domingo, 5 de março de 2017

Todas as cores do Duo Taufic

Foto de Marta Regina Torezam

Acabo de voltar do Sesc Arsenal, onde assisti pela segunda noite seguida ao show do Duo Taufic. Fui no sábado e, como levei o CD "Todas as cores" para casa sem pagar (estava sem dinheiro vivo), atendi à proposta do músico Roberto Taufic para ir hoje novamente e fazer o acerto.
Valeu! Nesses dias tão conturbados e desesperançosos, realmente é um bálsamo para meus ouvidos e meu coração ouvir música instrumental de tão alta qualidade, promovendo - segundo palavras do próprio Roberto - essa troca de emoções entre músicos e plateia.
A boa música instrumental não se faz apenas com virtuosismo e sim com muito sentimento, generosidade e disposição para compartilhar emoções e memórias - aquelas que nos trazem, de repente, um sorriso aos lábios ou uma lágrima aos olhos.
Conheci o Duo Taufic há uns sete anos num festival de jazz na Chapada dos Guimarães, organizado pelo músico Ebinho Cardoso. Os dois irmãos - Roberto e Eduardo - já estiveram em Cuiabá outras vezes, inclusive dando oficinas no próprio Sesc Arsenal.
Mas agora posso dizer que realmente me apaixonei pelo Duo Taufic. 
Roberto, ao violão, e Eduardo, ao piano, são dois músicos extremamente talentosos. Eduardo, mais explosivo, até pela força do instrumento, que nos remete aos grandes pianistas brasileiros dos anos 60/70 e 80. Roberto, mais discreto, me lembrou um pouco o estilo de Hélio Delmiro, porém com personalidade própria, muito criativo, competente, brilhante.
Num show de uma hora e meia recheado de composições próprias, está implícito o convite à viagem particular que cada pessoa da plateia faz em meio a acordes, improvisos, harmonias, ao "bate e rebate" que dá título ao primeiro CD do duo.
Após o show de hoje, descobri que os dois têm uma diferença de idade de 10 anos e que Eduardo era um menino quando Roberto já tinha uma banda de rock em Natal (RN). O irmão mais velho viajou para o Velho Continente e, em seu regresso, encontrou o caçula pronto para formar o duo. Acredito que ambos têm seus caminhos e trabalhos paralelos, mas quando se encontram para tocar ou compor é uma explosão de sensibilidade e muita sintonia.
O show contou com poucos temas conhecidos, como "Chega de saudade", de Tom & Vinícius, "Apanhei-te cavaquinho", de Ernesto Nazareth  e um arrebatador "Upa Neguinho" de Edu Lobo (só apresentado no show de sábado). Teve lugar também para  participações especialíssimas de duas cantoras da terra: Ana Rafaela e Deize Águena.
Sábado foi lindo; domingo, maravilhoso.
Roberto disse que vou ficar um tempo sem ouvir o Duo Taufic depois dessa overdose de shows. Claro que não! Comprei o CD "Todas as cores", que já vim ouvindo no caminho para casa. 
Sou assim mesmo, meio obsessiva quando gosto de alguma coisa. Agora vou ler os textos do encarte, que são de autoria de ninguém mais ninguém menos que Egberto Gismonti - minha grande paixão que espero um dia poder ouvir novamente numa apresentação ao vivo.
Cuiabá é uma cidade surpreendente e sempre oferece grandes atrações - principalmente através do Sesc Arsenal - para quem gosta daquele tipo de música que não se ouve nas rádios convencionais, nem na TV.  

PS. - Li os textos de Gismonti antes de dormir e cheguei à conclusão que sou mais sortuda que ele. O grande compositor e multi-instrumentista.diz no encarte do CD como gostaria de ouvir o Duo Taufic ao vivo. Pois eu tive essa oportunidade duas vezes num mesmo final de semana!

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