terça-feira, 31 de maio de 2011

Oficina com Simone Guimarães

Hoje a correria também foi intensa: aula de yoga de manhã para estar livre no final da tarde, trabalho no Diário de Cuiabá, almoço com a filha Diana, encontro com uma pessoa que me ofereceu um frila novo, entrevista para matéria da revista Corpo e Arte.
No meio de tudo isso, checar e responder emails e, finalmente, atualizar o blog antes de ir para a oficina de técnica vocal de Simone Guimarães no Sesc Arsenal.
Eu não conhecia Simone Guimarães, confesso, até semana passada.
Mas aí Rejane De Musis veio me falar extasiada que ela estaria em Cuiabá esta semana para uma oficina de técnica vocal e um show no sábado. Três dias depois foi a vez de Taubaté, regente do Madrigal do Avesso, nos falar eloquentemente sobre o talento de Simone e por que era tão importante participarmos da oficina.
Chego em casa e Lorenzo, editor do Ilustrado do Diário de Cuiabá e meu chefe, me liga sugerindo uma matéria com a Simone para o jornal de domingo. E eu estava chegando em casa com a mesma intenção.
Fiz a matéria, publicada no domingo (http://www.diariodecuiaba.com.br/) com as informações que consegui e agora vou descobrir de fato quem é Simone Guimarães.
Aliás, terei uma overdose de Simone esta semana: pretendo fazer a oficina e já sei que vou encontrá-la no show de lançamento do CD "Cirandando" de Vera Capilé no Teatro da UFMT, na sexta. Simone é autora de uma das músicas do disco (em parceria com a ministra Ana de Hollanda) e fará uma participação especial no show, segundo me contou hoje a própria Vera, tema de minha matéria de amanhã.
No sábado, pretendo assistir ao show "Sangue latino" no Jardim do Sesc.
O Brasil tem coisas estranhas: mesmo a gente que se acha bem informada acaba desconhecendo pessoas que parecem tão talentosas. Por isso, digo e repito, não podemos ficar reféns da grande mídia. Corremos o risco de emburrecer.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Feijoada completa

As batidas continuam no apartamento do lado, mas hoje estou conseguindo trabalhar em casa. Já fiz minha resenha sobre o show do Djavan (leiam amanhã em http://www.diariodecuiaba.com.br/ ) e acabo de tirar uma foto para a revista Única, que vai publicar uma crônica minha na edição de junho.
Antes de me dedicar totalmente às matérias para a revista Corpo e Arte, resolvi atualizar o blog - o penúltimo posto do penúltimo mês deste semestre. É impressionante como o tempo está voando! Daqui a pouco acaba junho, minha filha caçula chega para as férias de julho e pronto, estamos no segundo semestre. Daí para chegar nas festas de fim de ano é um pulo.
Calma, tem muita coisa para acontecer este ano. Coisas boas, espero, inclusive, nosso "primeiro gran encontro" da família Baptista em Campo Grande (MS) em novembro, fruto de uma aproximação maior e intensa que rolou a partir do facebook.
É claro que muitos de nós já mantínhamos uma relação próxima e intensa independentemente do face, mas com a criação de um grupo da família (iniciativa desta blogueira, diga-se de passagem) foi possível reaproximar pessoas que estavam afastadas da família e agora quem estiver a fim consegue acompanhar os demais através de fotos e publicações.
É muito divertido. A gente fica sabendo quem se operou, quem viajou, quem chegou, quem se formou, quem torceu o pé, quem está deprimido ou está super feliz por alguma conquista, e consegue também compartilhar recordações. Há poucos dias houve uma enxurrada de fotos e lembranças de um lugar que é muito caro a todos nós da família, a fazenda Santa Blanca, que pertenceu a meu pai e, depois, a meu irmão Zezinho (ambos já falecidos).
Enfim, de publicação em publicação, a gente vai se curtindo cada vez mais e até meu blog ficou mais pop, já que muitas pessoas da família que sequer sabiam de sua existência passaram a acompanhá-lo.
É isso que dá sabor à vida: esses encontros e desencontros. A propósito, ontem dediquei meu dia a um encontro pra lá de especial: o da Confraria do Choro, à qual tenho orgulho de pertencer. O almoço (uma feijoada) foi bom demais: Renata e Marquinhos foram grandes anfitriões (o bolo de cenoura estava maravilhoso) e o Marinho, sempre sisudo no Chorinho, estava muito engraçado e até cantou.
Um domingo muito gostoso, depois de um sábado também muito interessante com direito a um café da manhã recheado de informações no prédio do outro lado da rua, uma visita agradável a uma amiga que ganhou bebê há pouco mais de um mês e ao show "Ária" com Djavan e três músicos maravilhosos: Torcuato Mariano, André Vasconcelos e Marcos Suzano - o Maquinhos que tocava no grupo Aquarela Carioca, fundado por Paulo Steinberg Zin, que acompanhei tão de perto, no início dos anos 80.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Silêncio de ouro

Ando meio em falta com meu blog. Em parte, a culpa é da obra do apartamento do lado. Que loucura! Trabalho em casa também e o meu tempo não está rendendo desde anteontem. O barulho é infernal e vai tomando conta da casa. Deixa a gente irritada e inoperante.
Anteontem, só consegui escrever um artigo encomendado depois das 6 da tarde, quando o barulho parou. Ontem, tentei trabalhar em casa pela manhã e o resultado foi sofrível. Hoje, só consegui escrever quando os pedreiros pararam para almoçar. Segundo o zelador, eles estão quebrando o banheiro de serviço para mudar os azulejos, mas a impressão que tenho é que estão derrubando o apartamento inteiro.
Sou muito avessa a barulho. Aliás, sou muito sensível a qualquer tipo de ruído. Uma das coisas que me fez trocar a academia convencional pela prática da yoga foi poder fugir do som exageradamente alto das aulas de ginástica ou da sala de aparelhos. Parece que a ideia é deixar a pessoa meio zonza para ela se desligar da monotonia dos abdominais ou outros exercícios repetitivos.
Não consigo conversar em bares com música alta e fujo daqueles que optam por um repertório que não é do meu gosto.
Detesto o barulho do trânsito: o som dos motores, freios e buzinas de automóveis, ônibus e motocicletas.
Adoro o silêncio! Sabe aquela sensação que dá quando você está num lugar onde só ouve praticamente o som de sua voz, de seus passos ou até mesmo de sua respiração. Por isso gosto tanto do Parque Mãe Bonifácia quando tem pouca gente caminhando e dá para ouvir o canto dos pássaros e até as árvores se mexendo em dias de mais vento.
Infelizmente a insegurança dos dias de hoje faz com que a gente tema ficar num lugar muito silencioso e solitário. É uma pena! Sinto muitas saudades de finais de semana passados em Visconde de Mauá e Búzios nos anos 80, no Rio de Janeiro, numa época em que nos aventurávamos - às vezes apenas eu e um(a) amigo(a) - por trilhas intermináveis.
Sinto saudades também dos passeios a cavalo no Pantanal, onde o silêncio chegava a pesar junto com o calor. Muitas vezes voltávamos do campo e era gostoso ouvir a conversa animada dos peões num linguajar que me era quase incompreensível. Tenho saudades também de minhas caminhadas solitárias na pista, interrompidas ocasionalmente por uma cobra ou algum animal pastando.
É, por alguns minutos, consegui me esquecer do barulho da rua e me confortei com o silêncio do passado. Estou precisando passar um fim de semana fora de Cuiabá ...
Enquanto não rola, vou me confortar com alguns sons urbanos bem agradáveis neste fim de semana: o canto de Djavan amanhã à noite e a algazarra gostosa dos amigos da Confraria do Choro no domingo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Você tem medo de quê?

Ontem estreei na página de Opinião do jornal Diário de Cuiabá, na seção onde se revezam editores e repórteres do jornal.
Acho que vale a pena publicar aqui o meu texto, que talvez se enquadre no gênero crônica.
Uma coisa que percebi ao escrevê-lo: não sei se por força do hábito de alimentar o blog, estou escrevendo com muita facilidade e me habituei a escrever textos mais enxutos, o que é ótimo para uma pessoa prolixa como eu.
Ah, a inspiração do texto é real e a pergunta me foi feita pelo médico homeopata Luiz Augusto Cavallini Menechino, que consultei pela primeira vez no dia 3 passado.
Segue o texto:
- Do que você tem medo?
A pergunta feita de forma inesperada numa consulta com um médico homeopata me desconcertou.
Consegui me lembrar do meu medo mais concreto:
- Tenho medo de barata!
É verdade. Por mais que tente me convencer de que elas são menores do que eu e, portanto, tecnicamente fáceis de serem abatidas, as baratas me aterrorizam desde que me entendo por gente. Ratos, cobras, morcegos não me provocam tanto pavor quanto esses insetos domésticos, principalmente se forem do tipo voadoras.
Mas esse não é o meu tema. A pergunta continuou martelando na minha cabeça: “Do que você tem medo?”
Ora, tenho medo de assalto, de ser vítima de agressão - esses medos que afetam quase todas as pessoas que moram numa capital violenta e insegura.
Mas a resposta mais profunda e dolorida foi chegando aos poucos. Eu tenho medo de envelhecer, de morrer.
Muitos de nós carregamos esse apego à juventude, que é sinônimo de saúde, alegria, esperança. Pelo menos é isso que a mídia, o cinema, a literatura, tentam nos passar. Jovens são belos, felizes e sonhadores.
Ué, por que então quando eu era jovem tinha tantas inseguranças, tanto medo de não agradar, de não ser aceita, de não encontrar a profissão certa, de não ser bem sucedida na vida, de não casar, de não ter filhos, etc, etc?
Por que vemos tantos jovens hoje perdidos, desorientados, alguns muito angustiados e outros tentando de toda maneira encontrar essa tal felicidade em prazeres fugidios ou escusos, que muitas vezes deixam maior a sensação do vazio?
Que conclusão tiro de tudo isso? O medo é inerente ao ser humano, em qualquer fase da vida. Uns têm mais, outros, menos; uns confessam seus medos – principalmente, nós, mulheres, que temos permissão para nos mostrarmos mais frágeis.
Dizem que a maior coragem é superar o medo. Bobagem é tentar negá-lo ou fazer dele uma barreira intransponível, algo que nos impede de tentar novos caminhos. Bom mesmo é poder compartilhar nossos medos, poder falar deles sem medo de parecer ridícula e, eventualmente, até rir deles.
Do que tenho medo? De perder o bom humor e a fé na vida. Quanto ao resto, não há certezas. Tudo é uma questão de fé.



terça-feira, 24 de maio de 2011

Sem culpa

Hoje acordei mais cedo que de costume para levar minha filha mais velha à faculdade. (Ela disse que sou "um anjo em sua vida". Será?)
Aproveitei para caminhar antes de começar a trabalhar. Durante a caminhada matinal, que prometi a mim mesma repetir amanhã e depois de amanhã, tentei não pensar. Impossível!
Tentei pelo menos pensar em coisas boas e acabei fazendo uma espécie de autoanálise que vou me arriscar a compartilhar neste espaço.
Sou muito reclamenta, como alguns de vocês, leitores, já devem ter notado. Estou lendo um livro que me caiu nas mãos - "Deixe os homens aos seus pés" de Marie Forleo - que tem miuio blá-blá-blá  e um monte de lugares-comuns, porém a autora bate na tecla de que é impossível ser "irresistível" se você for do tipo que reclama demais. Ninguém - homens, mulheres - gosta de alguém que vive reclamando.
Concordo, mas sinto que esse comportamento é meio insistente em mim. Por que? É aí que veio o meu insight: por alguma razão neurótica, fui levada a acreditar que conseguiria a atenção de minha mãe, minhas irmãs e outras pessoas, ao longo da vida, através de queixas, doenças.
O mecanismo é mais ou menos o seguinte: se você está bem não precisa atenção, que será desviada para quem precisa mais, está frágil, doente. Eu me lembro sempre de minha mãe dizendo que precisava visitar uma parente muito próxima e querida dela porque  era carente, sozinha, tinha problemas. Em outras palavras, minha mãe não ia visitá-la porque era um prazer e sim porque era necessário, uma caridade como dizia.
Minha mãe era uma pessoa muito boa, amiga dos amigos, mas ela sempre teve um senso de obrigação social, de dever muito forte. Na minha cabeça infantil, ora, a melhor forma de ter sua atenção integral era não estando bem. Quando eu ficava doente - aquelas doenças bobas de criança - ela fazia vitamina para mim, dava macã raspadinha com colher. Era muito bom!
Não quero dizer com isso que minha mãe só se ocupava de mim quando eu estava doente, obviamente, mas o carinho nessas ocasiões era especial.
Criei então esse mecanismo. Se eu disser para minhas irmãs que estou feliz, tudo está bem, é como se eu contrariasse uma crença interna, de que preciso não estar bem para ser nutrida, acaraciada.
Só que esse tipo de comportamento enche o saco e é muito infantil. Por isso, estou tentando fazer um exercício: parar de reclamar. Como disse no post anterior sempre haverá motivos para reclamar, para não se estar feliz, mas reclamar não ajuda muito, certo? Melhor é procurar uma forma de mudar o que é possível e seguir em frente. Sem culpa.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sem queixas, pelo menos por hoje!

Vou tentar fazer um resumo dos últimos dias. Estou fazendo um trabalho que adoro - na verdade, realizando um sonho de mais de 20 anos. Estou trabalhando como repórter para o caderno de cultura de um jornal local (Diário de Cuiabá). É bom demais!
Tenho que estar ligada numa coisa que adoro: música, literatura, cinema, teatro, cultura! Ontem, à noite, por exemplo, eu trabalhei. Vocês tinham que ver a cara de "tristeza" com que fui trabalhar à noite. O resultado do trabalho estará nas páginas do Diário de Cuiabá amanhã.
No sábado, à noite, assisti ao show "De volta Noel Rosa" com o grupo infanto-juvenil Praticutucá, que tinha sido objeto de matéria veiculada nesse dia. Foi lindo!
Estou apenas começando no jornal, mas a rotina tem sido muito gostosa. Só não estou no céu porque persistem meus problemas financeiros. Ok, ninguém se mantém em Mato Grosso (ou quiçá em lugar algum) trabalhando como repórter (especialmente de Cultura) para um diário.
Continuo fazendo meus frilas e dando aula de francês, mas ainda é pouco. Preciso outro trabalho fixo que me dê uma grana mais legal ou um frila fixo melhor remunerado.
Há alguns dias, assisti a trechos de uma matéria na TV (acho que foi no programa "Mais você" da Ana Maria Braga), em que se falava sobre os problemas que uma mulher teve como consequência de ter passado pela experiência de perder o emprego. Pensei: até que não estou me saindo tão mal!
Devo a isso a vários fatores, mas talvez os mais significativos - que realmente me impediram de ficar muito deprimida - foram o apoio incondicional da minha família, a minha ligação com a música (o cantar no Madrigal do Avesso, no Chorinho) e a yoga, onde expio parte das minhas tristezas e recarrego minhas baterias. Minha amiga Mônica acrescentou ontem outro item: este blog, onde volta e meia desabafo. Já que ela me ajudou a engrossar a lista, acrescento outro item: alguns amigos fiéis.
Acho que não posso reclamar da vida, não é mesmo? Pelo menos, por hoje.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cartão postal

Cheguei em casa feliz hoje (motivos sempre temos para estar feliz ou infeliz) e fiquei mais contente quando encontrei debaixo da porta não uma conta ou algum impresso idiota. Tinha um postal de Barcelona na minha porta!
O remetente é um amigo que está visitando a Europa pela primeira vez e o meu cartão foi enviado de Barcelona, na Espanha . Antes de viajar ele me pediu meu endereço postal, mas não botei fé que receberia alguma coisa.
Já recebi notícias desse amigo via email junto com uma foto tirada na viagem. Fiquei contente de vê-lo sorridente e bem. Receber um postal nessa altura do campeonato é uma surpresa e tanto, e mostra o quanto a gente é importante na vida do remetente, eu acredito.
Num tempo em que a maior parte da comunicação é rápida, feita pela internet, vocês hão de convir que é raro alguém comprar um postal, preenchê-lo a caneta com uma mensagem significativa e gastar tempo e alguns euros para postar.
Esse meu amigo nem mora aqui em Cuiabá, ele mora no Rio de Janeiro e é uma pessoa muito querida. Nossa amizade está ligada a Cáceres, onde ele nasceu e eu vivi por quase 15 anos.
Eu me lembrei agora de um post de Dete http://www.piassa-braziliansoul.blogspot.com/, sobrinha e amiga, sobre o prazer de enviar e receber cartões de Natal.
 Há quanto tempo, leitor(a) amigo(a), você não recebe uma carta daquelas que a gente guarda numa caixinha para sempre?
Tenho postais, cartas e cartões de Natal guardados do tempo do onça. A mais antiga foi escrita por meu pai. Detalhe: ele morreu em dezembro de 1962. Faz parte do meu tesouro.
Continuo desejando uma grande viagem ao meu amigo e espero poder encontrá-lo em breve para saber mais detalhes sobre seu passeio e ver as fotos. Ele é um ótimo fotógrafo e um grande gaitista, embora não ganhe dinheiro (que eu saiba) com nenhuma dessas atividades.