terça-feira, 17 de novembro de 2015

Mesa pra seis, por favor



Em meio a tantos acontecimentos impactantes - o desastre ambiental de Mariana e a volta do terror em Paris - resolvi escrever sobre o belo.
No domingo, venci a preguiça e fui ao Teatro da UFMT assistir à apresentação do novo grupo vocal mato-grossense Mesa pra seis, formado por Jefferson Neves, Klauber Borges, Raul Fortes, Laís Epifânio, Thaina Pinheiro e Tuanny Godoy.
Foi lindo! A proposta do grupo, pelo que entendi, é valorizar a boa música popular brasileira (Chico Buarque e Cartola) e alguns clássicos da música internacional (Gershwin, Cole Porter, entre outros), em arranjos vocais belíssimos, especialmente, pela mistura de vozes masculinas e femininas.
O show também teve direito a alguns solos e contou com a participação do violonista Eduardo Santos. A se destacar também a percussão feita por alguns integrantes do grupo (Raul e Tuanny) e a performance de Jefferson Neves ao piano.
E o que tornou esse show tão especial? Exatamente a suavidade: o cenário, a iluminação, os figurinos - tudo estava extramente harmônico. Algumas vozes se sobressaíram em alguns momentos (especialmente nos solos), mas tudo aconteceu de uma forma suave, extremamente agradável para meus ouvidos tão cansados de barulho e estridência. 
Todos os solos foram lindos, mas ouvir a bela voz de Jefferson Neves interpretando "Everytime we say goodbye", do compositor Cole Porter, não tem preço!
O espetáculo "Ao Amanhecer" foi primoroso e, ao final, o público da apresentação de domingo foi surpreendido com a notícia de que a cantora Laís Epifânio tinha se apresentado sob o peso da notícia da morte de seu marido, ocorrida depois que ela já estava no teatro. Os músicos no palco não conseguiram mais segurar as lágrimas, contidas durante o show, e muitos também se emocionaram na plateia. 
Fiquei encantada com o profissionalismo de Laís, que nos brindou com uma versão dramática de "As rosas não falam" (Cartola) e também se destacou com a interpretação de "Summertime" (George Gershwin) ao lado de Thainá Pinheiro. 
Mato Grosso sempre está nos surpreendendo com a qualidade de seus artistas. Como sou mais ligada à música, acabo acompanhando mais a parte musical, seja vocal ou instrumental. É uma pena que a distância dos grandes centros urbanos (eixo Rio/São Paulo) dificulte um pouco a divulgação de nossos talentos.
Espero que o espetáculo "Ao Amanhecer" volte a ser apresentado (foram só duas apresentações no Teatro da UFMT neste final de semana) e mais pessoas possam desfrutrar do prazer de assisti-lo e de ouvir as vozes do grupo Mesa pra seis. 

Um comentário:

Jane Bicudo disse...

Martha, você sempre me surpreende com a descrição dos espetáculos musicais de Cuiabá. Como já disse uma vez, o seu texto me transporta para o show. Mas, como eu não estava lá de verdade, fico aqui com uma enorme vontade de ter assistido à tanta beleza.