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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Urutau

Com atraso e muita alegria, registro o nascimento de Urutau - o mais novo grupo musical de Cuiabá.
Urutau foi apresentado ao público neste fim de semana no Salão Social do Sesc Arsenal. Os convidados, que, felizmente, encheram o Salão Social (o teatro está em reforma) , ofereceram em troca 1 litro de leite Longa Vida ou a módica quantia de R$ 2.  
Quem atendeu ao convite teve o prazer de ouvir mais de uma hora de música instrumental de excelente qualidade e ainda compartilhar a emoção dos integrantes do Urutau: todos alunos do curso de música da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). São eles: Estela Ceregati (percussionista e dona de uma voz maravilhosa), Jhon Stuart (teclados e contrabaixo acústico), Joelson Conceição (violão de 7 cordas, cavaquinho), Juliane Grisólia (percussão e vocal), Phellyppe Sabo (sopros) e Tarcísio Sobreira (bateria, percussão e xilofone). O show de estreia teve participação especial do contrabaixista Ebinho Cardoso, espécie de mentor musical de todos. 
A maioria das músicas apresentadas é de autoria dos próprios integrantes do Urutau. Algumas tinham letras e outras eram só instrumental mesmo. 
Vida longa ao Urutau, que nasceu com jeito de pássaro maduro.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tilintar dos cristais

O bom do blog é que a gente pode escrever quando dá vontade. Hoje, por exemplo, quero falar sobre o show ao qual assisti ontem para que outras pessoas que, eventualmente, leiam meu blog possam assistir hoje.
Já vou dar o serviço: Grupo Uratau, no teatro do Sesc Arsenal, às 20h (pontualmente).
Não me proponho a fazer uma crítica ou coisa do gênero, apenas quero registrar minhas impressões para valorizar o esforço e o talento de seis jovens mato-grossenses (se todos nasceram aqui não sei, mas é aqui que vivem e batalham pela sua arte), todos alunos de música da UFMT.
Registrei  com alegria o nascimento desse urutau em 12 de abril de 2010 neste blog.  http://martha-caentrenos.blogspot.com/search?q=Urutau 
Depois disso não tive mais a oportunidade de ouvir o grupo. Os meninos evoluíram. Estão fazendo um som muito bonito, mágico, como só a música instrumental pode ser.
Ainda estão meio tímidos, na minha opinião, principalmente Joelson Conceição (violão), que conheci como pupilo de Marinho (o sete cordas do Chorinho), mas, aos poucos, vai trilhando seus próprios caminhos.
Completam o time Phellyppe Sabo (nos sopros), Jhon Stuart (contrabaixo, piano), Tarcísio Sobreira (percussão e bateria) e as meninas Juliane Grisólia (percussão e vocal) e Estela Ceregati (percussão, violão e voz).
Tarcísio foi meu aluno no curso de Jornalismo da UFMT (aluno querido, daqueles que sempre esbanjam carinho com a ex-professora) e agora segue sua verdadeira vocação. Por que mesmo ele foi fazer Jornalismo???
Ontem, após a apresentação, tive a oportunidade de conhecer Estela pessoalmente. Vinte e três anos, professora de crianças na escola dos pais, Estela tem tudo para brilhar. Compositora (aliás, as músicas tocadas pelo Urutau são todas dos integrantes do grupo), dona de uma voz maravilhosa e de grande personalidade, e ainda toca castanhola. Touché!
O show "Tilintar dos Cristais" é uma experiência única, numa cidade, num país, cravejado por "música" sem qualidade alguma. Num determinado momento, o amigo que me acompanhava no show me perguntou: "Estamos no Brasil?"
Respondo a ele agora. Estamos. Somente o Brasil tem elementos (instrumentos de percussão, folclore, outras fontes musicais) que permitem tornar a música instrumental tão rica. Por isso grandes músicos de jazz e até do rock (como David Byrne do Talking Heads) vêm beber nas nossas fontes. O problema é que a música instrumental nunca é valorizada aqui como é no exterior (vide os exemplos de Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, só para citar os mais notáveis).
Por isso, novamente desejo muita sorte aos meninos do Urutau, que têm a coragem e a disciplina para fazer música instrumental de qualidade em Cuiabá.
Ontem só faltou mesmo anunciar os nomes dos integrantes do Grupo no final da apresentação. Tudo bem que a plateia tinha muitos amigos e conhecidos, mas mesmo assim fez falta.
Vida longa ao Urutau!



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sons do Pantanal

Já mencionei algumas vezes o meu amor incondicional pelo Pantanal, que não é para mim uma utopia. Conheço razoavelmente o Pantanal, seus humores, calores e outros detalhes que desafiam a paciência de quem está lá a passeio ou não. O Pantanal é maravilhoso, mas tem mosquito, tem hora que chove demais e tem hora que esquenta demais.
Apesar disso guardo memórias magníficas de minha temporada por lá, que foi mais intensa entre os anos de 1989 e 1995.
Tudo isso para dizer o quanto mexe comigo o pedido do regente do Madrigal do Avesso para que cada cantor escolha dois animais do Pantanal e imite seu som. Estamos ensaiando a música "Cunhataiporã" de Geraldo Espíndola e ele quer fazer uma introdução com sons do Pantanal, que deve ficar maravilhosa. Não sei se um dia vamos apresentá-la publicamente, mas como exercício é interessante.
Na semana passada, Carlos Taubaté cobrou de cada um os dois bichos e eu fiquei meio paralisada. Hoje é dia de ensaio e, mais uma vez, estou apreensiva com a cobrança.
Andei pesquisando sons de pássaros, conversei com amigos e parentes com experiência de Pantanal, pesquisei no YouTube. Eu me identifiquei com o som do urutau, um pássaro noturno, estranho, também conhecido como Mãe da Lua e Pássaro Fantasma. Seu som é triste, mas bonito. Não é uma ave típica do Pantanal, porém também está presente nesse bioma. Li em algum lugar que ela canta por um amor perdido e me identifiquei imediatamente com o urutau, que ainda por cima tem a capacidade de se camuflar (será timidez?)


Ainda preciso encontrar outro bicho para imitar. Alguns amigos sugeriram curicaca e anhuma, que achei difícil de reproduzir. Vou ver se chego mais cedo ao ensaio para trocar ideia com os colegas
Seja como for. os sons do Pantanal estão dentro de mim e não me julgo capaz de reproduzir sua beleza. Morro de saudades do tempo em que vivi na fazenda e acordava com a algazarra dos pássaros nos coqueiros (periquitos, pagagaios, araras, etc). Adorava dormir com a sinfonia de sapos, rãs e pererecas, mesmo acordando molhada de suor.
Sabe aquela expressão "eu era feliz e não sabia"? No meu caso, eu era feliz e sabia, pois gostava mais de ficar na fazenda do que na cidade. Mas, tudo passa e hoje os sons do Pantanal estão distante de mim.
Por incrível que pareça, eu tenho acesso livre a uma fazenda no Pantanal de Cáceres, que fica bem perto da Recreio, onde vivi essa fase da minha vida. Nunca consigo encontrar tempo para passar uns dias lá. Preciso providenciar isso urgentemente. Voltar ao Pantanal é uma necessidade. Sei que não vai ser fácil, porém preciso escutar novamente esses sons, sentir os cheiros e admirar a paisagem pantaneira. 
Se eu fizesse uma daquelas listas de "coisas que preciso fazer antes de morrer", a volta ao Pantanal estaria no topo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Utopia

Acabei de chegar do Sesc Arsenal. Assisti a um concerto didático da Orquestra do Estado de Mato Grosso, fiz uma entrevista ótima com o maestro Murilo Alves para uma matéria e depois dei um tempo até o horário marcado para a oficina de técnica vocal que aconteceria no Sesc às 19h.
Foi legal acompanhar a montagem do Bulixo que acontece no Sesc às quintas-feiras, ver as pessoas chegando com panelas, isopor, carrinhos, cadeiras e mesas, e montando aos poucos as barracas de comida, bebida e artesanato variado.
Dei uma volta para ver o que ia comer e fiquei perdida diante de tantas opções de pratos quentes, salgados e doces. Acabei comendo uma empadinha de frango e, mais tarde, comi um sobá - um prato da culinária japonesa à base de macarrão, legumes e carne, muito apreciado em Campo Grande (MS). Estava gostoso.
Após a oficina, tivemos um mini show de parte do grupo Urutau, com os músicos Estela Ceregatti, Juliane Grisólia e Jhon Stuart ( o grupo completo tem mais três integrantes). Foi lindo!
Voltei para casa encharcada de música, cheia de expectativa em relação ao show de amanhã (de Vera Capilé) e de depois de amanhã (de Simone Guimarães), e um pouco preocupada com um monte de coisa que tenho para fazer nos próximos dias.
Quero me manter animada e otimista (estou adorando o meu trabalho no Diário de Cuiabá), mas tem hora que me dá aquela velha angústia proveniente de ainda ter tantas incertezas na minha vida (em todos os sentidos, financeiro, profissional, sentimental). Nessas horas bate uma solidão braba.
 Nesses dias tenho recebido muitos elogios ao meu trabalho e isso, paradoxalmente, me deixa feliz (estou fazendo exatamente o que gosto de fazer) e triste, porque o que ganho (mesmo com os frilas) ainda não é suficiente para pagar as despesas da minha família.
Esse é um nó que não consigo resolver, mas não quero - e não vou - me deixar abater. Eu queria realmente fazer um trabalho que fosse significativo para a sociedade, fosse prazeroso para mim e me garantisse autonomia financeira. Será que isso é uma utopia?

sábado, 17 de setembro de 2011

Monofoliar



Juliane, Jhon e Estela em foto de Juliana Segóvia


Assisti anteontem ao show "Monofoliar" no teatro do Sesc Arsenal, durante a mostra Guaná Aldeia Sesc de Arte e Cultura. É curioso, parece que faz tempo que conheço Estela Ceregatti, mas na verdade eu comecei a conhecê-la no início do ano passado, quando assisti à estreia do grupo Urutau e fiquei impressionada com sua voz e presença cênica.
Aos poucos, descobri que ela tinha sido vocalista do grupo Bionne (samba & choro) e também participou dos Novos Chorões - um grupo de jovens instrumentistas, liderado pelo casal Pio e Ellen Toledo (seus tios), que gerou muita gente boa.
Ou seja, Estella, como música, não nasceu ontem. Ela é ainda jovem (23 anos) e é claro que tem muito chão para percorrer (ainda bem), mas percebo nela um talento muito grande e uma personalidade musical muito forte.
O show "Monofoliar" não se resume à Estela, embora ela seja a figura central. As presenças de Juliane Grisólia na percussão, violão e vocal (sua parceira em várias apresentações) e de Jhon Stuart (contrabaixo, piano e percussão) são fundamentais. É bonito ver a parceria e o entrosamento dos três! Aliás, adorei a música "Três", composta pelo trio e apresentada na noite de quinta-feira.
Fui ao show meio na marra (é complicadíssimo ir ao Sesc Arsenal em noite de bulixo), mas resolvi aceitar o convite de Estela e fechar os olhos para ouvir o som que rolava.
Foi muito bom! Foi especialmente interessante ver o teatro do Sesc lotado (tudo bem que a entrada era franca, mas quantos espetáculos gratuitos não reúnem tanta gente!) e um público tão entusiasmado. É claro que muitos dos presentes são amigos de longa data, gente que vem acompanhando o trabalho de Estela há muito tempo, mas se vão assistir e vibram tanto é porque gostam.
Como já assisti a algumas apresentações de Estella este ano, algumas canções ("Céu reduto", "Segundo quarto", por exemplo) já me soam familiares e permanecem na minha cabeça.
Mas como é bom ouvir uma canção pela primeira vez e perceber que ela desce bem!
Quando a cantora e compositora Simone Guimarães esteve em Cuiabá, no final do primeiro semestre, ouviu o trabalho de Estela, Juliane e Jhon e pareceu bem impressionada, tanto que chamou-os para fazer uma participação especial no seu show no Jardim do Sesc Arsenal. Simone e Novelli (aquele do Clube da Esquina) fizeram alusão na época ao surgimento do grupo capitaneado por Mílton Nascimento.
É isso que sinto em relação a trabalhos de pessoas como Estela e seus parceiros musicais, Paulo Monarco e outros músicos mato-grossenses que estou vendo surgir: uma força criativa imensa que mostra como a música é linda e permite possibilidades infinitas na melodia e na poesia.
Desejo muito sucesso a todos eles e que tenham sabedoria para superar as armadilhas da vida (e do sucesso)! O mundo é bem mais vasto que Cuiabá.