segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O poder do canto



Foto Protásio de Morais

Há poucos dias, fiz um post bem triste, tão triste que nem tive coragem de compartilhar com muitas pessoas para não deixá-las mais tristes.
Desde esse dia, venho planejando um post falando sobre o que tenho feito para lidar com o baixo astral provocado pela situação geral do país (e do mundo).
Em meados de abril, embora não tivesse um problema em especial, eu estava muito desanimada e aí li um anúncio (acho que foi no Facebook) sobre um novo coral que estava se formando em Cuiabá: o Coro Experimental, ligado à Orquestra do Estado de Mato Grosso. 
O dia e horário de ensaios eram perfeitos e o regente, Jefferson Neves, não poderia ser melhor. 
Fiz minha inscrição e no dia 27 de abril, numa quinta-feira de muito frio, fui até o Palácio da Instrução, no Centro de Cuiabá, para um primeiro encontro do coro. Nesse mesmo dia, quase caí para trás quando soube que faríamos nossa estreia oficial no dia 9 de junho num concerto em homenagem a Villa-Lobos com a OEMT. 
Ensaiamos arduamente duas peças - "Trenzinho do Caipira" e "Melodia Sentimental" - e nos apresentamos com êxito total nos dias 9, 10 e 11 no Cine Teatro Cuiabá. 
O grupo numeroso e heterogêneo se entrosou e, na semana seguinte, já estávamos nos confraternizando num churrasco na casa da soprano Vera Capilé.  Um mês depois, novo encontro social numa festa "julina" no mesmo local.
Estamos novamente ensaiando arduamente para uma apresentação marcada para o dia 9 de outubro, quando subiremos ao palco do Cine Teatro, sem a OEMT, num espetáculo que vai misturar canções de diversos estilos e épocas, unidas por um tema que será o fio condutor e sobre o qual prefiro manter segredo (segredo este compartilhado com aproximadamente 60 pessoas, hahaha). Será um tremendo desafio para o grupo, que fará jus ao seu nome de batismo: Experimental, não no sentido de algo que está em experiência e sim de algo aberto a experiências.
Acabei fazendo um resumão de tudo que aconteceu em pouco mais de três meses e ainda não falei o essencial.
Sempre soube que cantar me faz muito bem (para falar a verdade, quando eu era criança meu primeiro desejo foi ser cantora). Dizem que ativa o chacra do coração. 
Para mim, cantar funciona como uma espécie de terapia: me ajuda a soltar as emoções que ficam engasgadas. Fora que o tempo do ensaio representa um desligamento total da realidade, já que não consigo pensar em mais nada a não ser nas notinhas e nas letras que preciso cantar. 
Mas existe um aspecto muito interessante do qual somente me dei conta na semana passada: à medida em que a gente vai ficando mais velha vai crescendo uma sensação de invisibilidade, de desimportância. Mesmo que a gente seja economicamente ativa e saudável, percebe que as oportunidades vão diminuindo. É uma sensação difícil de explicar e que é confirmada em estudos sobre a fase que se convencionou chamar de "melhor idade" (melhor para quem, cara pálida?) 
Pois cantar no Coro Experimental também contribuiu para melhorar minha autoestima. Eu me sinto valorizada pelo grupo, pelo regente e até pelo público (amigos ou apenas conhecidos) que me assistiram no palco. 
E tem mais um aspecto: adoro cantar em grupo. Acho que não tenho perfil (nem qualidades vocais suficientes) para ser solista, por isso eu me sinto tão realizada cantando em corais. 
Por isso, neste momento, o maior poder que existe para mim é o do canto, que me faz sentir viva, me emociona e me dá muita esperança. Vontade de resistir, de viver, de estar presente.
No próximo post, que virá em breve, falarei sobre outra experiência redentora: praticar Yôga.






2 comentários:

Pedro Du Bois disse...

Parabéns ao grupo. Abraços.

Eliana Albergoni disse...

Faço minhas suas palavras. Exprimiu exatamente meu pensamento e sentimentos. Beijos!!