sábado, 28 de julho de 2012

Estrela solitária



Assisti ontem ao filme "Heleno", de José Henrique Fonseca. É bonito, muito bem feito, o Rodrigo Santoro está maravilhoso no papel título, mas é triste demais ...
Como botafoguense sempre fui fascinada pela figura de Heleno de Freitas, o craque botafoguense que brilhou nos anos 1940 e, ainda por cima, era lindo e elegante. Nunca fui muito fundo na história de Heleno, embora soubesse que ele era temperamental e que tinha ganho o apelido de "Gilda" da torcida adversária por causa do personagem homônimo interpretado pela atriz Rita Hayworth.
Não sabia que a história dele era tão triste ... O filme não obedece a uma ordem cronológica, é como se o próprio Heleno relembrasse o seu passado. É impressionante a mudança sofrida por Santoro: o homem belo e irresistível transforma-se num homem feio, alquebrado, de cabelos ralos, dentes estragados, que mal consegue andar sozinho e permanece numa espécie de transe, sem se comunicar com ninguém.
Por que? O que levou Heleno a esse final trágico antes de completar 50 anos?
A sífilis, que ele se recusava a tratar? O vício em éter? Li uma matéria que diz que não se sabe exatamente quando os sintomas da doença começaram a tomar conta do corpo e da mente de Heleno.
No filme, vemos um Heleno craque, mas sempre de temperamento difícil, egocêntrico, sem um mínimo de espírito de equipe. Muito pelo contrário, para ele, todos os outros jogadores do time eram pernas de pau, só atrapalhavam. Seu amor pelo Botafogo era absoluto. Um craque-problema, um bad boy da primeira metade do século XX.
Heleno era de família rica, advogado formado. Por que era tão agressivo e autodestrutivo?
O filme não dá respostas definitivas, porém mostra com muito realismo a trajetória do craque rumo ao fim e se permite algumas cenas muito poéticas mostrando a paixão de Heleno pela bola e pelo futebol, que ganha uma dimensão mítica. É um belo filme e triste, muito triste.
Ah, o filme é baseado no livro "Nunca houve um homem como Heleno", de Marcos Eduardo Neves, de 2006. Fiquei com muita vontade de lê-lo.


Um comentário:

Maria Levy disse...

Eu quero assistir esse filme, mas ainda nao tenho os meus lentes miopia.
Quando os compre, vou assisti-lo com a minha família.