sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Em busca da mocidade perdida

Parece que foi um sonho ... Foi tudo tão rápido. 
No último domingo, estive no Rio de Janeiro com a finalidade de participar de um encontro de colegas do Colégio Santo Inácio, em comemoração aos 40 anos da Turma de 1974.
Encontrei casualmente um colega dessa turma durante uma caminhada pela Praia de Ipanema na manhã desse domingo. Perguntei a ele se pretendia ir ao encontro e ele respondeu: "Boa lembrança". Mas não apareceu.
Meu colega deve ter suas razões para não ter ido ao encontro, como muitos não foram. 
Mas houve outros que vieram de fora - de Brasília, São Paulo, Santa Catarina. É claro que todos têm parentes no Rio como eu e aproveitaram a viagem para rever a família e outros amigos. 
Para mim, o encontro foi muito significativo, embora frustrado pela impossibilidade de ficar mais tempo já que precisava pegar o avião de volta a Cuiabá para trabalhar no dia seguinte (tentei uma folga na segunda, mas não consegui). 
Embora tenha aproveitado o encontro para um papo mais longo e privado com uma de minhas melhores amigas, eu precisava de mais tempo para poder saborear melhor o reencontro com os colegas do CSI.
Mesmo que eu fique mais 40 anos sem rever aquelas pessoas, gostaria de poder sentir melhor em que se transformaram aqueles jovens cabeludos, de uma época em que muitos de nós insistiam em ir à escola (uma das mais tradicionais do Rio) de Havaianas (daquelas antigas, de solado branco) e calças jeans surradas. E os cabelos? A maioria dos meus melhores amigos  se escondia atrás de vastas cabeleiras que lhes davam um ar rebelde e charmoso, no meu ponto de vista.
Fico me perguntando em que se transformaram aqueles jovens. Quantos realmente realizaram seus sonhos de juventude? Sei que alguns já nos deixaram e muitos deles foram lembrados no breve discurso de um colega, que não tive o prazer de escutar pessoalmente.
Para muitos desses meninos, que estudaram no Santo Inácio desde crianças, aquele prédio, aqueles pátios e corredores guardam muitas lembranças. Talvez alguns deles não guardem tão boas lembranças daqueles tempos e por isso sequer tenham vontade de rever os colegas. Talvez.
Para mim, mesmo que eu só tenha passado três anos lá, o Santo Inácio representou muito. Foi lá que consegui pela primeira vez me aproximar de meninos - seres que me pareciam extremamente assustadores. É claro que aos 16 anos eu já tinha tido alguns namoricos e, na verdade, não namorei ninguém no Santo Inácio, mas fiz muitos amigos, tive algumas paixões e sei que, modéstia à parte, também despertei paixões.
Foi um tempo de muitas descobertas e guardarei para sempre o prazer de tudo que aprendi, em sala de aula, nos corredores, no pátio e nos encontros na casa de Correias. 
Realmente gostaria de ter ficado mais, talvez até para reencontrar nos olhos e nas lembranças de meus colegas a adolescente tímida e sonhadora que fui nos anos 70. 
É mais talvez eu precise reencontrar essa menina sozinha ... Talvez eu nem a reencontre mais.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Paulo Monarco - Inteiro



Em meio a tantas notícias ruins, encontrei meu oásis desta semana no show do compositor Paulo Monarco, no Teatro do Sesc Arsenal, na última terça-feira.
Há muitos artistas sensacionais em Mato Grosso, mas tenho um carinho especial por dois jovens talentos: Estela Ceregatti e Paulo Monarco, que já foram personagens de alguns posts neste espaço.
Estela ainda mora em Cuiabá, embora viaje cada vez mais para fazer shows fora de Mato Grosso com seu grupo Monofoliar.
Já Paulo bateu asas há uns dois anos e hoje mora no Estado de São Paulo. Continua viajando muito, encontrando novos parceiros, levando sua arte a outros rincões.
Quando ele volta aqui sempre procuro assistir à apresentação para conferir como está evoluindo seu trabalho e se continua o Paulo de sempre. Confesso que não fiquei tão entusiasmada nas duas últimas apresentações às quais assisti, mas na semana passada a chuva que caiu em Cuiabá acabou "atrapalhando" o show marcado para sábado no Jardim do Sesc Arsenal, mas, por outro lado, acabou nos brindando com uma apresentação bem intimista, que aconteceu na terça, no teatro, só para "iniciados".
A plateia era praticamente formada por velhos fãs de Paulo - gente como eu que vai atrás dele faça chuva ou faça sol. Não sei o quanto o show foi diferente da apresentação que aconteceria no jardim (não tive tempo de perguntar), mas durante quase duas horas (coisa inédita para os padrões do Sesc Arsenal) assistimos a um "pocket show", em que Monarco conversou muito com a plateia, embora sempre repetisse o bordão "Chega de conversa".
Apresentou suas composições, cada parceiro, contou histórias de bastidores, falou sobre seu processo de compor, interpretou antigos sucessos (cujas letras a maioria do público sabia de cor), apresentou novas canções, negociou os pedidos de bis e se mostrou um artista inteiro e de grande personalidade.
Conheci Monarco em 2008 (há seis anos!) quando ele ainda se apresentava no bar Choros & Serestas (Chorinho) ou no Clube da Esquina interpretando composições de Chico Buarque e outros bambas, enquanto ia introduzindo algumas composições suas. 
Aos poucos, foi abandonando o lado "cantor de bar" para se dedicar integralmente ao trabalho autoral. Já tinha cativado seu público ... Pena que esse público tenha permanecido mais ou menos o mesmo já que suas vindas a Cuiabá vão se tornando mais raras.
Por outro lado, acredito que esteja ganhando novos fãs em outros estados. 
Como ainda é muito jovem (27 anos), deve ir longe e espero poder continuar acompanhando sua evolução.    
Quem ler este post até o final e tiver curiosidade de conhecer mais Paulo Monarco, procure no Youtube.  Tem bastante coisa dele. No momento, (re) descobri a canção "Lata de tinta". É muito boa!
A propósito, se eu tivesse que definir o estilo de Monarco, não saberia o que dizer: samba, rock, pop? Só sei que suas melodias têm estilo, são surpreendentes e se casam muito bem com as letras escritas por seus parceiros, verdadeiras "teses", segundo o próprio Monarco.

PS: Não encontrei um vídeo de "Lata de tinta" na voz de Monarco, mas encontrei outros vídeos bem legais, que compartilho aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=nS-mpKxX_zc
https://www.youtube.com/watch?v=ZVDhTIhgYBQ 
https://www.youtube.com/watch?v=utafOZOZUXo


 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

E ainda há quem ache graça

Ontem fiquei especialmente tocada com dois acontecimentos aparentemente desconexos.
No primeiro, ouvi a conversa de alguns colegas de trabalho relatando fatos trágicos ocorridos em diversas cidades brasileiras: agressões terríveis feitas por namorados a namoradas, ou a assaltantes. O que me chocou foi o fato de saber que eles recebem vídeos mostrando essas agressões e até acham graça. E eles, meus colegas, são pessoas "normais", tipo gente boa que parece incapaz de fazer mal a uma mosca.
Fiquei chocada, mas me calei. Por quê? Medo de não ser compreendida por não entender por que as pessoas se divertem assistindo a vídeos desse tipo. É como se tudo fosse uma grande farsa e o sangue, a dor do outro não fossem reais. 
Eu odeio assistir a brigas (reais ou fictícias), a lutas (de boxe, MMA, etc) e a qualquer tipo de filme ou qualquer espetáculo que tenha a violência como tônica ou fim em si mesmo.
Sei que a violência existe, mas não consigo aceitar que ela seja transformada em espetáculo. Isso me remete aos tempos em que gladiadores lutavam até a morte e cristãos eram devorados por leões no Coliseu romano ou em outros tipos de arena.
Chego a pensar que se tive vidas passadas devo ter sido uma vítima desse tipo de "espetáculo" ou vilã de tal forma que essas coisas mexem comigo. 
E o outro fato? Foi a leitura de uma notícia sobre o relatório feito por um brasileiro, Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão da ONU, sobre a violência na Síria (http://oglobo.globo.com/mundo/violencia-afetou-ate-4-milhoes-na-siria-diz-paulo-sergio-pinheiro-3344107)
Fiquei extremamente chocada com os fatos levantados pelo relatório, como o caso de um jornalista de oposição, preso e torturado pelas forças do governo e depois por representantes do Estado Islâmico. Há também relatos de apedrejamento de mulheres até a morte. 
Como ficar indiferente e insensível a esses fatos? E, ao mesmo tempo, o que fazer para impedi-los? Eu me sinto terrivelmente impotente e resisto à ideia - tão aceita por alguns - de entregar tudo às mãos de Deus ("Deus no comando", dizem) ou de achar graça em tudo isso. 
Na Síria, na África, em Cuiabá ou em qualquer parte do Brasil, a violência me choca e me faz acreditar menos no ser humano. Quero ser positiva, pensar em coisas boas, mas esses fatos e relatos de casos de violência insistem em martelar minha consciência e desafiar meu equilíbrio.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Compartilhando

Outro dia ouvi uma frase que me tocou, dita pela estilista Martha Medeiros num evento de moda. Ela disse algo mais ou menos assim: "Quem compartilha, cresce". 
Eu tenho a maior vontade e, ao mesmo tempo, a maior dificuldade para compartilhar. Isso pode parecer contraditório, e é. Tem um lado meu que tem vontade de gritar para o mundo meus sentimentos, minhas angústias e todas as minhas incertezas e certezas.
Esse blog nasceu dessa vontade e cumpriu o seu papel de ligação com o mundo. 
Eu ficava feliz quando minha irmã Jane comentava que um amigo de sua filha dizia para ela que seguia e curtia meu blog. Achava aquilo tão improvável: que uma pessoa do Rio de Janeiro gastasse alguns minutos de seu dia para ler minhas observações sobre a vida em Cuiabá, minhas viagens e sobre o interior - do País e meu. 
Durante alguns anos, alimentei o blog constantemente, fiz novos amigos através dele e me conectei mais com outras pessoas, conhecidas ou não. 
Aos poucos, fui perdendo a vontade de escrever, talvez em parte por conta do Facebook. A rede social atende àquela necessidade mais urgente de desabafar, contar alguma cena interessante, de compartilhar um pouco do que você é. Por outro lado, as redes sociais banalizam o ato de escrever: escreve-se tanto e sobre tanta coisa (muita bobagem) que a gente acaba perdendo o tesão de escrever mais, de ir um pouco mais fundo. Para quê?
Essa é a pergunta que sempre me fiz: para quê se escreve? Para informar, para confundir, para despertar, para tocar, para alegrar, para existir?
Estou atravessando uma fase difícil, mas necessária.  Minhas duas filhas que amo de paixão estão fora de casa: a mais velha na Austrália, vivendo sua experiência de estudar e trabalhar num país estrangeiro; a mais nova no interior de São Paulo, concluindo seu curso de graduação, após um ano vivendo na Europa por meio do programa Ciência sem Fronteiras.
Elas sabem que tenho muito orgulho delas e que fico muito feliz que estejam vivendo tudo isso, mas o vazio que fica é muito grande e nem um pouco fácil de ser preenchido. Tento preencher esse vazio com trabalho, academia, música, mas ele persiste. Às vezes, é bom ficar sozinha e sentir o tamanho dessa dor. 
Hoje tive vontade de recorrer ao bom e velho "cá entre nós". Talvez ninguém vá ler o que escrevi, mas sendo assim retomo o sentido original do blog - uma espécie de diário onde a gente se expõe e compartilha aqueles sentimentos e opiniões que não tem coragem de dizer de viva voz. 
Acho que é por isso que meu blog não fez "sucesso" no sentido mais comum do termo: não quero vender nada, não tenho nada a ensinar. Apenas compartilho algumas experiências bacanas e meus sentimentos sem qualquer preocupação literária ou de estilo. 

domingo, 13 de julho de 2014

Teve Copa




Os últimos 30 dias foram atípicos. Tiveram momentos de muita expectativa e ansiedade, momentos deliciosos (como as horas passadas com meus hóspedes estrangeiros: a australiana Jennifer e seu marido, o holandês Ruud; os canadenses David e Désirée; o chinês Sam e sua namorada, a filipina Johana) e momentos de decepção.
Foi muito gostoso a realização de alguns jogos da Copa em Cuiabá, apesar de toda expectativa negativa e da raiva passada por conta do atraso de muitas obras (para falar a verdade, essa raiva não é passado e continua viva). A Arena Pantanal ficou linda, cumpriu seu papel e agora a pergunta que fica é: o que será feito desse grande estádio a partir de agora? 
Os turistas vieram, principalmente chilenos e colombianos, e saíram satisfeitos com a hospitalidade mato-grossense.
Foi uma delícia assistir a alguns jogos do Brasil no bar Choros & Serestas (o meu querido Chorinho), apesar de o local ter sido cenário da partida fatal com a Alemanha. 
Falar desse jogo é chover no molhado: não acho que ocorreu um apagão de 5 ou 6 minutos. Acho que nossa seleção era fraca, muito dependente de um jogador só (Neymar) e se perdeu muito tempo com firulas. Cabelinho pra cá, visitas nada produtivas, enfim, prevaleceu o show e faltaram treino, aplicação e um esquema de jogo mais inteligente. Faltou trabalho.
Alguém pode dizer que é fácil falar depois do leite derramado. Nunca cheguei a me empolgar com essa seleção (difícil se empolgar depois de um jogo como aquele contra o México), embora tenha curtido muito o jogo contra a Colômbia. Fiquei sempre na saudade dos grandes escretes que vi jogar, que podiam até perder (como perdeu a geração de Zico e Sócrates), mas impunham respeito em campo e faziam nosso coração disparar de orgulho e emoção, e não de medo de rodar - ou de levar uma goleada histórica.
Tomara que o que aconteceu sirva de estímulo para mudanças. 
Gostei da vitória da Alemanha. Embora quisesse permanecer neutra (afinal, tínhamos a possibilidade de um campeão sul-americano), não escondo que torci pela seleção alemã, por ene razões ... Seria insuportável ficar ouvindo Maradona e outros argentinos curtindo com a nossa cara. Pelo menos, no caso dos alemães, não teremos que ouvir gozações e, se ouvirmos, não entenderemos ...
Andei fazendo uma pesquisa básica num momento mais monótono do jogo deste domingo e constatei que em 20 torneios de Copa do Mundo, o Brasil sagrou-se pentacampeão, Itália e Alemanha são tetra, Uruguai e Argentina são bi e os outros campeões são Inglaterra, França e Espanha. 
Faz 12 anos que um time sul-americano não ganha uma Copa, já que os últimos campeões foram Itália (2006), Espanha (2010) e agora Alemanha. 
Tivemos grandes representante do futebol americano nesta Copa e no final grande parte dos latino-americanos (pelo menos os brasileiros) torceu por uma seleção europeia. Fazer o quê?
Antes que eu me esqueça, não podemos deixar de destacar a prisão de lideranças dos protestos de rua, nos últimos dias. Confesso que ainda não me informei suficientemente sobre o assunto, mas ao que tudo indica as prisões foram arbitrárias. Pelo que vi hoje o pau voltou a comer no Rio de Janeiro no entorno do Maracanã. Confesso que estou com medo do que vem por aí ... Sempre achei que a combinação Copa do Mundo e eleições era totalmente indigesta. Aqueles que achavam que a vitória do Brasil iria favorecer a reeleição da presidente Dilma devem estar felizes ... Só o tempo dirá o que vai acontecer. Só sei que aqui em Mato Grosso teremos pela frente uma disputa bastante acirrada. 

PS. A foto ilustra a parceria dos alemães com os índios Pataxó do Sul da Bahia. Pode ter sido jogada de marketing, mas é melhor um marketing tem traz benefícios para uma população sofrida e carente do que o marketing pelo marketing, que só beneficia o patrocinador e seu(s) garoto(s)-propaganda.

domingo, 29 de junho de 2014

Oh Jardineira ...




Minha família é cercada de histórias, que vão sendo contadas de pais para filhos. Algumas se perdem pelo caminho ...
Uma das histórias que sempre me comoveu foi a de que minha irmã Jandira nasceu num dia de carnaval de 1939 (acho que foi numa Terça-feira). 
O carnaval marcado pela marcha "Jardineira".  Aquela que diz:

"Oh Jardineira, por que estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
- Foi a Camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu."

Contam que meu pai Júlio Baptista estava no baile (no Corumbaense?) quando foi avisado que sua mulher Nilzalina tinha acabado de dar à luz mais um filho.
- Pierrô ou colombina? -  perguntou.
Não sei se tudo isso é verdade, mas escrevo curtindo a história que embalou minha imaginação e ajudou a construir o mito em torno de meu pai.
Mas isso é passado. Só sei que Jandira adorava carnaval quando moça e foi num baile de carnaval que conheceu o seu Manoel. Que eu saiba foi o único e grande amor de sua vida. Tive a honra de ser dama em seu casamento, em 27 de julho de 1963.
Jandira era uma pessoa muito especial como todos que a conheceram sabem. Romântica, delicada, extremamente preocupada, amorosa ao extremo, perfeccionista.  
Uma mulher de fibra. Lutou até ter sua filha única e linda, Luciana, que amava de paixão, mas seu coração era igual coração de mãe: tinha lugar para todos os sobrinhos (devem ser uns mil, contando os sobrinhos de Manoel) e para os netos. 
Ela anotava as datas de aniversário de todos com sua letra miúda e não precisava do Facebook para se lembrar de cada um.
Jandira era firme em suas posições e delicadamente procurava impor suas vontades. Por trás da mulher aparentemente frágil, exista uma mulher super bem informada e de opinião.
Infelizmente, ela tinha baixa autoestima como muitos de nós da Família Baptista. Achava que era pouco instruída e menos interessante que a maioria das pessoas ... Uma bobagem ...
Mas tinha muitos amigas, de longa data, que cultivava como se fossem flores de seu jardim. 
Era uma pessoa que sempre tinha tempo para os outros e eu vou sentir muita falta de seu carinho, de sua atenção.
Foi ela que veio me dar suporte quando nasceu minha filha Diana, em janeiro de 1990. Fez o papel de mãe para mim, que tantas vezes fez na minha infância, me dando banho, me alimentando, me penteando, dividindo as tarefas de mãe com minha irmã Junilza, numa época em que mamãe me parecia distante (é claro que isso mudou depois).
Por isso, perdi uma irmã e uma mãe.
Mas, como diz a marcha que marcou sua vida:

"Vem Jardineira, vem meu amor
Não fiques triste que esse mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita que a Camélia que morreu".

Pelo que soube, Jandira foi embora como uma flor ... Que descanse em paz em seu novo jardim e siga seu destino!
A nós, resta o papel de reverenciá-la e estarmos juntos para sempre, mantendo viva a chama de seu amor incondicional.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Minha Missão - Deize Águena canta a poesia de Paulo César Pinheiro



Hoje não quero falar de corrupção, descaso, violência, nada disso. Vou falar de música, de poesia. Deize Águena, uma amiga cantora vai bisar no Teatro do Sesc Arsenal, neste final de semana, o show "Minha Missão! Cantando Paulo César Pinheiro".
Assisti ao espetáculo há um ano no Cine Teatro Cuiabá, mas o show criado por Deize traz tanta informação que, com certeza, merece se revisto.
Conheço a obra de Paulo César Pinheiro há muito anos, por conta de algumas composições mais famosas como "Viagem", parceria com João de Aquino - uma pérola que ele escreveu ainda adolescente. Sabia que tinha sido casado com a cantora Clara Nunes, mas nunca tinha me debruçado muito por sua obra e vida até que há dois ou três anos li o livro "Histórias das minhas canções" de Paulo César Pinheiro. Adorei! Descobri que um monte de sambas que aprendi a amar frequentando o Chorinho (o bar Choros & Serestas, em Cuiabá) tem letras suas.
Paulo César é um letrista profícuo e muito inspirado, um verdadeiro poeta! Por ser letrista, acaba ficando um pouco ofuscado por seus parceiros famosos como João Nogueira e Baden Powell, para citar dois dos mais assíduos.
Ao assistir ao show de Deize, conheci novas composições de Paulo César e (re)descobri outras que nem sabia (ou não me recordava) que eram dele, como a belíssima "Desenredo" (parceria com Dori Caymmi).
Sei o quanto Deize se esforçou para realizar esse espetáculo, que merece ser visto por muitas pessoas daqui, de outras cidades, por vários motivos, entre eles, a originalidade da proposta. 
Ela se uniu a grandes músicos e grandes parceiros profissionais para realizar "Minha Missão" - um título que vai além do próprio espetáculo e que foi tirado de uma parceria de Paulo César com João Nogueira (um samba magnífico).
Deize fez desse projeto "sua missão", que é levar arte, sentimento, beleza e conhecimento a quem se dispuser a ouvi-la.
Digo tudo isso aqui com um intuito: compartilhar com um número maior de pessoas a possibilidade de assistir a um espetáculo tão bonito! Posso fazer isso, sem medo, porque já garanti meu ingresso para sábado.