para Cáceres. Por muito pouco, não nos conhecemos.
Nascido em Oakland, Califórnia, formou-se em Medicina pela Universidade da Califórnia em 1922 e se especializou em Patologia. Veio para o Brasil como médico da Mato Grosso Expedition em 1930. Três meses depois, afastou-se da expedição e iniciou um estudo sobre morcegos no Pantanal.
Durante muito tempo, ele se dividiu entre o Brasil e os EUA, tendo sido professor da Universidade de Stanford. Dedicou-se ao estudo de plantas nativas, como a poaia (ou ipecacuanha), e doenças, como a tripanossomíase equina. Era um desbravador, um pesquisador, um aventureiro? Alguns dizem que era espião. O fato é que Daverno deixou um arquivo interessante (parte de posse da Sematur e parte do Nudheo da Unemat) e acabou se fixando numa chácara em Cáceres, onde vivia meio recluso, em companhia de poucos amigos.
Como não tinha herdeiros diretos (não se casou, nem teve filhos), sua propriedade, muito bem localizada, acabou sendo vendida por um sobrinho à Prefeitura, que ali instalou a recém criada Secretaria de Meio Ambiente e Turismo (Sematur).
Na época da seca, forma-se uma praia atrás da Sematur, conhecida como Praia do Daveron, mas acredito que hoje em dia muitas pessoas sequer saibam a origem do nome. No tempo das águas, a praia some e foi lá que eu passeei numa das canoas que pertenceu ao Daveron, numa bela tarde nos idos de 2001 ou 2002. É um lugar mágico, meio assustador (quando chove muito ou fica escuro), mas enquanto trabalhamos lá (a equipe da secretária Yêda Marli de Oliveira Assis) era um espaço fervilhante de ideias e trabalho em prol da valorização de Cáceres. A gente fazia muita coisa por amor e nem sempre era bem compreendida por todos. 
Sempre sonhei pesquisar a história de Daveron e transformá-la num livro. Minha mudança para Cuiabá fez com que eu abandonasse o projeto, mas ele (o projeto ou seria o próprio Daveron?) está sempre me cutucando, como que dizendo: "E aí, você está me devendo essa".  Será que encaro?

5 comentários:

Terezinha disse...

Um personagem meio misterioso, não é? No mínimo, instigante. O que faz um americano, professor da Universidade de Stanford, se enfiar no coração do Brasil e ali viver até morrer? O que o motivava? Por que vivia sozinho? O que produziu enquanto viveu em Cáceres?
Dizem que a vida de qualquer pessoa dá um livro. Acredito nisso. Mas algumas vidas parecem dar mais do que outras. E para mim a pergunta básica é sempre a mesma: o que motivava aquele ser humano? É a mais difícil de se responder.

Chorik disse...

Ao falar de Daveron você deixa claro que compartilha de seu amor por Cáceres. E eu que fui a Cuiabá e Primavera do Leste de carro, bem que podia ter dado uma passeada por lá.
Ah, escreva o livro.

Claumir disse...

Martha, espero que o Daveron "cutuque" de tal forma que você, mesmo estando em Cuiabá, possa realizar teu projeto. Torço por isso e serei um dos primeiros a ler. Abraços

Marco disse...

Dr. "Daverão" como o chamávamos, quando criança foi amigo intimo de nossa família. Existe algumas informações que não correspondem ao fatos. Meu saudoso pai foi amigo do Daveron desde a década de 50 e quando morávamos em Cuiabá,( depois de deixarmos Cáceres )sempre que ia a São Paulo Tratar dos dentes, passava um final de semana em nossa casa. Grande figura inteligencia privilegiada. Nunca se negou a suprir de respostas a nossa curiosidade de menino. nunca me esqueci de seus cahorros pastor alemão Bella e Dona, vigias da chácara. marcorobles@uol.com.br

Benjamim R Santos disse...

Parabéns pelo texto!. Gostaria de doar algumas fotografias deste senhor e sua caçadas aqui em Mato Grosso em 1938. se é de interesse,claro.são apenas 5 ou 6 bem nítidas em preto e branco. Grato! Benjaminrsantos.