segunda-feira, 21 de maio de 2012

Dois documentários

Trabalhar em casa não é fácil!
 Caramba, faz  duas horas que pretendia começar um novo post. Aí escreve email, responde email de trabalho e, no meio disso, acabei entabulando uma conversa com um ex-colega da Veja, que reencontrei no Face e com quem não falava há pelo menos 23 anos.
Conversa vai, conversa vem, ele em Paris, eu em Cuiabá, relembrando o momento mais especial de nossa vida profissional (em comum, porque ele pode ter tido outros momentos ainda mais especiais ao longo de sua carreira): o encontro com Amílcar Lobo, um médico/psicanalista que serviu ao Exército na época da ditadura e fez um relato bombástico nos idos de 1986, contando sobre um suposto encontro com o ex-deputado Rubens Paiva, no quartel da PE no bairro carioca da Tijuca (já mencionei esse encontro num post de 2009).
Mas não é disso que quero falar agora e sim de dois filmes aos quais assisti no final de semana.
No sábado à tarde, assisti ao DVD "No direction home", documentário de Martin Scorcese sobre Bob Dylan. Á noite, depois de engrossar as fileiras de uma manifestação pacífica do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) em favor do cumprimento da lei que garantiu meia entrada à categoria, assisti ao filme sobre Raul Seixas, "O iníco, o fim e o meio", de Walter Carvalho.
É engraçado que admiro Bob Dylan e Raul Seixas, mas nunca fui fã de carteirinha de nenhum dos dois. Os dois documentários foram interessantes e reveladores, mas achei o do Scorcese muito cansativo (são dois DVDs) e meio longo. Adorei alguns depoimentos, como os da cantora Joan Baez (que voz maravilhosa!). Tem imagens fantásticas da época, mas a pergunta que fica é: quem é Bob Dylan? O que o tornava assim tão magnético e fez com que se tornasse a voz de uma geração e um dos artistas mais influentes? Ele tem músicas maravilhosas, mas tem horas que canta muito mal, embora em outros momentos sua voz soe pungente e incrivelmente tocante.
Quanto ao filme do Raul. é muito bom! Também tem depoimentos muito legais, uma edição interessante, embora deixe a gente meio confusa. É bacana conhecer a trajetória de Raul, a paixão que despertava (a cena das pessoas cantando "Meu amigo Pedro" num aniversário do ídolo é muto bonita) e também seu mergulho em direção à morte causada pelo alcoolismo e o consumo de drogas. É o tipo de filme que dá vontade de ver de novo para poder sorver tudo melhor.
Não é fácil ser artista, ser ídolo e se manter equilibrado em meio a tantas pressões, cobranças, etc.
Na verdade, não é fácil viver e quem é presenteado com um dom, como Bob Dylan e Raul Seixas, caminha eternamente por um fio da navalha, para lembrar o título do romance que talvez mais tenha marcado minha adolescência ("O Fio da Navalha", de Somerset Maugham).


4 comentários:

John Boron disse...

Olá Martha, conheci seu blog na data de hoje porque estava pesquisando os anos sombrios da ditadura militar. Qual não foi a surpresa quando, descobri que você mora em Cuiabá. Nunca soube de um jornalista daquelas terras que tivesse sido da Veja. Sou cuiabano, mas moro na Bahia, por força do trabalho. Escreva mais sobre a minha cidade e sua gente, serve para mim como um alento. A propósito, tem como vc postar a entrevista com o Amilcar Lobo? Abraços.

Martha disse...

Olá John! Muito prazer receber um comentário de um cuiabano morando na Bahia. Não fique chateado se algum dia ver falar mal de Cuiabá. Na verdade a gente não quer mal à cidade e sim ao que as pessoas fazem da cidade.
Quanto ao seu pedido, eu não tenho a entrevista digitalizada, mas meu amigo fotógrafo (o que mora em Paris) conseguiu acessar a matéria ontem enquanto conversávamos pelo Facebook. Vou perguntar para ele como fez e te falo. Vc tem um email?

Martha disse...

Desculpa, na pressa, acabei me expressando mal: eu quis dizer "se algum dia me vir falando mal de Cuiabá".

Rose Domingues disse...

Oi Martha, embora não deixe recado, sempre dou uma passadinha no seu blog...vou assistir ao documentário sobre o Raul. Concordo com sua opinião neste artigo, ter um talento acima da média muda a vida da pessoa, não deve ser fácil. bjos