sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Aventuras em Joanesburgo

Este post é uma continuação do anterior, narrando (com detalhes) minhas peripécias na viagem de volta da Austrália, que demorou bem mais do que o esperado - e olha que o esperado já era muita coisa.
Mais do que alertar pessoas que eventualmente queiram fazer o caminho entre o Brasil e a Austrália, quero mostrar que, no final das contas, tudo vale a pena "quando a alma não é pequena" (como diz o poeta Fernando Pessoa).
Quando chegamos ao Aeroporto Internacional Oliver Tambo (passei muitas horas lá, por isso ele será para sempre inesquecível), ainda tínhamos a esperança de embarcar direto para São Paulo e eu me esforçava para afastar os pensamentos negativos. 
Ou nosso pensamento (meu e de uma galera que estava no mesmo voo) não foi suficientemente forte ou não há pensamento positivo que resista à lógica das companhias aéreas. O único voo da South African Airways (SAA) de Joanesburgo para São Paulo tinha saído às 11h15 e chegamos na África do Sul por volta de 21h.  Passamos pela imigração e presenciamos uma cena tensa: um senhor dizia em alto tom e de forma veemente para o funcionário "Você não pode fazer isso comigo!". Não sei exatamente o que aconteceu com ele, mas uma das pessoas do meu grupo acredita que ele seria deportado.
Fomos levados a um balcão da SAA onde uma funcionária seca só nos informou o nome do hotel onde dormiríamos (da rede Southern Sun) e onde deveríamos pegar o transfer. Confesso que nesse momento baqueei. Me bateram um cansaço e um desânimo imenso. A sorte é que já formávamos um grupo coeso de brasileiros-oriundos da Austrália-tentando chegar ao Brasil. 
Pegamos nossas malas novamente (eu só tinha uma pequena de mão e uma grande, mas havia gente com muitas malas enormes) e encontramos o transfer do lado de fora. Perguntei ao motorista se o hotel era longe e ele respondeu que sim, mas logo percebi um risinho e desconfiei que o sul-africano estava brincando comigo. 
O hotel ficava bem próximo do aeroporto. Por um lado foi bom porque estávamos exaustos e tínhamos que pegar o transfer de volta às 8h do dia seguinte; por outro, foi ruim porque nada conheci de Joanesburgo a não ser o aeroporto e o hotel.
Quando chegamos ao hotel, um funcionário muito antipático nos fez ficar uns 40 minutos na fila porque não havia apartamentos disponíveis em quantidade suficiente para todo o grupo. Uma vez resolvido esse problema, fomos encaminhados para nossos apartamentos. Pelo menos, o nosso grupo mais próximo (eu, Ana Paula, Camila, Felipe e Ruth) ficou no mesmo andar.
Mais esperta, pedi um adaptador e outro funcionário me explicou que poderia carregar meu celular na TV (demorei a encontrar o local, mas consegui). Também conseguimos senha para o wi-fi gratuito e combinamos de nos encontrar imediatamente para jantar.
Detalhe: o funcionário da recepção respondeu mal-humorado quando Camila perguntou até que horas era servido o jantar.
- Isso aqui é um hotel - disse.
Quando chegamos para jantar, havia poucas opções de comida. Perguntamos se haveria mais peixe e alguém respondeu que não. Enfim, comemos o que deu para comer e fomos dormir.
No dia seguinte, para nossa surpresa, o café da manhã foi maravilhoso. Farto, gostoso e, ainda por cima, gratuito. Na verdade, o sistema em Joanesburgo foi diferente: nós tínhamos direito à hospedagem, jantar e café da manhã e não a uma quantia X de dinheiro.

Antes das 8h fizemos o check-out e esperamos o transfer para o aeroporto. O check-in foi rápido e nossa alegria diante da ida iminente para São Paulo foi imensa. Além disso, tínhamos praticamente duas horas para passear pelo Aeroporto Oliver Tambo, com suas lojas incrivelmente atrativas. Fiquei maravilhada com a variedade e a beleza das bijuterias nas lojas, mas era preciso converter a moeda local (rand) para dólares norte-americanos (trouxe US$ 50 comigo por garantia).

Aos poucos, fui me cansando e só comprei algumas peças mais baratas (brincos e uma pulseira). Preferi me sentar com outras pessoas do grupo brasileiro e fiquei ouvindo histórias sobre suas experiências na Austrália. Estava cansada demais até para abrir a boca.
A viagem para São Paulo foi muito tranquila. Viajei ao lado de uma carioca que estava vindo de uma viagem na África do Sul e não tinha compartilhado nossas aventuras. Assisti a três filmes (não consegui terminar de ver o último - um filme espanhol incrível e inquietante, cujo nome não sei, infelizmente). Dormi um pouco, comi tudo que me foi oferecido (ou melhor, me esforcei para comer já que a comida estava horrível). Tomei uma garrafinha de vinho para tentar relaxar.
Quando chegamos a São Paulo, meu pensamento era um só: tentar falar com Carol, minha colega de trabalho, a quem pedi para tentar resolver o problema de minha passagem de Cuiabá para São Paulo, que não fazia parte do pacote SAA.  Sem bateria no celular, o jeito foi apelar para o velho telefone público (bendito seja!) até atravessar a imigração. 
Meu voo para Cuiabá saiu às 23h35 de São Paulo e encarei mais seis horas de aeroporto. Empurrei carrinho até o check-in doméstico da Gol, comi, carreguei o celular, falei ou troquei mensagens via whatsapp com algumas pessoas da família e me neguei a conversar com unas cinco pessoas que vieram me oferecer um livro de auto-ajuda sob o argumento de que aquilo os ajudaria a pagar a faculdade.  
Assim que entrei no voo para Cuiabá, desmaiei de sono, mas fui acordada por uma moça que estava do meu lado que, apavorada, me disse que estava tudo escuro lá fora e que sua irmã tinha lhe enviado mensagem dizendo que as luzes do aeroporto de Várzea Grande estavam apagadas. Apesar da minha letargia, sugeri a ela que conversasse com a comissária. Achei que já estávamos voando e que, portanto, era natural não ver luzes, mas vai que ainda estávamos no chão. Ou então, tivemos que voltar por conta de algum temporal ou imprevisto no aeroporto de Mato Grosso. Já estava me imaginando dormindo num hotel de Guarulhos.
Ela chamou a comissária e esta lhe explicou pacientemente que era normal as luzes não serem vistas quando o avião estava no ar, à noite. Disse que estava tudo bem e que já estávamos quase chegando ao nosso destino. Tive que me conter para não rir.
Cheguei em casa por volta de uma hora da madrugada. Fiquei feliz de encontrar meu apê, minha caminha, limpinhos e perfumados à minha espera, mas custei a pegar no sonho. No dia seguinte, tinha trabalho àx 7h30. Quem disse que acordei? Ainda sofro com os efeitos do jet lag.

5 comentários:

Ruth Brito E Cunha disse...

Adorei!!
Muita riqueza de detalhes...
Parabéns!!

Quando vc vier a São Paulo me liga, vamos tomar um vinho juntas.

Beijo grande

Ruth
11989571512

Martha disse...

Obrigada, Ruth! Vamos sim! A melhor parte dessa viagem de volta foi ter conhecido vocês. Bjs

Unknown disse...

Adorei Martha, revivi tudo de novo no seu post, até eu fui citada aí haha.. foi cansativo mas foi incrível, com ctz nunca vou esquecer dessa viagem e tb deste retorno de dias até o Brasil! rs.. um bjao!

Marcia Cabral disse...

Realmente fez relembrar cada momento. O aeroporto não tem igual. Abraços

Martha disse...

Grata pelos comentários!