segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ernesto Nazareth




Estou perdidamente apaixonada por Ernesto Nazareth. 
Na verdade, é uma paixão antiga, que andava esquecida. Portanto, é uma recaída. Mas como é bom estar apaixonada por alguém, mesmo que seja um homem que morreu em 1934.
Nem sei de que ano é o elepê duplo "Arthur Moreira Limpa interpreta Ernesto Nazareth". Sei que minha mãe era viva nessa época e já fazem quase 30 anos que ela se foi ...
Na verdade, o encanto por Nazareth nasceu antes, quando eu ainda era uma menina e ouvia apaixonadamente Nara Leão cantando "Odeon", que até ontem eu pensava ser uma homenagem ao Cine Odeon, na Cinelândia, no Rio.
Santa ignorância!  A música foi feita para outro Cine Odeon, também situado no Centro do Rio, que foi demolido há praticamente um século. Era nesse cinema que Nazareth atuava como pianeiro.
Mas, aonde aprendi tudo isso?
Vamos começar do começo. De repente, me deu uma súbita (e ousada) vontade de cantar "Odeon", cuja letra foi feita por Vinícius de Morais (isso eu sabia), a pedido da cantora Nara Leão (isso eu não sabia até ontem), em 1969.
Busquei a letra na internet, que é imensa, e venho ouvindo a gravação de Nara no youtube para tentar aprender a música. É difícil! Tem hora que a letra parece não caber na melodia. 
No sábado, eu me enchi de coragem e levei a letra para cantar no Chorinho (o bar Choros&Serestas). Amarelei ... Senti que não estava segura o suficiente e não quis fazer feio.
Ontem, voltei a escutar a música e ousei cantá-la ao som do piano de Nazareth (tudo pelo youtube) e do violão de Toquinho.
Eu já estava encharcada de "Odeon" quando um vídeo me chamou atenção: um documentário sobre Nazareth.
Foram cerca de 45 minutos de depoimentos: intérpretes como Eudóxia de Barros, biógrafo (preciso resgatar seu nome) e alguns especialistas em música, como Ricardo Cravo Albim.
Maravilhoso!
Só que muito triste. Descobri que Nazareth sofria de sífilis e morreu louco, depois de ser internado na Colônia Juliano Moreira. Ele fugiu do hospício e foi encontrado afogado numa lagoa que havia nas proximidades.
Como uma pessoa tão talentosa pode ter um final tão triste! Mas ele não foi o único artista a morrer em decorrência dos problemas acarretados pela sífilis no século passado. Aprendi ontem que Scott Joplin, um grande pianista e compositor norte-americano, também sofria da mesma doença e, se não me engano, o grande Heleno de Freitas, o mito botafoguense, também foi sifilítico.
Mas a minha paixão não morreu ali. Muito pelo contrário. Hoje resolvi ouvir o elepê gravado por Arthur Moreira Lima e disponível no youtube. 
É lindo! Claro que seria mais gostoso ouvir o disco com a capa na mão. Aliás, acabei de me lembrar que tenho esse elepê aqui em casa... E, depois de uma rápida busca, descobri que o disco é de 1975.
Mas o que interessa dizer é que todo mundo devia ter a oportunidade de conhecer a obra de Nazareth, que é de uma riqueza e uma delicadeza ímpares.
Quanto ao "Odeon", que é um tango e não um choro como eu pensava, continuo treinando para cantá-lo. Depois eu conto como foi ...



2 comentários:

Ana Marcela Magalhães disse...

Você está para Nazareth assim como eu estou para Francis Hime. Kkkkkkk
Uma paixão artisticamente platônica, e sim, Nazareth é incrivelmente fantástico!! De uma generosidade musical absurda e apaixonante. Parabéns ;-)

Martha disse...

Também adoro o Francis Hime. Talvez eu precise me dedicar mais a ele para conhecê-lo melhor. Adoro Edu Lobo, Milton e, naturalmente, Chico.Mas minha atual paixão é Ernesto Nazareth. Obrigada pelo comentário!