sábado, 30 de outubro de 2010

Menos...

Meu post de ontem, escrito de boca fechada e com um fiapo de voz, acabou assustando alguns leitores mais amigos.
Calma, gente! Não sou hipocondríaca, mas sou meio dramática.
Por outro lado, meu organismo - talvez até por não ser muito contaminado - responde super bem a medicamentos em geral. Hoje, sou outra pessoa. Ainda estou rouca, mas minha garganta está doendo bem menos e consegui dar quatro horas de aula de inglês sem parar de falar. Ainda bem que as turmas são pequenas e não preciso gritar.
Mas, para evitar uma recaída, vou continuar evitando cantar e falando o mínimo possível nos próximos dias até eu me sentir 100% recuperada.
Ah, aproveitando o ensejo, ainda não li qualquer comentário sobre o debate de ontem, mas eu achei muito chato. Até gostei das perguntas dos indecisos escolhidos - bem formuladas, baseadas em situações concretas, mas os candidatos têm uma capacidade de "viajar" na maionese e prometer mundos e fundos que ninguém merece. Resultado: dormi no sofá boa parte do tempo.
Ouvir Dilma falar em combate à corrupção como se fosse uma coisa distante num reino "far, far away" é dose pra leão.
Tinha horas que me dava uma vontade de rir ... Eu via o Serra passeando de lá pra cá ou olhando de soslaio enquanto a Dilma respondia e tentava imaginar o que estava passando na cabeça dele. Uma hora imaginei que ele surtava e pulava no pescoço dela por trás. Ia ser engraçado.
Eu não mudei meu voto. Você mudou? Quanto aos indecisos ...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

No estaleiro (por uns dias)

Acabei de vir do Pronto Atendimento do Hospital Otorrino de Cuiabá (aliás, fui muito bem atendida) e descobri que estou com laringite e faringite. Muito chato! Além da garganta estar doendo há seis dias, estou me sentindo indisposta.
É engraçado esse lance de doença. Qual o momento exato de procurar ajuda? Não me considero hipocondríaca e detesto tomar remédios, por isso tendo a partir para soluções caseiras, do tipo fazer gargarejo com água e sal (em caso de dor de garganta), tomar vitamina C e um analgésico (em caso do dor). Como hoje acordei com mais dor do que ontem e mais afônica, achei que estava na hora de trocar a caminhada por uma ida ao hospital.
O médico receitou nebulização, um antibiótico e um antialérgico (que me deu de amostra grátis). Mas o pior foi a recomendação para ficar 10 dias sem cantar! Ele disse que minhas cordas vocais estão muito vermelhas.
Na verdade, o sinal de alerta veio no sábado depois de quatro horas de aula de inglês. Achei que era um resfriado por causa da mudança de tempo; à noite fui ao Chorinho, tomei caipirinha de limão (outra receita "familiar"), cantei e piorei. Na quarta, fui ao ensaio do coral, me esforcei bastante e - erro fatal - fui de novo ao Chorinho, tomei cerveja, cantei ...
Há pouco mais de uma semana a filha de uma amiga foi parar no hospital no meio da noite por causa de dores fortíssimas no abdomen. Ela vinha sentindo dores há alguns dias, mas não procurou o médico. Resultado: teve que ser operada de apendicite (apêndice supurada). Ela teve sorte porque sua mãe ligou na hora que saiu de casa para um médico amigo da família que acabou fazendo a cirurgia.
No ano passado, também tive uma apendicite, mas no meu caso procurei o médico logo e ele me disse que era "síndrome do intestino irritado". Minha irmã Jane, que não é médica e mora no Rio de Janeiro, suspeitou de apendicite. Passei mais de uma semana com dores, tomando remédio para outro problema e alertando o médico para a possibilidade de apendicite. Ele dizia que se eu estivesse com problema na apêndice não estaria caminhando e trabalhando normalmente. Até que comecei a ter febre ("Não seria uma infecção urinária?" - perguntou) e o médico resolveu pedir um exame do abdomen (acho que foi uma ressonância) e o de sangue. No dia seguinte, de posse dos resultados dos exames, decretou: "Você está com apendicite". E ainda comentou com a enfermeira: "Quem iria dizer que ela está com apendicite?". Tudo correu bem, ele parece ser um ótimo cirurgião e, apesar da apêndice superada, estou aqui, mais de um ano depois, para contar essa história.
Moral da história? Não tem ou tem várias:
1-Se você estiver sentindo dor, não adote a atitude do "deixa pra lá, já vai passar", pois isso pode lhe custar a vida.
2- Não confie demasiadamente no médico, mesmo que ele seja considerado um ótimo profissional. Todos podem errar e, se ele errar, o máximo que vai acontecer é sua família entrar com um processo, mas isso não fará a menor diferença para você.
3- Talvez acha um fator imponderável em tudo isso (ou vários) e aí o jeito é contar com a sorte ou rezar.
No meu caso, hoje, o jeito é ficar de boca fechada o máximo possível e seguir as recomendações médicas.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mundo cão

Até que enfim o STF decidiu alguma coisa em relação à Lei da Ficha Limpa! É pouco, convenhamos, depois de tanta discussão, mas confesso que comemorei o fato de o Supremo Tribunal Federal ter decidido manter a decisão do Supremo Tribunal Eleitoral de barrar a candidatura de Jader Barbalho (PMDB-PA). Infelizmente essa decisão não é extensiva a todos os casos pendentes da nova Lei, como o do deputado federal Pedro Henry (PP-MT) que busca a reeleição. Henry não renunciou ao cargo para fugir à punição de seus pares, ele se manteve deputado por força de liminar!
O ideal era que o STF tivesse decidido sobre a validade da Lei nas eleições deste ano antes de 3 de outubro, mas houve empate nos votos e o presidente do STF não quis usar a prerrogativa de dar o voto de Minerva (ainda bem, já que ele tem votado contra a Lei da Ficha Limpa) na ocasião. No julgamento do caso de Jader, ocorreu o mesmo, mas aí apelaram para um regimento interno e por 7 votos a 3 decidiu-se manter a decisão do STE. Pelo menos foi um bom começo. Quem sabe outros fichas sujas continuem barrados?
Essa boa notícia fica obscurecida por algumas muito ruins, como a das mortes na Indonésia em decorrência do tsunami e da erupção de um vulcão, e a da epidemia de cólera no Haiti. Aproximadamente três centenas de mortes de um lado e do outro do Planeta nas condições mais terríveis. E quanto aos que ficaram: os feridos, desabrigados, doentes? É muito sofrimento para um povo só.  
Os haitianos passaram por um terremoto terrível em janeiro deste ano e milhares vivem ainda em tendas e barracas. A cólera era considerada doença erradicada no país há mais de um século, segundo notícia veicula no G1. Situadas numa região conhecida como "Anel de Fogo do Pacífico" por ser de grande atividade sísmica e vulânica,  as ilhas da Indonésia são constantemente castigadas por terremotos, tsunamis e erupções de vulcão de maior ou menor intensidade. 
Todo esse sofrimento parece próximo e distante ao mesmo tempo. As notícias chegam quase em tempo real, com fotos e imagens de gente sofrendo, desesperada, com medo. A gente assiste e...   

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

É dilmais!

Desculpe o trocadilho: é o único toque de humor num post marcado por tristeza, frustração e preocupação.
Eu ainda não entreguei os pontos. Não vou viajar no feriadão, vou cumprir meu dever cívico mesmo que isso represente apenas mais um voto. É o meu voto de protesto.
Como confiar num partido que recorre ao expediente ridículo de usar indevidamente nomes de intelectuais num manifesto de apoio à sua candidata à presidência da República? Primeiro, foi o cineasta José Padilha, um nome na moda por causa do sucesso de "Tropa de Elite 2". Agora acabo de saber no blog do jornalista Ricardo Noblat  http://oglobo.globo.com/pais/noblat/ que a escritora Ruth Rocha, autora de best-sellers infanto-juvenis, enviou uma carta à Dilma deplorando a inclusão de seu nome no tal manifesto.
Há dois dias, vi no blog de um amigo um vídeo feito por estudantes em que eles justificam o voto em Serra. Na verdade, o vídeo é uma pegadinha em que os participantes recorrem a razões bem absurdas para "justificar" o suposto voto no candidato do PSDB, ou seja, todos são a favor da candidata do PT. A proposta é criativa, mas se baseia em argumentos falsos. Por exemplo, um dos rapazes diz que vota em Serra porque ele é capaz de perdoar seus algozes da época de ditadura e recebê-los como aliados. Hello! O PT não fez e faz o mesmo o tempo todo?
Eu queria ver o frei Leonardo Boff, Chico Buarque e todos que apoiam o PT de braços dados com José Sarney, Fernando Collor de Mello, e os mato-grossenses José Riva, Pedro Henry (que provavelmente vocës não conhecem) na grande caminhada em comemoração da vitória petista!
Ontem, no final da tarde, ouvi no salão que frequento (e onde a maioria se disse eleitora de Serra) uma funcionária dizendo que se Dilma ganhar, vai se aliar a Evo Morales e fazer guerrilha no Brasil - alguma coisa assim. Acho isso uma bobagem e tenho medo dessas radicalizações. Nem Dilma vai retomar seu passado de guerrilheira (para que abandonar o salto alto e o modelito executiva moderna?), nem tampouco vai erradicar a miséria. Serra também não é o salvador da Pátria,  mas eu temo essa megalomania do presidente Lula & cia, a falta de escrúpulos e a proteção aos "companheiros" acima de qualquer coisa, mesmo que esse título "companheiro" abrigue um rol de pessoas cada vez mais suspeitas.
Durma-se com um barulho desses ...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Saudades

Hoje acordei com saudades. Durante a aula de yoga me bateu saudades de Gandhi - do Mahatma e não de Indira, sua filha.  Pensei na grandeza do líder indiano, em sua política de não violência e em seu assassinato. Provavelmente ele não ficava tão preocupado em atacar seus adversários e proteger seus correligionários a qualquer custo. Ele lutava por uma causa maior: a indepedência da Índia e o fim do domínio do Império Britânico.
Depois, enquanto esperava por minha filha no Detran - ela foi solicitar sua CNH definitiva -, tive saudades de minha filha caçula que não vejo desde as férias de julho. Nunca fiquei tanto tempo sem ver seu sorriso e seu olhar sempre tão carregado de carinho. Liguei na hora pro seu celular e pude, ao menor, ouvir sua voz plena de alegria diante da perspectiva de um feriado que ela vai curtir ao lado do pai, em Brasília, por opção nossa.
Agora, vendo uma foto de 22 artistas famosos enviada há alguns dias por uma amiga, tive saudades da criança que fui quando aqueles rapazes e moças eram jovens ainda em busca da fama.
Na foto, aparecem, entre outros, Chico Buarque, Edu Lobo, Francis Hime, Vinícius de Morais, Zé Keti, Caetano Veloso, Torquato Neto, Capinam e Nélson Motta. As mulheres são minoria na foto e, segundo o email enviado, apenas duas são conhecidas: Olívia Hime e Tuca, sendo que pouca gente das novas gerações deve conhecê-las.
O email não menciona a data da foto, que consta do livro "Noites cariocas" de Nélson Motta (mais um na lista!), mas imagino pelas carinhas de menino da maioria deles que deve ter sido tirada em meados dos anos 60. Eu era uma menina na época, cheia de sonhos (inclusive, era totalmente apaixonada pelo compositor Nélson Motta, autor de umas minhas composições preferidas até hoje,"De onde vens ", uma parceria com Dori Caymmi).
Há alguns anos, um amigo meu, Johann, um alemão que conheci em Cáceres e de quem perdi contato, me disse numa carta que quando a gente chega aos 50 está na hora de retomar nossos sonhos e correr atrás deles.
É isso que eu tento fazer, embora às vezes - diante das decepções, compromissos e obrigações financeiras - fique difícil pra caramba. Mas sempre há tempo para se correr atrás de nossos sonhos desde que a gente consiga - por um milagre - manter um pouquinho da criança que a gente foi um dia.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2

Hoje quero falar sobre cinema. Assisti na última semana a dois filmes fantásticos que vão para minha galeria de "filmes inesquecíveis". Um deles é "Tropa de Elite 2", dirigido por José Padilha. Todo brasileiro tem obrigação moral de assistir a esse filme.
Ontem estava conversando com uma irmã que mora no Rio de Janeiro e não gosta de filmes violentos, e eu tentava convencê-la a assistir a "Tropa de Elite 2". Obviamente ela não viu o primeiro.
O filme é barra pesada (o número 2), embora as pessoas, em geral, digam que tem menos cenas de violência que o primeiro. O problema é que a violência neste segundo filme é mais onipresente, onipotente, onisciente e difícil de combater. Enquanto os "inimigos" são os traficantes do morro, chama o Bope para resolver, mas e quando eles estão no poder: são governadores, secretários de Segurança Pública, comandantes da PM e deputados? Chama o capitão Nascimento? Mas se ele nem deu conta de impedir que alguns dos algozes chegassem a Brasilia?
O filme é tão didático (embora em alguns momentos fique confuso para quem não está tão acostumado às artimanhas dos poderosos) que deveria ser exibido em todas as escolas, devia fazer parte do currículo escolar.
Ele revela um câncer de nossa sociedade que dificilmente será extirpado: as milícias que entram nas comunidades para "apaziguar" e "afastar o tráfico", mas na verdade implantam o terror e a corrupção de uma forma muito mais perigosa, já que as fronteiras entre quem é bandido e quem é polícia deixam de existir e os inocentes, esses sim dançam.
Quando isso vai acabar? Como mudar um sistema corrupto e violento, que se baseia na hipocrisia e cujos tentáculos atingem o poder central? E principalmente por que matar?
Essas perguntas ficaram na minha cabeça depois do filme. Não tenho as respostas obviamente, mas "Tropa de Elite 2" me mostrou que de alguma forma sempre estive certa. Violência gera violência e não consigo vibrar - como algumas pessoas - quando têm esses massacres ou rebeliões em penintenciárias. Geralmente quem sofre as consequências são os "soldados", a arraia miúda, enquanto os verdadeiros chefões estão protegidos em suas mansões e fortalezas.
Isso tudo só vai mudar quando o ser humano for mais evoluído, for menos crédulo e menos propenso à violência. Acredito que numa sociedade mais justa, onde todos tiverem acesso a direitos básicos (alimentação, saneamento básico, moradia, saúde e educação) haverá menos espaço para manipulação, corrupção e violência. É claro que sempre haverá pessoas inescrupulosas, egoístas e atraídas pela violência, mas nessa minha sociedade utópica, elas seriam minoria, seriam a exceção e não a regra.
E quanto ao outro filme anunciado no início deste post,  vou deixar meu comentário para amanhã.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Lição de cidadania

Desde que acordei hoje estou escrevendo este post. Fui caminhar no parque, passei no supermercado, voltei para casa, trabalhei um pouco, dei atenção para diarista, fui atrás de encanador, atendi o dito cujo, almocei, fui levar minha filha na UFMT, preparei aula, li e respondi emails, dei uma olhada no noticiário, etc, etc, etc.
Pensei tanto que achei até que já tinha escrito, mas chega de enrolação! O que quero dizer é o seguinte: que tipo de mensagem nossos líderes politicos estão passando para a sociedade, especialmente os jovens nessa atual campanha? Porque ou o atual presidente da República e sua candidata à sucessão estão mentindo descaradamente ou outro candidato a presidente está.
Ontem, assisti ao programa do Serra e ao da Dilma, em que se tentou mostrar que todo o episódio em torno da agressão numa caminhada de campanha não passava de uma farsa escabrosa. Após o horário politico, volta o Jornal Nacional e rola uma reportagem imensa mostrando que a argumentação do PT era em cima de um "evento", o da bolinha de papel, enquanto a agressão de fato teria acontecido num segundo "evento", o do rolo de fita.
Seria muito cômico se não fosse muito sério. Eu fiquei triste.
O noticiário fica anunciando os resultados de pesquisas, mas todo o histórico do primeiro turno mostra que não se pode confiar em pesquisas.
Tem hora que dá vontade de desligar a TV, não ler mais os blogs e sites, e ficar só num mundo de fantasia. Saber o que vai acontecer em Ti-ti-ti, quem vai ficar com quem em Passione, etc.
Mas isso também é tão repetitivo...
Uma vez neste blog citei um poema maravilhoso de Afonso Romano Sant'Anna, "A implosão da mentira". Acho que vou me repetir e terminar esse post com um trecho dele.
Quem diria? O coronel Job Lorena de Sant'Anna, escalado pelo Exército para dar a versão oficial do episódio da bomba no Riocentro, acabou fazendo escola!

Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo de alma, completamente.
E mentem de forma tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.