A alegria é louca, declara Maria bel Baptista em seu blog DiáRio de MaRias http://diariodemarias.blogspot.com/. Mas "é melhor ser alegre que ser triste", complementa Bel, citando o famoso verso de Vinícius em "Samba da Benção" (com Baden Powell).
Li isso ontem à noite e fiquei com a frase na cabeça. Bel deve ter razão.
Ontem fui buscar minha filha mais velha na UFMT à noite e ela quase teve um ataque de riso quando saiu no elevador porque quase fomos surpreendidas por alguém que entrou inesperadamente. Eu estava cantando e ela, olhando-se no espelho, pra variar.
É bom rir, mas não sou muito dada a gargalhadas. Sou econômica nas minhas manifestações de alegria e, hoje, mais uma vez enquanto nadava, fiquei pensando nisso, durante a minha psicanálise aquática.
Não me dou muita permissão para rir. Acho que é coisa de gente vulgar. Mulheres finas apenas sorriem, não riem alto, não gargalham. E morro de inveja de quem ri bastante, embora no meu íntimo tenha vontade de perguntar: está rindo de quê? Tem certeza de que você tem motivos suficentes para rir desse jeito?
São as contradições da vida: dizem que temos que agradecer por tudo que temos, mas rir demais provoca suspeitas, parece coisa de gente boba, que não leva a vida a sério.
Ultimamente várias pessoas têm me dito para levar a vida menos a sério. Está sentindo o peito oprimido? Vá ao cinema, divirta-se, disse-me um médico há alguns dias.
Hoje estava decidida a buscar a alegria, o belo. Quando chegava ao trabalho, vi movimento de carro de polícia, mas desviei meu caminho para não passar em frente da confusão. Agora há pouco fiquei sabendo que ladrões mataram o empresário Índio do Brasil Ferreira Araújo, 51 anos, dono do pet shop situado a poucos metros de onde trabalho. Fiquei chocada. Assim não dá para ficar alegre.