terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Turismo em Cuiabá

Há dias que quero escrever um post sobre a recente passagem de uma amiga turista por Mato Grosso, mais especialmente Cuiabá, e acho que agora que tanto está se discutindo o turismo e a cultura cuiabana por conta do desfile da Mangueira na Marquês de Sapucaí pode ser o momento oportuno.
O assunto mais comentado desde ontem no Facebook foi o desfile da Mangueira. Há quem tenha vibrado e achado linda a "homenagem" da Mangueira, há quem tenha ficado frustrado com as bolas foras do enredo e a falta de conhecimento de carnavalescos e equipe da Rede Globo sobre a capital mato-grossense. Há quem acredite que os R$ 3,6 milhões pagos pela Prefeitura (sob o comando do ex-prefeito Chico Galindo) foram mal empregados; há quem ache - acredite se quiser - que o valor foi até pequeno diante da exposição de Cuiabá no Sambódromo.
Esse assunto ainda vai dar muito o que falar e render discussões apaixonadas.
Particularmente, não tive a menor vontade de ver o desfile, mas não foi nada contra Cuiabá. Nunca gostei de assistir aos desfiles pela TV. Gosto de assistir ao vivo, ali na Sapucaí, ouvindo o rufar da bateria, e, se possível, cantando o samba junto. É a única forma de não me entediar.
Faz muito tempo que os desfiles viraram merchandising e, no afã de  trazer o luxo para a avenida, muitas escolas procuram um patrocinador e se dedicam a enredos que jamais chegariam à avenida (tipo Coréia do Sul, Alemanha, cavalo mangalarga marchador, royalties do petróleo, etc) . Este ano a safra do merchandising foi especialmente generosa.
Sou da turma que acha que o dinheiro poderia ser melhor empregado, afinal, Galindo entregou a Prefeitura com milhões de restos a pagar.
Eu me pergunto quem teve essa ideia, afinal? Como se deu o encontro da Mangueira de Ivo Meirelles, escola do meu coração, com a turma do Galindo?
Já que o negócio foi feito que fosse melhor supervisionado. A coisa até que andou direitinho no começo e teve gente que até acreditou que um samba enredo elaborado por compositores de Cuiabá poderia levar a melhor sobre a obra de compositores do Rio de Janeiro. Não se trata de uma questão de qualidade, acontece que vitória de samba enredo nas escolas do Grupo Especial do Rio é coisa de polícia (ou de bandido), que envolve muitos interesses.
A pergunta é simples: será que alguma daquelas pessoas que assistiu ao desfile na noite de segunda-feira (os cuiabanos de tchapa e cruz não contam) vai visitar Cuiabá por conta do que viu na avenida?
Só saberemos com o tempo, mas acho que há outras formas de divulgação mais eficazes.
A questão principal, entretanto, é outra: você já tentou fazer turismo em Cuiabá? Come-se muito bem em Cuiabá e há muitos lugares para se beber, dançar, ouvir música de qualidade, mas que programa turístico você pode oferecer sem ser uma ida a um restaurante ou a um bar?
Não vale dizer Chapada dos Guimarães porque Chapada não é Cuiabá.
Vivi essa experiência há três semanas e ficava triste quando ouvia os relatos de minha turista: calçadas ruins, com lixo, ruas esburacadas, falta de sinalização turística, dificuldade para se obter informações sobre os pontos turísticos, etc, etc.
Minha amiga viveu uma situação surreal: ligou para um telefone da Secretaria de Estado de Desenvolvimento do Turismo (Sedtur) de apoio ao turista e recebeu a resposta de que deveria procurar a Secretaria Municipal de Turismo de Cuiabá para ter as informações sobre a cidade. Ela achou a resposta razoável e ligou no número que o funcionário da Sedtur lhe deu. Pois na Secretaria Municipal de Turismo uma mulher mandou ela ligar para a Sedtur!
Minha amiga explicou que estava ligando lá por orientação da Sedtur, mas não adiantou muito. A funcionária não sabia informar nada e para quase todas as perguntas da turista, respondia: pergunte ao motorista de táxi. Minha amiga chegou à conclusão que já sabia mais sobre os horários de funcionamento de museus e igrejas que a própria funcionária da Secretaria e não aguentou:
- E o que a senhora está fazendo aí? - indagou.
A maioria dos museus de Cuiabá está fechada ou padece de falta de segurança, foi o que constatei em um trabalho feito sobre produtos turísticos da capital há um ano e meio. A maioria das igrejas históricas permanece fechada a maior parte do tempo. O que resta ao turista: um passeio ao São Gonçalo Beira-Rio, mas não há uma estrutura mínima de turismo para conduzir o interessado, tipo city-tours ou coisa do gênero. Ou seja, ou você tem um parente para levá-lo de carro aos locais ou morre numa grana com táxi. E torce para ter a sorte de pegar um motorista bem informado, o que é difícil (o último que peguei sequer sabia onde era a avenida Dom Bosco, uma das mais conhecidas da cidade).
E o que a Prefeitura está fazendo diante disso? Investindo dinheiro em propaganda de eficiência duvidosa.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Em nome da verdade

Hoje li duas notícias que me remeteram ao passado. Uma delas foi a morte de Fritz Utzeri, um ícone dos áureos tempos do Jornal do Brasil.
Ele já era grande, repórter especial, quando cheguei à charmosa redação do JB no final dos anos 1970.  Todos diziam que era muito inteligente. A sua fama e sua argúcia me intimidavam, não por culpa dele, e por isso, talvez, nunca me aproximei e, tampouco, desfrutei de suas histórias e da sua experiência. Mais um que se foi dessa turma símbolo de um tempo ainda romântico do jornalismo em que o maior sonho de uma foca como eu era chegar um dia a ser uma repórter especial como Fritz.
A outra notícia diz respeito a revelações do relatório do presidente da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles, de que o ex-deputado Rubens Paiva morreu após ser torturado na prisão, desmentindo assim mais uma vez a versão de fuga sustentada pelo Exército durante bom tempo.
Na verdade, o relatório parte de um ofício que comprova a prisão do parlamentar em casa e ignora a versão mirabolante da fuga (http://www.comissaodaverdade.org.br/noticias/internas/id/1629. Ou seja, pelo que entendi, a Comissão não encontrou registros oficiais da farsa criada pelo próprio Exército para justificar o desaparecimento de Paiva. O relatório cita ainda o depoimento do ex-médico do Exército, Amílcar Lobo, como uma prova de que Paiva teria sido torturado na prisão e morrido em consequência da tortura.
Essa história de Amílcar Lobo veio a público pela primeira através de uma reportagem feita por mim em 1986 e publicada pela revista Veja com grande estardalhaço. O furo de reportagem provocou uma verdadeira comoção na época nos meios militar e civil.
Eu me sinto orgulhosa de ter participado disso e, ao mesmo tempo, fico triste de estar tão afastada desse tipo de cobertura. A minha vida mudou muito e o fato de ter me mudado para Mato Grosso pouco anos depois da reportagem que me colocou tão em evidência fez com que eu me afastasse totalmente do jornalismo com o qual sempre sonhei.
A entrevista com Amílcar Lobo me abriu muitas portas que eu não soube aproveitar. A vida é assim mesmo e ela nos leva a caminhos totalmente inesperados e surpreendentes.
Fico feliz de qualquer maneira pelo fato de a verdade estar vindo à tona. Não vejo por que os crimes cometidos sob o véu da ditadura devam ficar encobertos para sempre em nome de uma democracia conspurcada pela corrupção e a eleição de gente do nível de Renan Calheiros para os mais altos cargos do país.

PS: Para entender melhor as últimas informações sobre o caso Rubens Paiva siga o link:http://www1.folha.uol.com.br/poder/1225945-comissao-tentara-ouvir-militares-no-caso-rubens-paiva.shtml

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Santa Maria

Não posso deixar de registrar meu pesar em relação à tragédia de Santa Maria, mesmo que tudo esteja sendo dito em jornais, TVs, rádios, sites e nas mídias sociais. Será que está mesmo?
Muitos amigos meus, dos velhos tempos do bom jornalismo do JB (Jornal do Brasil, para quem não é da época em que o JB dava surra em O Globo em termos de credibilidade e estilo), têm criticado a espetacularização dos fatos relacionados ao incêndio na boite Kiss, que já matou 235 pessoas, causou a internação de 82 pessoas  (até agora) e provocou sintomas de pneumonia química em mais duas dezenas.  Os jornalistas veteranos dizem, por exemplo, que a tragédia nos telejornais da Rede Globo é tratada como um evento a mais em que sobram pieguice e jogo de cena, mas falta o que o telespectador mais quer: informação.
Hoje os jornais dizem que o fogo na boate produziu o mesmo gás usado por nazistas. Desde domingo, tenho pensado nisso: os jovens que não conseguiram sair da boate após o início do incêndio - porque os seguranças barraram sua saída, porque não havia portas de saída suficientes para situações como aquela, por falta de sinalização, etc, etc - provavelmente passaram por um sofrimento semelhante aos judeus que morreram nas câmaras de gás.
Esse pensamento é terrível. Como se fabrica e se permite instalar num local público um tipo de cobertura que provoca esse tipo de gás? A possibilidade de uma pane elétrica é sempre grande num local em que há muitos pontos de iluminação e equipamentos de som ligados.
O sofrimento das vítimas (as que já se foram e as que ainda estão padecendo nos hospitais) deve ser enorme e só posso lamentar por elas.
Quem é pai, mãe ou responsável por um jovem sabe o quanto cada saída para a balada é sofrida. Os riscos são enormes: brigas, tumultos, roubos, assaltos e/ou acidentes na volta para casa, mas se a gente ficar pensando nisso o tempo todo não dorme, não vive. A gente procura alertar os filhos para alguns riscos maiores, mas mesmo assim não consegue sequer imaginar a possibilidade da ocorrência de tragédias como a de Santa Maria, que por mais que encontrem explicações, culpados, continuarão inexplicáveis e extremamente dolorosas para todos que foram tocados diretamente por elas.

PS. Como a maioria dos brasileiros, sou fã do Corpo de Bombeiros, uma instituição sempre elogiada pela bravura e despreendimento de seus integrantes. Mas, lendo há pouco uma matéria sobre os jovens que tentaram loucamente quebrar as paredes da boate Kiss para tentar salvar as pessoas que não tinham tido a mesma sorte que eles (de sair da boate), constatei uma coisa que já tinha me chamado a atneção nas imagens exibidas pela TV: enquanto os rapazes usavam a marreta sem qualquer proteção contra o gás tóxico (muitos acabaram sendo hospitalizados), havia bombeiros  atrás observando o esforço deles. Tudo bem que eles podiam estar desempenhando outras funções, mas por que ninguém forneceu máscara para esses rapazes? Quais foram os passos e atitudes dos bombeiros após sua chegada ao local da tragédia? Será que não se poderia mesmo ter evitado um número tão grande de mortes?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Autoavaliação

Hoje, cá entre nós, vou fazer aproveitar parte do meu horário de almoço, para fazer um post bem confessional.
Há alguns dias venho me fazendo a pergunta "o que eu não quero ver?" por sugestão de minha acupunturista.
Na terça-feira, acho que cheguei a uma resposta, que já foi devidamente comunicada à médica.
A resposta é meio louca, mas faz sentido.
Sou caçula, "raspa de tacho" e, portanto, fui muito mimada numa família de mulheres superprotetoras e extremamente afetuosas com filhos, sobrinho, netos, etc.
Quando meu pai morreu, eu tinha cinco anos e meio e passei a ser "a razão da existência" da minha mãe (juro que não inventei isso, ouvi ela falar algo assim diversas vezes).
Logo depois da morte de meu pai, duas das minhas irmãs se casaram, mas continuamos muito próximas e eu passei a morar com minha mãe e minha irmã 13 anos mais velha.
Na minha cabeça, eu deveria ser uma pessoa frágil e dependente. Pessoas frágeis e dependentes merecem - pelo menos na minha família - cuidados redobrados e mimos especiais.
Acontece que não sou isso. Quando era adolescente percebi que a independência financeira era algo valioso, inegociável - a chave para a liberdade. Fiz faculdade e comecei a trabalhar antes de me formar na profissão escolhida - jornalismo -, que podia não dar muito dinheiro, mas me parecia digna e muito atraente por me abrir as portas de um mundo totalmente novo.
Eu ia bem na profissão construindo uma carreira respeitável, mas eis que o trem da minha vida (licença, Dete) tomou um rumo inesperado, em direção ao Pantanal mato-grossense. Larguei emprego, casa, amigos para iniciar uma nova vida ao lado de um homem que trazia um sopro novo (ou seria um vendaval?). Por algum tempo, abri mão de minha independência financeira e pago um preço por isso até hoje.  Criei minha família, me lancei em novas experiências profissionais e me mudei novamente (sem o marido provedor e com as crias) para uma capital.
Aqui estou. O que eu não quero ver? Não sou fraca e fica ridículo fazer o papel de "coitadinha de mim". Fiz escolhas (algumas certas, outras nem tanto, mas a gente não tem como acertar em tudo, né?) e vivo as consequências de muitas delas. Poderia ter uma situação financeira mais estável? Claro que sim. Teria inteligência suficiente para estar em cargos mais desafiadores e bem remunerados? Acredito que sim, mas me faltou uma dose maior de coragem e autoconfiança.
Essa sou eu - uma pessoa cheia de contradições, que queria mudar o mundo, mas tem dificuldades para "se" mudar.
 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Chapada dos Guimarães (Que turismo é esse?)

Neste fim de semana visitei a Chapada dos Guimarães (60 km de Cuiabá) com uma amiga e sobrinha. O passeio confirmou algumas coisas que eu já sabia:
1- A Chapada é linda!
2- Não é fácil fazer turismo na Chapada.
Vou começar pela estrada: para mim, que dirijo com alguma dificuldade por causa do meu ceratocone (sempre de dia, nunca à noite), o percurso entre Cuiabá e Chapada apresenta algumas dificuldades. O primeiro trecho - quase urbano - é feito numa via de mão dupla, bastante movimentada. Depois vem um trecho de duas pistas, porém a alegria dura pouco e logo nos deparamos com um trecho em obras e sem asfalto. É curto, mas está bem esburacado e irregular.
Depois a gente prossegue pela MT 251 (rodovia Emanuel Pinheiro) tradicional: muito bonita na maioria dos trechos, mas com alto risco  e incidência de acidentes.
Chegamos à Chapada por volta de 10h30 (um pouco tarde demais) e resolvemos checar nossas acomodações na Pousada Aurora Boreal, bem no Centro, onde já tínhamos uma reserva. Uma vez estabelecidas, saímos para dar uma volta e fomos até uma agência de turismo próximo. Lá descobrimos que não poderíamos fazer mais nenhum programa com guia, já que os passeios precisam ser agendados até 11h. Pegamos algumas informações e ficou meio combinado uma ida ao Circuito das Águas no dia seguinte. Almoçamos uma comida gostosa e honesta no restaurante Felipe e decidimos ir ao Espaço Aventura. Eu tinha conversado com um dos donos por telefone e entendi que lá havia uma cachoeira onde poderíamos tomar banho. Não tinha ou pelo menos ela não era acessível. O passeio foi gostoso, mas acabamos desperdiçando a oportunidade de um reconfortante banho de cachoeira.
O Espaço Aventura é legal e o pessoal é muito acolhedor e simpático. Percorremos a Sensitrilha - uma pequena trilha preparada para deficientes visuais, porém optamos por não desfrutar dos produtos disponíveis (arborismo, tirolesa, paint ball, arco e flecha, tiro ao alvo, etc). Quando resolvemos ir embora em busca da cachoeira começou a chover forte, o que nos obrigou a mudar os planos.
Passeamos pela cidade, comemos bolo no Centro (na simpática Anis) e conseguimos por sorte encontrar um guia independente que se dispôs a nos levar ao Parque (Circuito das Cachoeiras) no dia seguinte por um preço menor que o da agência.
À noite, tomamos cerveja, comemos empada e finalizamos com um caldo no restaurante Pomodori ao som da dupla Lorena Lye e Joelson Conceição (muito bom).
Fomos dormir felizes com a perspectiva da ida ao encontro das sete cachoeiras. Acordamos relativamente cedo e antes de deixarmos o hotel começou a chuva, que caiu sobre Cuiabá o dia inteiro. Chuva é importante, é bem-vinda, mas logo no dia em que eu queria tomar banho de cachoeira!  Movidas pela esperança, fomos de carro até a entrada do Mirante do Véu da Noiva para que o guia pegasse as chaves do acesso ao Circuito das Águas. Depois que o ICM Bio tomou conta do Parque é assim que as coisas funcionam: com visitas agendadas e sempre com o acompanhamento de um guia credenciado.
É claro que isso tem um lado positivo, mas juro que tenho saudades da época - há seis anos ou menos - quando era possível tomar banho nas cachoeiras do Parque Nacional sem tanta burocracia.
Nossa primeira caminhada foi até o Mirante do Véu da Noiva. Criaram uma trilha nova, "protegida" por telas de plástico laranja, que estão despencando em muitos trechos. Eu preferia o caminho antigo que passava na frente do restaurante, que continua ativo, porém bem menos movimentado.
Tivemos que retornar à guarita para voltar à rodovia e seguir alguns metros adiante (na direção de volta à Chapada) para passar pela porteira (aberta com a chave pega na guarita pelo guia) e seguir por 3,5 km de estrada de chão até o início da trilha do Circuito das Águas. O passeio começou por volta de 11h e durou cerca de quatro horas, debaixo d' água literalmente. Choveu o tempo todo. Tentei me proteger da chuva durante um tempo, mas depois desisti. Voltei encharcada. Meu tênis (ainda bem que era velho) desmanchou e ficou na pousada. Apesar da frustração pelo fato de o sol não ter mostrado a cara e a impossibilidade do banho (de cachoeira) pelo fato de todas estarem com água muito barrenta e com muito volume, o passeio foi gostoso.
Só não gostei muito de um pequeno susto: quando estávamos na última parada (uma caverna chamada de Casa de Pedra), ouvimos um som alto (voz masculina) e o guia achou melhor a gente ir embora rapidamente.Em tese, não deveria haver ninguém no parque (não havia registro de outros grupos de turistas), portanto, segundo o guia, essa(s) pessoa(s) que estava lá podia ser "do bem ou do mal". Na dúvida ... Confesso que fiquei assustada e queria sair de lá o mais rápido possível. Sorte que já estávamos bem próximos do local onde o carro estava estacionado. No caminho vimos rastros de bicicleta.
O carro estava intacto. Retornamos até a guarita do Mirante para devolver a chave e voltamos para Chapada. Logo depois, tomei o rumo para Cuiabá. Minha sobrinha decidiu ficar mais um dia, mas essa já é outra história que cabe a ela contar. Ou não.
Recebi hoje de manhã um email do ICM Bio me convidando para responder a uma pesquisa sobre satisfação com o passeio realizado.  Ainda bem que tinha um espaço para comentários, onde inclui algumas das questões abordadas aqui. Espero que alguém leia e leve minha opinião em consideração.
Já ia esquecendo de criticar mais uma coisa: fecharam (as autoridades) o Balneário da Salgadeira, que também faz parte do Parque, há um tempão. Situado bem no início do parque, era o local preferido pelo povão, a turma da farofa, que ficava bebendo cerveja e tomando banho junto aos bares e restaurantes instalados no local. Eu não gostava de ir lá e de ver tanta gente bebendo, sentada na murada junto à rodovia, mas acho muito triste ver toda área cercada por tapumes, sem que ninguém possa desfrutá-la.
Que turismo é esse?

 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Anjos

Sei que a acupuntura nada tem de mágica. A medicina ocidental já incorporou esse conjunto de conhecimentos e práticas ao seu dia a dia e há evidências do quanto pode ser benéfico se submeter ao tratamento com agulhas.
Na minha família, algumas pessoas têm uma relação boa e produtiva com a acupuntura, principalmente para o tratamento de dores (coluna).
A primeira vez que tive um contato mais duradouro com a acupuntura foi há uns 25 anos quando morava no Rio de Janeiro e queria me livrar da minha asma e outras complicações de fundo alérgico e emocional. Comecei a frequentar o consultório de uma acupunturista de origem oriental (não me lembro se era japonesa ou chinesa). Ela condicionou qualquer êxito no tratamento a uma dieta rígida, à qual me dediquei de corpo e alma por mais de um ano. Eu não comia carne vermelha, embutidos, queijo amarelo, nem tomava bebidas alcóolicas ou refrigerantes, ou seja, seguia uma alimentação bem natural, com muito consumo de proteínas de soja, grãos e vários alimentos integrais. Eu me lembro de que emagreci bastante e fiquei com um corpo ótimo e uma disposição de fazer inveja. Não sei ao certo o quanto melhorei das asma e da rinite, já que também fazia tratamento com homeopatia.
A questão é que abandonei totalmente minha dieta quando vim morar em Mato Grosso em 1988. Ninguém me forçou a nada. Simplesmente era impossível não comer carne vermelha passando temporadas longas numa fazenda do Pantanal, que tinha na carne bovina sua principal fonte de alimento. Era dificil para mim me adaptar à cultura local sem cair de boca nos churrascos. Aos poucos, voltei a ser carnívora. Esqueci de dizer que já tinha voltado a beber antes disso.
O fato é que luto até hoje com meus problemas de alergia, embora esses não sejam, na minha opinião, minha principal preocupação em termos de saúde.
Em 2007, tive a segunda experiência duradoura com a acupuntura. Na época, tinha passado por um baque emocional forte e estava imensamente triste. Uma amiga pediatra, Márcia, sugeriu que eu procurasse a dra Satico, que ela conhecia de um curso de especialização em acupuntura.  Consegui marcar a primeira consulta e frequentei seu consultório por mais de um ano. De origem japonesa, Satico nunca me exigiu nada em termos de dieta e me ajudou muito a superar aquele momento doloroso. Ela colocava agulhas para me reequilibrar e conversava muito comigo, era quase uma terapeuta. Eu chorava ... Tudo isso a um custo praticamente zero, já que as sessões eram pagas pelo plano de saúde.
Quando eu me senti mais fortalecida e cansei um pouco de ir lá toda semana, parei.
Uns três anos depois tive vontade de voltar, mas não consegui vaga. A gentil secretária da dra Satico disse que ela só estava abrindo vagas para casos muito graves ou de muita dor. Não era o meu caso. Ela me indicou outro profissional que cheguei a frequentar, mas não fiquei satisfeita.
No ano passado, por volta de outubro, estava tão desesperada com minha vista que resolvi ligar para a dra Satico, já que meu oftalmologista - de quem gosto muito - me disse que não havia nada mais a fazer em relação ao desconforto provocado pelo ceratocone. Meus olhos viviam irritados, com a sensação de areia... Era um tal de tira a lente, bota a lente, põe corílio, sem muito sucesso.
Quando eu estava para terminar minha primeira fase com a Satico ela me contou um dia que tratava de ceratocone. Meu oftalmologista não botou fé, porém achei que eu não tinha nada a perder.
Consegui a promessa de uma vaga em janeiro e ontem recomecei o tratamento. Foi tão bom! Ainda não sei o que vai acontecer, mas a dra Satico já me passou um dever de casa: fazer uma espécie de massagem nos dedos médios e procurar resposta para uma pergunta: o que eu não quero ver?
Raramente coloco o título de um post antes de escrevê-lo e neste eu fiz isso: "Anjos" é o título. Eu não acredito em anjos, mas eles existem. Creio que a dra Satico é um deles. Com sua aparência frágil, ela é uma pessoa boníssima, uma médica que realmente faz bem às pessoas como, aliás, muito médicos que já conheci em Cuiabá: profissionais dedicados, estudiosos, que conseguem estabelecer um vínculo afetivo com o paciente, mesmo que seja numa consulta de plano de saúde.
A dra Satico, ao dr Marco, à dra Zuleide, à dra Rafaella, ao dr Luiz Augusto, à dra Keyla, à dra Marta e, especialmente, ao dr Gabriel, todos de Cuiabá, agradeço o carinho e a atenção dedicados. Meus agradecimentos também a todos os médicos que já cuidaram de mim, principalmente, o dr Nestor (de Cáceres, já falecido), e o dr Marcos Bicudo (do Rio de Janeiro).
Para conhecer um puco mais sobre acupuntura, clique em http://saude.hsw.uol.com.br/acupuntura.htm

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Música do Mato


Ontem assisti a um espetáculo daqueles de lavar a alma. O teatro do Sesc Arsenal estava lotado e o público entusiasmado, super sintonizado com os artistas no palco.
O show começou com a apresentação de Branco Barros, músico que traz em suas composições o clima do Araguaia. Muito comunicativo, convidou de cara a plateia para entrar no clima do Araguaia. Cantou o rio, um romance entre a Terra e a Lua, os índios Karajá, a luta pela terra ... Sua apresentação durou cerca de meia hora e teve direito a um bis. A noite começava bem ...
Em seguida, veio o músico Jabas Bueno, de Rondonópolis, e seus amigos, Jhuan (cantor, compositor e violonista) e Jean (percussionista). Para mim - e a maior parte do público - era tudo novo e não é que o som dos caras era bom pra caramba! Eles apresentaram umas oito canções, tudo de larva própria (era essa a proposta do festival). Como definir o som? Pop? Rock? Blues? MPB? Algumas canções falavam de coisas corriqueiras: brincadeiras de criança, a mania que certas mulheres têm de comprar sapatos que nem sempre vão usar e levar pra casa uma muda da planta da vizinha. O show foi muito bom e também conquistou o público.
Lá pelas nove horas começou o show do grupo mais esperado da noite: Monofoliar. Quem aprendeu a gostar do som de Estela Ceregatti, Jhon Stuart e Juliane Grisólia fica meio bobo, viciado mesmo. É uma música tão bonita e sempre tão surpreendente aque pega a gente pelo pé, pelo ouvido, pelo corpo todo ... Tem música instrumental, música com letra, mas tudo vem embalado com arranjos sofisticados, inovadores.
Estela, com sua voz poderosa e gestual forte, meio que domina a cena, mas faz questão de frisar a importância do grupo nas composições e arranjos. Talvez seja por isso que o trio funcione tão bem, como um triângulo que tem um vértice e duas pontas firmes e não menos importantes: a percussionista Juliane, sempre precisa e criativa, e o multi-instrumentista Jhon, que se divide entre piano, contrabaixo, percussão e escaleta.
Alguns temas já são familiares ao público mais habituado às apresentações do grupo, mas ontem tivemos surpresas como uma nova canção, recém-parida, como anunciou Estela.
Foram duas horas de espetáculo totalmente de graça. Dizem que no sábado o show do Festival de MPB Música do Mato - Didi Ruelles, Joelson Conceição e Vítor Meirelles - também foi magnífico.
Bom saber que tem tanta gente boa produzindo música do mato da melhor qualidade.

PS. A tempo, quero registrar alguns aspectos positivos do show de domingo: a presença das esculturas em barro de Rosylene Pinto (a mulher mais versátil e cheia de energia de Cuiabá) e do poeta - vou atrás do nome dele para registrar aqui - maravilhoso, que realmente domina a arte de declamar, surpreendendo o público a cada verso.