domingo, 10 de junho de 2012

Itinerário




Sempre soube que os ônibus de Cuiabá tinham itinerários loucos, mas nunca imaginei que seria tanto.
Ontem, precisei pegar um ônibus que passasse na Rodoviária para buscar meu carro na oficina. Pouco depois das 13h, fui ao ponto que fica no início da avenida Isaac Póvoas e, para variar, pedi informação às pessoas sobre qual ônibus deveria pegar.
Meu primeiro interlocutor disse que não era de Cuiabá e o segundo me mandou pegar o ônibus 205 (Residencial Paiaguás-Centro) que estava encostando no ponto. Subi no coletivo e, pela primeira vez em Cuiabá, peguei um ônibus sem cobrador. Sorte que eu tinha R$ 2,70 trocados e não precisei abusar da paciência do motorista.
Seguimos em direção ao Centro e eu me distraía tentando advinhar o itinerário até a Rodoviária. O ônibus entrou na rua Barão de Melgaço, passou em frente à Unimed, quebrou à esquerda e desceu até a 13 de Junho. E eu ia pensando: "Puxa, esse ônibus me serve para ir a vários lugares num dia em que eu estiver sem carro: salão da Kátia, Unimed, Sesc Arsenal".
Ele foi direto até a Prainha e eu continuava me perguntando como chegaria à Rodoviária porque estávamos longe demais de qualquer caminho que eu faria de carro. Para minha surpresa, subimos a avenida Getúlio Vargas e eu pensei: 'Ele vai virar na Marechal Floriano". Não virou. "Agora ele vai virar na rua São Sebastião". Não virou. Meu Deus, será que peguei o ônibus certo?
De repente, estávamos novamente na rua Estevão de Mendonça, a minha rua! Ou seja, voltamos ao ponto de partida? Não exatamente. Ele pegou a Estevão um quarteirão depois do lugar onde eu estava. Enfim, eu poderia ter me poupado de toda essa andança se tivesse andado alguns metros apenas. Mas, como eu saberia a utilidade dessa linha se não tivesse passado por tudo isso? Ainda bem que era sábado, não havia muito trânsito e o ônibus estava vazio.
Para quem mora no Rio de Janeiro, por exemplo, é como se alguém pegasse um ônibus na avenida Nossa Senhora de Copacabana na esquina com a rua Figueiredo Magalhães, desse uma volta no Centro, e de repente se visse na mesma Figueiredo um quarteirão acima.
Para variar, entrou um louco em algum ponto que falou sozinho (alto) o tempo todo.
Uma vez no rumo certo, relaxei. Cheguei ao ponto em frente à Rodoviária depois das 13h30m e peguei meu carro correndo porque tinha um compromisso às 14h, que descobri ser às 13h. Cheguei atrasada, mas deu para fazer quase tudo que era preciso.
Quase não pego ônibus em Cuiabá, mas quando pego é sempre uma aventura! Eu me sinto quase uma estrangeira na cidade onde moro há nove anos.

Um comentário:

Rose Domingues disse...

Martha, é bem assim mesmo...rsrsrs outro dia resolvi ir ao centro de ônibus. Tinha que ir na verdade ao ISSQn, da prefeitura, que fica na Prainha. Deixei o carro no meu trabalho e pensei, é simples, só descer aqui e ir direto, não é possível que haja complicação nesse trajeto, melhor que ir de carro, depois não ter onde estacionar e tal, tal, tal...menina, a coisa começou a ficar feia quando descobri que nenhum ônibus ia direto até onde eu precisava, ou seja, tive que descer uns 4 pontos antes e ir no sol a pé. Tudo bem, eu gosto de andar a pé (só não do sol escaldante). Fui, deu tudo certo. Na hora voltar...o que era para ser simples virou um sufoco porque nenhum dos ônibus do ponto da frente viriam para a av. CPA, todos iam para o Coxipó. Todos. Ninguém sabia me informar direito. Resumindo. Tive que voltar andando novamente pela Prainha, andando, andando, andando, já estava quase indo a pé quando me vi pingando de suor, desarrumada e com os pés suados. Como eu chagaria no trabalho assim? (risos) Peguei um bendito (ou maldito) ônibus cheio, paguei quase 3 reais para descer longe ainda...pessoas suadas, sem ar, uma música de doer os ouvidos, uma barulheira, gente gritando...quando eu cheguei ao trabalho, respirei aliviada e pensei: 'Que bom que eu tenho carro', e me doeu pensar que grande parte da população é obrigada a conviver com um sistema de trânsito caótico, pessimamente planejado e ruim demais. Ruim. Esta é a palavra. Os ônibus parecem uma caranga velha, cheias de barulho, alguns parecem que vão desmontar. Os motoristas dirigem como se estivessem carregam sei lá, porcos. E não gente. Não deveria ser assim. Não precisava ser assim. Eu só queria descer de um ponto ao outro reto pela mesma avenida, deveria ser simples, rápido, confortável e eficiente. risos, bjão, Rose :D