sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Incompreensão

Estou agoniada. A chuva que cai sobre Cuiabá é bem-vinda, porém os temporais sempre me assustam. Penso em minhas filhas - as duas estão na rua, inclusive, a caçula que mora em Jaboticabal, mas está passando a semana aqui.
Penso também nas crianças, que foram alvo de reportagem hoje no jornal da TVCA do horário de almoço. Mais um caso de abandono e maus tratos. Dois meninos, um com 4 anos e outro com  menos de 2 anos, abandonados numa casa num bairro de periferia, encontrados pelo Conselho Tutelar por iniciativa dos vizinhos.
Essa notícia me entristeceu muito. Segundo a matéria, eles já estavam sozinhos há mais de 24 horas e o mais velho teria queimado uns pedaços de cobre para ver se conseguia dinheiro para comprar leite porque estava com fome. Com isso, acabou ferindo o menor.
Se um adulto às vezes tem medo quando fica sozinho, imagine duas crianças que ainda dependem de adultos para tudo! Só de pensar nessas duas crianças sozinhas durante uma noite inteira me dá uma tristeza tão grande ...
Deve haver muitos outros casos como esse por aí e, sinceramente, eu me sinto impotente diante de fatos como esse ...  A vizinha disse que a mãe das crianças saiu de casa levando um bebê recém nascido nos braços e a reportagem mostrou a avó das crianças, uma senhora enrugada com expressão triste, chegando na casa depois que os meninos foram levados pelos representantes do Conselho Tutelar.
A chuva já está parando, mas ainda ouço o barulho de alguns trovôes ao longe. E ainda me sinto impotente para compreender e aceitar a vida como ela é.

PS. Minha filha caçula já ligou e espera minha carona num consultório médico aqui perto.

2 comentários:

Chorik disse...

Só posso te dizer que nada acontece por acaso e tudo tem uma explicação. Quanto à impotência, penso que podemos fazer a nossa parte amparando alguma instituição que cuida dessas famílias pobres, ou órfãos, ou idosos abandonados, financeiramente com o que pudermos. É pouco? Como aquela história do jovem que devolvia as estrelas do mar ao oceano, faz diferença para quem receber. Mas quem sou eu pra ficar aconselhando você! Desculpe a ousadia, Martha!

Martha disse...

Imagine, Chorik! Quando a gente escrever um texto desses de alguma forma está buscando consolo,conselhos, explicações se houver. Toda palavra amiga é bem-vinda!