quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Em casa

Já estou em casa. Cansada, ainda a pé, mas com perspectiva de pegar meu carro logo depois do almoço.
Esta noite dormi muito mal. Em parte, por causa da tensão de perder a carona (o horário era meio incerto); em parte, por causa do temporal que caiu a noite inteira, inclusive na minha cama. Casa tem esse problema: por mais linda e cuidada que seja, sempre tem goteira.
D. Maria, a simpática funcionária da casa, chegou por volta de 9h, contando que seu bairro - a Cohab Velha - estava alagado. Triste Cáceres: faz um calor danado e quando começa a chover logo se percebem os sinais de alagamento. A água da chuva fica empoçada principalmente em alguns bairros, como a já mencionada Cohab Velha.
A viagem foi tranquila (sob chuva na metade do tempo), mas tenho essa capacidade incrível de dormir no carro. Entrego minha vida ao motorista. Adoro dormir no carro, principalmente se há outras pessoas conversando. Acordei já no trevo de entrada para Cuiabá.
Ah, a noite de ontem foi super agradável, passada entre velhos amigos, que queriam me convencer a ficar em Cáceres para o réveillon. Juro que fiquei na dúvida, mas minha intuição mandou eu voltar para casa, embora meu coração esteja muito ligado às minhas filhas que permaneceram lá, sob os cuidados dos tios, do pai e da avó. E sobretudo delas mesmas.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Força estranha

Estou me sentindo como uma personagem de um filme que nunca vi embora sempre tenha sido fascinada por seu enredo. Chama-se  "O anjo exterminador" do cineasta espanhol Luís Buñuel e pelo que sei a história se passa numa casa da qual os convidados não conseguem ir embora devido a uma força inexplicável.
Pois eu vim passar o Natal em Cáceres com planos de retornar na segunda-feira de manhã e ainda estou por aqui. Como já contei tive um problema no carro no domingo à noite, fui em busca de socorro ontem e o mecânico - um velho conhecido - me disse com bastante tranquilidade que a peça chegaria hoje de Cuiabá. Parecia um conserto simples.
Hoje de manhã ele me ligou dizendo que o dono da autopeças não tinha encontrado a peça e sugeriu que eu ligasse para o meu mecânico em Cuiabá pedindo para ele tentar achar a peça. Diante de tanta incerteza, eu preferi acionar meu seguro (BB) e tentar rebocar o carro para Cuiabá, pois achei que teria menos custos e ainda por cima me livraria da preocupação de ir dirigindo um carro sem tranquilidade.
A noite mal dormida por causa de muita chuva, trovões e relâmpagos foi o empurrão definitivo. Feito isso, relaxei - em termos. Como tenho dois compromissos agendados para hoje com amigos (mesmo que a peça chegasse hoje como esperado inicialmente, eu já estava decidida a viajar amanhã de manhã) e não tenho carona mesmo para hoje, devo viajar amanhã para Cuiabá - de ônibus ou de carona caso surja alguma.
O reboque vai deixar meu carro na oficina em Cuiabá e não sei quando o terei de novo.
Eu devia não ter vindo de carro, eu devia ter acionado o reboque logo, eu devia, eu devia ... Não adianta reclamar e ficar imaginando o que podia ou não podia ter feito para evitar esse transtorno. O jeito é tentar relaxar e tentar entender que "força estranha" não me deixa ir embora de Cáceres - uma cidade que bem poderia ser cenário de um filme surrealista como o de Buñuel.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mudança de plano

Nesses últimos dias do ano o que mais quero é encontrar a paz. Quero realmente acreditar que nada é por acaso e aprender a arte da paciência.
Vim passar o Natal em Cáceres e pretendia retornar hoje para Cuiabá. Ontem, pensei que poderia ficar mais um dia para tentar rever algumas pessoas queridas. Quando retornei para a casa onde estou hospedada, acendeu uma luz vermelha no painel do meu carro. Sinal de perigo.
Dormi preocupada e minha prioridade hoje foi levar o carro num mecânico que me atendia na época em que morava em Cáceres. Foi só colocar água e funcionar o carro para vermos a água esguinchando de uma mangueirinha. Aparentemente o problema era simples, porém Lúcio me ligou depois para dizer que precisaríamos trocar uma peça (cujo nome esqueci) que ele não encontrou em Cáceres. Queria saber se podia encomendar. Diante de minha resposta positiva, nada mais havia a ser feito. Estou aguardando que a peça chegue amanhã e cruzando os dedos para que o problema seja totalmente sanado. De qualquer maneira, na melhor das hipóteses, só devo seguir para Cuiabá na quarta.
Hoje, visitei o professor Natalino Ferreira Mendes, uma das pessoas mais ilustres e queridas de Cáceres, e sua filha Olga, grande amiga e parceira dos tempos da Unemat. À tarde, visitei outra pessoa muito querida, Míriam da Rocha, e saí com uma das minhas filhas.
Constatei o quanto as calçadas de Cáceres são estreitas e irregulares. Tive que caminhar bastante - no inicio,  com um pouco de medo do temporal que se formava - e me diverti com os encontros fortuitos com amigos e conhecidos. Fui até a beira do rio Paraguai e curti a paisagem por alguns segundos. Pretendia curtir mais, porém minha filha mais velha, que tinha ido a uma cachoeira com amigos, me "achou" e tive que ir para casa porque só tínhamos uma chave.
Para amanhã tenho algums planos, inclusive, fazer uma entrevista para um frila.
Meu coração está dividido: por um lado, fico feliz de continuar perto de minhas filhas e de poder (re) encontrar amigos queridos; por outro, quero voltar para minha casa e tocar minha vida.
No meio disso tudo, tem 215 km de estrada.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal!

Acho que a esta altura do campeonato ninguém mais vai frequentar este espaço hoje. Mesmo assim quero agradecer a todos que me brindaram com sua atenção.
Para mim, este blog sempre foi um espaço para desabafar, criticar, elogiar e entender melhor o que se passa dentro de mim e no mundo. Nos últimos dias ando tendo uma certa dificuldade para fazer isso a contento, mas mesmo assim quero desejar a todos uma feliz noite de Natal.
Considerando o Natal como um momento de reflexão e renascimento, acho que todos os dias podem ser especiais. Que assim seja.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Antes tarde do que nunca

O bom do computador e da internet é que você pode atualizar seu blog de qualquer lugar. Hoje, por exemplo, estou em Cáceres, na casa dos meus cunhados.
Viemos no horário de almoço porque minha filha Marina tinha um compromisso às 3 da tarde em Cáceres para o qual não podia se atrasar. Pegamos um solão na estrada e bastante chuva no final, alguns caminhões-malas pelo caminho, mas chegamos. Decididamente não gosto de dirigir na estrada, fico tensa, não enxergo muito bem e só ultrapasso quando tenho muita certeza. Diante disso até que a gente chegou cedo, mas fiquei com dor nas costas, do nada. Acho que foi tensão.
Cáceres me desperta sentimentos conflitantes. Sou muito bem recebida pelas pessoas daqui e deixei grandes amigos na cidade, mas aos poucos a gente vai se distanciando da maioria das pessoas. Fora que muitas pessoas queridas já não moram mais aqui, como Yêda, Bárbara, Vera, Márcia (que está no Rio), etc.
Passei pelas ruas estreitas hoje e me lembrei de quantos Natais passei procurando presentes para minhas filhas nas lojas. Sinto um misto de saudades e tristeza. Foi um bom tempo, mas passou.
Como já alertei em posts anteriores, estou numa fase meio delicada. Nem sei explicar o que está acontecendo comigo, mas de repente me deu uma tristeza grande e uma sensação perigosa de que o mal sempre vence o bem. Uma preguiça de lutar, de brigar pelas coisas, uma sensação de desimportância.
Alguns chamam isso depressão. Acho que é só uma tristeza circunstancial. Tomara. É muito triste ficar triste.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Contradições

Hoje minha cabeça está a mil, poderia escrever uns 10 posts, mas vou me contentar com um.
Eu me aborreci muito com um problema com o meu celular. É uma história comprida e chata, por isso não vou perder tempo com ela. Mas só quero aproveitar este espaço para registrar minha imensa irritação com o representante da empresa (daqui de Cuiabá) que me convenceu a migrar do meu plano empresarial da Brasil Telecom para Oi. Essa novela ainda não acabou, mas hoje devo ter passado mais de meia hora falando com técnicos da Oi e da Brasil Telecom na vã tentativa de conseguir meu celular funcionando de novo na véspera dos feriados de fim de ano.
Pensar que eu vivia tão bem sem celular há menos de 20 anos. Não sei até que ponto essa tecnologia - internet, celular, etc - serve para nos unir às pessoas ou para nos separar.
Calma, gente! Não quero voltar ao passado e nem pretendo viver sem computador, nem celular, mas eu me pergunto o quanto isso realmente me aproxima das pessoas?  
Há algum tempo eu estava eufórica porque a internet me ajudou a reencontrar velhos amigos da faculdade. Foi uma delícia, mas isso não me impede de me sentir menos sozinha neste final de ano.
Eu me recordo que uma vez fiquei chocada de saber que uma amiga, muito jovem, bonita e querida, tinha passado a virada do ano batendo papo com outras pessoas solitárias no msn.
Concordo que você pode estar no meio da multidão na Avenida Atlântica em Copacabana e se sentir extremamente sozinha, ou numa festa ... Mas minha ideia de um bom Réveillon está longe de estar em casa batendo papo pelo computador, a não ser que você esteja conversando com alguém muito especial que esteja circunstancialmente longe.
Na verdade, adoro romper o ano numa festa, dançando, cercada de gente bacana e música boa, ou então num lugar bem tranquilo, tipo uma fazenda ou uma casa de praia, com poucos e bons amigos, ou alguém muito especial.
O réveillon mais estranho que já passei até hoje foi com um ex-marido: a gente estava indo para uma casa de campo de amigos em algum lugar da serra fluminense, mas nosso carro quebrou e acabamos passando a noite dentro do veículo no meio do nada. Lembrando agora é engraçado, mas na época não foi nada legal, já que eu estava apavorada e sem poder usar um banheiro. No dia seguinte, tivemos sorte e um membro de um grupo de malucos que passava pelo local acabou resolvendo o problema do carro.
Já passei viradas de ano no Pantanal - a primeira  tinha tudo para ser ótima, só que fiquei tão nervosa que acabei bebendo demais e apaguei antes de meia-noite.
Enfim, faz tempo que deixei de acreditar que um bom Réveillon era sinal de um ano próspero. 
Mas, retornando ao tema inicial - a comunicação - não posso deixar de mencionar um post recente de minha amiga Dete http://piassa-braziliansoul.blogspot.com/ em que ela comenta sobre a falta que sente de receber cartões de Natal e cartas em papel de verdade. Compartilho em parte de sua frustração, mas tenho que confessar: morro de preguiça de comprar bloco de carta, cartão, envelope, escrever à mão e depois ter que ir ao Correio enviar a correspondência.
Por outro lado, guardo com carinho cartas e cartões que recebi há décadas como a única carta que recebi de meu pai (falecido em 1961). Durante muitos anos ela era a prova inequívoca de que eu tinha tido um pai que parecia me amar.
Hoje, realmente estou um poço de contradições.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quase Natal

Hoje li o post novo de Valéria, sobrinha-neta que está na Áustria (http://valeriapiassapolizzi.blogspot.com/). Tão bonito!
Ela fala de uma realidade tão distante: neve, Jesus Menino que traz presentes para as crianças que se comportam durante o ano, etc. Fala também de um sentimento de introspecção, que contrasta com o Natal daqui, "um evento mais expansivo". O que importa é que ela parece muito feliz.
Aqui, em Cuiabá, está um calor de rachar, como sempre, mas acho que estou mais num clima de introspecção do que de um "evento expansivo".
 Hoje, no final da tarde de um dia de trabalho, fomos eu e minha filha para o cinema assistir ao filme "A rede social". Muito bom. Para quem não sabe, é baseado na história do criador do Facebook (Mark Zuckerberg) e retrata bem o ambiente em que surgiu o mais novo milionário do mundo. Li que o próprio não ficou muito satisfeito com o filme dirigido por David Fincher (o mesmo de "O curioso caso de Benjamin Button" e de "Clube da luta", que não tive coragem de ver).
O cara é um nerd sem muitos amigos, mal sucedido com as meninas  e, meio sem querer, acaba criando um novo site de relacionamento que é a atual coqueluche da internet. Minhas filhas, por exemplo, agora vivem no Facebook. Até pouco tempo, a onda era o Orkut.
Na minha opinião, o filme tem umas sacadas geniais (inclusive, a trilha sonora é muito boa), que prefiro não comentar aqui para não estragar o prazer de quem ainda vai assisti-lo. O protagonista realmente se tornou um cara popular e provavelmente pode ter hoje as mulheres que quiser, mas me passou a sensação de que ele continua muito solitário e com grandes dificuldades afetivas. Mas está riquíssimo.
Após o filme, minha filha e eu demos uma andada no shopping para procurar uma sandália para ela, mas acabamos não comprando nada. Decididamente não fui fisgada este ano pelo instinto de comprar presentes. Achei o shopping menos cheio do que esperava.
A não ser pela fila de crianças querendo tirar foto com Papai Noel e as luzes piscando na fachada, nem parecia que era Natal.
Tenho mais três dias para entrar no clima natalino, mas acho que este ano estou mais inclinada à introspecção.