quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Compartilhando

Outro dia ouvi uma frase que me tocou, dita pela estilista Martha Medeiros num evento de moda. Ela disse algo mais ou menos assim: "Quem compartilha, cresce". 
Eu tenho a maior vontade e, ao mesmo tempo, a maior dificuldade para compartilhar. Isso pode parecer contraditório, e é. Tem um lado meu que tem vontade de gritar para o mundo meus sentimentos, minhas angústias e todas as minhas incertezas e certezas.
Esse blog nasceu dessa vontade e cumpriu o seu papel de ligação com o mundo. 
Eu ficava feliz quando minha irmã Jane comentava que um amigo de sua filha dizia para ela que seguia e curtia meu blog. Achava aquilo tão improvável: que uma pessoa do Rio de Janeiro gastasse alguns minutos de seu dia para ler minhas observações sobre a vida em Cuiabá, minhas viagens e sobre o interior - do País e meu. 
Durante alguns anos, alimentei o blog constantemente, fiz novos amigos através dele e me conectei mais com outras pessoas, conhecidas ou não. 
Aos poucos, fui perdendo a vontade de escrever, talvez em parte por conta do Facebook. A rede social atende àquela necessidade mais urgente de desabafar, contar alguma cena interessante, de compartilhar um pouco do que você é. Por outro lado, as redes sociais banalizam o ato de escrever: escreve-se tanto e sobre tanta coisa (muita bobagem) que a gente acaba perdendo o tesão de escrever mais, de ir um pouco mais fundo. Para quê?
Essa é a pergunta que sempre me fiz: para quê se escreve? Para informar, para confundir, para despertar, para tocar, para alegrar, para existir?
Estou atravessando uma fase difícil, mas necessária.  Minhas duas filhas que amo de paixão estão fora de casa: a mais velha na Austrália, vivendo sua experiência de estudar e trabalhar num país estrangeiro; a mais nova no interior de São Paulo, concluindo seu curso de graduação, após um ano vivendo na Europa por meio do programa Ciência sem Fronteiras.
Elas sabem que tenho muito orgulho delas e que fico muito feliz que estejam vivendo tudo isso, mas o vazio que fica é muito grande e nem um pouco fácil de ser preenchido. Tento preencher esse vazio com trabalho, academia, música, mas ele persiste. Às vezes, é bom ficar sozinha e sentir o tamanho dessa dor. 
Hoje tive vontade de recorrer ao bom e velho "cá entre nós". Talvez ninguém vá ler o que escrevi, mas sendo assim retomo o sentido original do blog - uma espécie de diário onde a gente se expõe e compartilha aqueles sentimentos e opiniões que não tem coragem de dizer de viva voz. 
Acho que é por isso que meu blog não fez "sucesso" no sentido mais comum do termo: não quero vender nada, não tenho nada a ensinar. Apenas compartilho algumas experiências bacanas e meus sentimentos sem qualquer preocupação literária ou de estilo. 

4 comentários:

Luana Soares Alves Picanço disse...

Oi Martha! Alguém leu sim! E imagina de onde? Interior da Bahia. Gostei de suas reflexões. Entendo quando você fala que tem a maior vontade e ao mesmo tempo dificuldade de compartilhar, também sou assim. Olha que coisa, estava fazendo pesquisa do "Cá entre nós", justamente porque acho um nome interessante para um blog. A tempos quero criar um e fico adiando, a tal vontade e dificuldade. Enfim, nao se sinta só, você nao está. Um grande abraço. Luana, 25 anos. Facebook: Luana Alves. E-mail: luannasap@hotmail.com

Martha disse...

Obrigada Luana por visitar meu blog, ler meu post e ainda publicar um comentário.
Como você pode ter notado, já fui bem mais assídua em relação ao blog. Era quase um vício! Um bom vício, diga-se de passagem.
Dou a maior força para você fazer o seu e quando estiver no ar, por favor, me avise. Abraços, Martha

Luana Soares Alves Picanço disse...

Ola Martha! Olha como são as coisas. Sempre me achei uma pessoa sensitiva, nao duvido mais rs. Como te falei moro no interior da Bahia, faço faculdade em Salvador à noite. Hoje acaminho da faculdade ainda na estrada lembrei de você do nada, acredita? E me veio aquela vontade de abrir meu e-mail. Imediatamente abrir e vi lá o último email recebido, era o seu! Fiquei muito feliz também! Incrível como a internet liga as pessoas e encurta a distância. Estou aqui fazendo rascunhos sobre o meu futuro blog. Irei em frente sim. Obrigada também por suas palavras. E te digo para continuar prosseguindo. Escrever faz muito bem né? Me sinto aliviada quando escrevo. Estou vivendo uma rotina muito puxada. Porém irei tirar um tempo para escrever, se possível todos os dias, nem que seja uma frase. Minha mente não para rsrs, tenhi que passar nem que seja metade disso pro papel.
Forte abraço!

Martha disse...

Luana, que bom que estamos em sintonia! Não deixe de me avisar quando conseguir colocar seu blog no ar. Procurei seu nome no Face, mas apareceram várias Luanas Alves. Fiquei curiosa em relação a seu último sobrenome: conheci um cara do Paraná com esse sobrenome. O primeiro nome dele é Jefferson. É seu parente?