sábado, 17 de setembro de 2011

Monofoliar



Juliane, Jhon e Estela em foto de Juliana Segóvia


Assisti anteontem ao show "Monofoliar" no teatro do Sesc Arsenal, durante a mostra Guaná Aldeia Sesc de Arte e Cultura. É curioso, parece que faz tempo que conheço Estela Ceregatti, mas na verdade eu comecei a conhecê-la no início do ano passado, quando assisti à estreia do grupo Urutau e fiquei impressionada com sua voz e presença cênica.
Aos poucos, descobri que ela tinha sido vocalista do grupo Bionne (samba & choro) e também participou dos Novos Chorões - um grupo de jovens instrumentistas, liderado pelo casal Pio e Ellen Toledo (seus tios), que gerou muita gente boa.
Ou seja, Estella, como música, não nasceu ontem. Ela é ainda jovem (23 anos) e é claro que tem muito chão para percorrer (ainda bem), mas percebo nela um talento muito grande e uma personalidade musical muito forte.
O show "Monofoliar" não se resume à Estela, embora ela seja a figura central. As presenças de Juliane Grisólia na percussão, violão e vocal (sua parceira em várias apresentações) e de Jhon Stuart (contrabaixo, piano e percussão) são fundamentais. É bonito ver a parceria e o entrosamento dos três! Aliás, adorei a música "Três", composta pelo trio e apresentada na noite de quinta-feira.
Fui ao show meio na marra (é complicadíssimo ir ao Sesc Arsenal em noite de bulixo), mas resolvi aceitar o convite de Estela e fechar os olhos para ouvir o som que rolava.
Foi muito bom! Foi especialmente interessante ver o teatro do Sesc lotado (tudo bem que a entrada era franca, mas quantos espetáculos gratuitos não reúnem tanta gente!) e um público tão entusiasmado. É claro que muitos dos presentes são amigos de longa data, gente que vem acompanhando o trabalho de Estela há muito tempo, mas se vão assistir e vibram tanto é porque gostam.
Como já assisti a algumas apresentações de Estella este ano, algumas canções ("Céu reduto", "Segundo quarto", por exemplo) já me soam familiares e permanecem na minha cabeça.
Mas como é bom ouvir uma canção pela primeira vez e perceber que ela desce bem!
Quando a cantora e compositora Simone Guimarães esteve em Cuiabá, no final do primeiro semestre, ouviu o trabalho de Estela, Juliane e Jhon e pareceu bem impressionada, tanto que chamou-os para fazer uma participação especial no seu show no Jardim do Sesc Arsenal. Simone e Novelli (aquele do Clube da Esquina) fizeram alusão na época ao surgimento do grupo capitaneado por Mílton Nascimento.
É isso que sinto em relação a trabalhos de pessoas como Estela e seus parceiros musicais, Paulo Monarco e outros músicos mato-grossenses que estou vendo surgir: uma força criativa imensa que mostra como a música é linda e permite possibilidades infinitas na melodia e na poesia.
Desejo muito sucesso a todos eles e que tenham sabedoria para superar as armadilhas da vida (e do sucesso)! O mundo é bem mais vasto que Cuiabá.

5 comentários:

Chorik disse...

Fico pasmo ao perceber que o sudeste não conhece o centro-oeste e nem imagina o quanto de arte se produz fora do eixo. Preconceito, ignorância, soberba? Talvez nada disso, talvez um pouco de cada. Tenho a sorte de te ler e ter uma amiga que me conta de Campo Grande. Bjs.

Martha disse...

Chorik!
Estava eu lendo feliz seu comentário quando me deparei com a palavra "Campo Grande". Dei um grito de espanto! Depois pensei, quem sabe, ele, espírito brincalhão, não está apenas brincando com as palavras? Ns dúvida de sua real intenção, deixo aqui registrado: moro em Cuiabá, capital de Mato Grosso, a mais de mil quilômetros de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul! Bjs

Martha disse...

Oi Chorik! Quero te pedir desculpas publicamente. Li correndo seu comentário e não entendi bem. Só ontem à noite caiu minha ficha (graças à observação de minhas irmãs). Vc vê: a gente acha que é leitora e comete esses enganos. Como a leitura é traiçoeira!
Só agora entendi que vc se mantém informado sobre Cuiabá através do meu blog e sobre Campo Grande através de uma amiga que mora lá. Dizem que errar é humano, mas permanecer no erro é diabólico ...
Mais uma vez, desculpa. Bjs

Estela Ceregatti disse...

Concordo contigo Chorik, existe muita arte feita nas regiões fora do eixo, no entanto existe também maior dificuldade de abertura de editais, de circular e etc. Mas estamos tentando criar um movimento da 'contra-indústria' com a música aqui através de uma cooperativa - onde todos crescerão juntos. Já é possível notar o movimento tomando forma, arte não falta. E imprescindível é o trabalho da Martha, por exemplo, que fez do seu esforço e vocação para a escrita uma prática constante de contribuições, seja com palavras tristes, de descontentamento e indignação em relação a atitudes humanas, seja para apreciar algumas boas ações. Fato é que a força da Martha tem contribuido muito para o cenário da música cuiabana. Ela frequenta as apresentações, escuta, contempla, critica, pontua, acresce.
Só tenho a agradecer ao seu trabalho Martha. Graças a sua força de vontade, junto a de outros colegas jornalistas, temos dado vida e personalidade novamente a arte cuiabana.

Agradeço de coração,
abraço grande,

Estela Ceregatti.

Martha disse...

Obrigada, Estela, pelo comentário. Essa e a parte do trabalho no Diário de que mais gosto: o de me forçar a assistir aos espetáculos e ter espaço para divulgar as coisa boas que vão acontecendo. A parte ruim ... depois a gente conversa. Um abraço.