segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dinheiro na meia

Depois de um fim de semana recheado de emoções na tórrida Cáceres, eu me sentei diante da TV para assistir a cinco minutos do Fantástico enquanto comia um sanduíche e quase engasguei quando vi as imagens do atual presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente (DEM), imprudentemente colocando nas meias maços de dinheiro.
Fiquei chocada! Que país é este em que "autoridades" de alto escalão são mostradas em rede nacional recebendo dinheiro vivo em esquemas de corrupção? A gente já viu mala de dinheiro, dinheiro na cueca, mas ainda não tinha visto dinheiro na meia.
Não sei o que é mais deprimente ver as imagens da corrupção ou as desculpas esfarrapadas dos acusados.


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cantos de amor e saudade


Há 15 anos conheci uma senhora em Cáceres que deu outro sentido à minha passagem pela cidade, terra natal de meus antepassados pelo lado materno. Ela se chamava Estella Rodrigues Ambrósio e tinha 87 anos.
Nosso encontro rendeu um livro - "Cantos de amor e saudade - a história de Cáceres contada através das lembranças de Estella", novas amizades e tantas alegrias que nem tenho como contar. E continua rendendo ...
Nesta sexta-feira, dia 27, a edição feita com o esmero e o carinho característicos do pessoal da Editora Entrelinhas, de Cuiabá, será lançada na Câmara Municipal de Cáceres (às 20h).
Confesso que o evento está mexendo comigo. Estou vivendo um turbilhão de emoções: alegria, orgulho e uma pontinha de medo de enfrentar a saudade - da minha vidinha em Cáceres, dos meus amigos, de D. Estella e muitas pessoas que já se foram e me ajudaram a escrever este livro.
Mas, parafraseando eu mesma, a saudade é bem-vinda porque me faz sentir viva, suspirar e acreditar num sentindo para minha vida.
Meu livro não quer "endeusar" o passado e sim resgatar o que ele tinha de belo. E trabalhar a saudade, que ainda aperta o coração e nos enche os olhos de lágrimas de vez em quando, resgatando os nossos ideais e sonhos da infância.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"A implosão da mentira"

"Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente."
Esses versos foram tirados de um poema maravilhoso de Afonso Romano Sant'Anna, "A implosão da mentira", e dizem respeito ao episódio do Riocentro - o caso da bomba que explodiu no colo de um militar no estacionamento de um centro de eventos onde se realizava um show de MPB em comemoração ao Dia do Trabalho. O caso ocorreu em maio de 1980, no governo do ex-presidente João Baptista Figueiredo, e os tempos eram outros. Shows do gênero ainda eram considerados atos políticos e podiam ser alvo de atentados à bomba.
Em cima do fato, foi armada uma farsa política em que os militares, por meio de um IPM (Inquérito Policial Militar), sustentaram a versão de que os dois militares tinham sido vítimas de um ato terrorista de esquerda, é claro. Ambos serviam no Doi-Codi no Rio de Janeiro. Um deles, o sargento Guilherme Pereira do Rosário morreu no local e o capitão Wilson Luís Alves Machado ficou gravemente ferido, recuperou-se, mas nunca comentou o assunto publicamente.
O poema de Sant'Anna retrata bem o choque entre as evidências do que tinha acontecido e a versão apresentada pelo governo militar.
Eu me lembrei dessa poema hoje, no supermercado, enquanto lia a chamada de primeira página de um jornal cuiabano dizendo que os seguranças envolvidos no caso da morte do vendedor ambulante Reginaldo Donnan, no Shopping Goiabeiras, sustentaram perante o juiz a versão de que ninguém o espancou. Sua morte teria ocorrido em consequência de uma queda na escada.
E quanto às imagens que cansamos de ver na TV em que o vendedor é levado num container até a viatura da PM (e que foram até alvo de uma "brincadeira" numa festa à fantasia realizada na capital há cerca de um mês)) e aos depoimentos de uma ascensorista e de um encarregado da limpeza que dizem ter visto um homem desfalecido e ensanguentado, e muito sangue nas paredes da sala para onde foi levado?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Me poupem!

O mundo inteiro fala sobre redução de emissões de gases de efeito estufa. O governo discute propostas a levar para a Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP 15), que acontecerá em dezembro, em Copenhague (Dinamarca) e representantes de vários países trocam acusações sobre o não comprometimento de cada nação com a causa ambiental em prol da sobrevivência do Planeta, acuado pelo aquecimento global.
Mas leio nos jornais de hoje que o Brasil aumentou suas emissões. Chego em casa e vejo uma reportagem no Jornal Nacional sobre os impactos na economia e na qualidade de vida das pessoas do sufoco passado no transporte nosso de cada dia. Ouvi uma moça contando que passa cinco horas horas por dia no ônibus para ir e vir do trabalho e seis horas no serviço. Isso é uma loucura!
Um especialista diz que a solução para o problema está na melhoria do transporte coletivo e no fim do individualismo. No intervalo comercial sou bombardeada pela propaganda de carros e me lembro do nosso espanto (meu e das minhas filhas) diante da declaração de uma sobrinha (uma moça de pouco mais de 30 aos) que nunca sonhou em ter um automóvel próprio. Ela é personal trainer no Rio de Janeiro e vai de um trabalho para o outro de bicicleta, faça chuva ou faça sol. Durante esse encontro, ocorrido no domingo, falamos sobre o excesso de carros em Cuiabá e comentei que na casa de uma amiga minha - uma família de cinco pessoas - há quatro automóveis na garagem. Em breve, terá mais um, já que o pai prometeu dar um carro à filha caçula assim que passar no vestibular.
Em suma, muita gente se preocupa com o futuro da Terra, mas quantos de nós estão realmente dispostos a abrir mão do conforto de nosso carro com ar condicionado?
Salvar o Planeta não é tarefa fácil e depende muito mais de atitudes concretas e corajosas do que de discursos ou doações para ONGs ambientalistas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Unemat

Fiquei alguns dias sem postar nada novo e sei que pelo menos uma pessoa sentiu falta. Desculpe o lugar comum, mas sou da geração que cresceu lendo e se emocionando com o livro "O pequeno príncipe", do escritor/aviador francês Antoine de Saint Exupéry. "Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas". Acho que era mais ou menos isso que a raposa dizia ao pequeno príncipe e é assim que me sinto em relação aos leitores deste blog.
Andei em falta com eles nos últimos dias. Culpa do feriado, do calor, da preguiça, do ceratocone que me faz ficar "brigando" com as lentes de contato o tempo todo. Como meus óculos de grau quebraram (ainda não tive tempo de mandar fazer um novo par), ando "fugindo" da tela do computador e deixando de reproduzir neste espaço minhas divagações e reflexões.
Hoje, talvez, deveria falar sobre o fiasco inacreditável e lamentável do "maior concurso púbico do país" (274 mil candidatos inscritos), mas sinceramente nada tenho de novo a dizer, além do que já está publicado em jornais e sites mato-grossenses (aliás, achei tudo tão confuso quanto a organização do próprio concurso).
Lamento, sobretudo, o fato de a responsabilidade maior cair sobre a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que se mostrou incapaz de organizar um concurso de tamanha envergadura. Seria a chance de Cáceres sair um pouco do ostracismo em que vive e ser protagonista de um episódio do qual o estado iria se orgulhar. Ocorreu exatamente o contrário. Por que a menção ao município de Cáceres? Por que é lá a sede administrativa da Unemat, foi lá que a instituição nasceu, cresceu e se estendeu por vários municípios de Mato Grosso.
Como trabalhei lá de 1993 a 2000, conheço muitos dos personagens envolvidos no imbróglio do concurso. Obviamente não tenho competência para julgá-los, mas uma coisa eu me sinto à vontade para dizer: a Unemat tem uma história muito bacana, é uma universidade muito jovem (o Instituto de Ensino Superior de Cáceres - IESC -, semente da Unemat, foi criado há 31 anos), que deu a oportunidade de crescer a muitos jovens do interior mato-grossense que não teriam condições econômicas de sair de suas cidades para fazer um curso superior.
Infelizmente, a Unemat também herdou os problemas crônicos que, na minha opinião, prejudicam demais o desenvolvimento de municípios como Cáceres e são típicos de outras universidades públicas mais antigas: o corporativismo, o interferência da política partidária mais rastaquera, a divisão por grupos que se engalfinham pelo poder. Aos amigos, tudo; aos inimigos, o ostracismo.
A Unemat trouxe coisas boas para Cáceres, mas poderia ter reflexos positivos muitos maiores para a comunidade, se tivesse uma política de extensão mais contundente e se cada um pensasse mais em termos coletivos e menos no crescimento pessoal.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Lançamento

Não sei se falo hoje da minha felicidade ou da minha perplexidade diante de alguns acontecimentos globais. Vamos começar pela felicidade: acabo de falar ao telefone com o vereador Celso Fanaia Teixeira ( o professor Tetinho) que está promovendo o lançamento em Cáceres do meu livro "Cantos de amor e saudade", publicado pela Editora Entrelinhas. Será no próximo dia 27, às 20h, na Câmara Municipal.
Por que fico tão feliz? Porque voltarei a Cáceres, cidade que aprendi a amar e onde vivi por quase 15 anos; porque vou rever amigos queridos; porque terei a oportunidade de mais uma vez reverenciar a imagem de uma das pessoas mais lindas e íntegras que conheci (d. Estella, personagem principal do meu livro) e também de promover o meu trabalho.
Acho que são motivos suficientes para ficar feliz. É muito gostoso sentir o carinho e a empolgação de Tetinho, professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e ex-secretário municipal de Educação de Cáceres, com quem trabalhei na época em que fui assessora de comunicação da Prefeitura local. À medida que a gente vai amadurecendo passa a valorizar mais esses momentos.
Quanto à minha perplexidade, infelizmente, as suas causas não deixarão de existir tão cedo. Vou deixar para comentar o tema em outra oportunidade.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

No front cuiabano ...

Hoje quero comentar duas notícias de política - ou seria justiça? Ou seria polícia?
A primeira é animadora: a Câmara Municipal de Cuiabá cassou ontem o mandato do vereador Lutero Ponce, (PMDB) por quebra de decoro parlamentar. Segundo o jornal Diário de Cuiabá, "após 90 dias de trabalho a Comissão Processante, criada para apurar o suposto desvio de R$ 7,5 milhões do legislativo cuiabano, deu parecer favorável à cassação". Detalhe: as fraudes teriam ocorrido no período em que Ponce presidia a Câmara. Ainda de acordo com o diário, ele foi o segundo vereador a ter seu mandato cassado na história da Câmara Municipal de Cuiabá e isso ocorreu três meses após a cassação de Ralf Leite (PRTB) - aquele que se envolveu com um travesti menor de idade.
Pela primeira vez, desde que moro em Cuiabá há seis anos, começo a botar fé na Câmara Municipal e pretendo agora acompanhar mais de perto os trabalhos do legislativo cuiabano. Ontem, quase atendi ao convite enviado por email para participar de uma vigília cívica em frente à Câmara por causa da sessão que julgaria Lutero Ponce. O relator do processo foi o vereador Lúdio Cabral (PT), meu candidato nas últimas eleições.
A segunda notícia é desalentadora, foi veiculada no portal Terra e replicada pelo blog O Filtro: a justiça proibiu dois blogs cuiabanos de opinarem sobre os processos contra o atual presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PP), contra quem correm - pasmem! - 92 ações por improbidade administrativa e 17 ações criminais. Os blogs censurados pertencem à economista Adriana Vandoni e ao jornalista Enock Cavalcanti. Riva é uma espécie de "imperador" no Nortão mato-grossense e há anos vem se perpetuando no poder, apesar de tantas acusações.
É por essas e outras que tenho tanta dificuldade de convencer minhas filhas de 17 e 19 anos que a política é coisa séria.