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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mea culpa

Apesar de ter feito meu exame de saúde demissional hoje de manhã e do dia estar mais enfumaçado que nunca, estou de bom humor. Vai entender ...
O médico da empresa contratada para fazer o exame (uma formalidade no nosso caso) foi surpreendentemente simpático e até criticou o excesso de burocracia do processo. Fez várias perguntas, tirou minha pressão e me desejou "saúde e sucesso". Agradeci de coração. É disso que preciso: saúde e a sensação de que o outro se importa comigo, mesmo que esse outro seja um estranho que faz parte do meu processo demissional. 
O dia está extremamente quente, um forno! A fumaça toma conta da paisagem. A cidade, as pessoas, tudo fica feio! Fico me perguntando: até quando? Até a próxima chuva. Aí reclamaremos das enxurradas, das casas inundadas, do trânsito mais atrapalhado, dos carros estragados por causa das inundações. 
De alguma forma somos todos culpados por isso: pelo fogo, pelo lixo jogado em lugares inapropriados, pelas construções feitas em locais inadequados, pelo modelo de cidade que adotamos como padrão.
Tenho minha parcela de culpa, nem que seja pela omissão, mas os administradores têm uma parcela dobrada, como cidadãos e gestores dos recursos, muitas vezes mal aplicados ou desviados; pelas empresas contratadas em licitações irregulares para fazer as obras necessárias (ou simplesmente tapear a opinião pública).
Por isso, todos que estão aí pleiteando nossos votos, acusando os adversários e fazendo promessas a torto e direito são culpados, entre eles, o ex-prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, o ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, e o atual Silval Barbosa, candidato à releição.
Como podem ter a cara de pau de não chamar para si sua parcela de responsabilidade por este setembro negro e asfixiante?
Acorda Martha! Eles são políticos. Profissionais.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Marcado a fogo

Foto Edson Rodrigues/Secom-MT
É com pesar que informo a quem lê meu blog de longe que Mato Grosso está pegando fogo, no sentido literal. 
Ontem teve um incêndio horrível em Marcelândia (700 km ao Norte da capital). Os jornais e sites falam em aproximadamente 100 casas e  15 madeireiras queimadas. O fogo teria começado numa pastagem e sido levado pelo vento até a área industrial da cidade, causando pânico na população e deixando um rastro de destruição. (Retificação: segundo o site SóNotícias, o fogo teria começado no lixão da cidade).
Não conheço Marcelândia, mas é um município de história triste, que vem sendo detonado em todas as operações do governo federal de combate à extração ilegal da madeira. Soube que a administração municipal vinha se empenhando para tirar o município da lista de maiores desmatadores, mas não posso informar sobre as ações realizadas porque, como já disse, não estive lá, infelizmente. 
Isso não impede que eu me sensibilize com as notícias e me compadeça das pessoas, principalmente dos idosos e crianças afetados pela fumaça e fuligem do fogo. 
Cuiabá, hoje, também está horrorosa!  É impressionante como cresceu o número de focos de fogo no entorno e como o céu está "sujo" com a fumaça que vai asfixiando a cidade e nos deixando deprimidos diante do que vem pela frente. Afinal, o pico dessa situação costuma acontecer em setembro e, dificilmente, teremos chuva antes disso. 
Hoje eu me lembrei de um funcionário da Secretaria de Meio Ambiente de Sinop (a 210 km de Marcelândia), que conheci em agosto do ano passado, durante reportagem na região. Ele era um dos mais entusiasmados com o esforço para evitar as queimadas  no  período da seca de 2009 e me contou que tinha horror ao fogo. Quando era menino, seu pai tinha perdido tudo (serraria, economias) num incêndio. Aquele episódio marcou a vida do rapaz, já que sua família nunca voltou a ter a situação financeira de antes. 
Fico pensando em quantas histórias semelhantes não estão acontecendo em Marcelândia e outros municípios sob a pressão do fogo. São vidas marcadas a fogo. Até quando?


sexta-feira, 30 de julho de 2010

Poluição

Os meses de agosto, setembro e outubro são tradicionalmente os mais difíceis em Mato Grosso por causa da seca e do calor intenso, ao qual se juntam a poeira e a fumaça das queimadas.
Em setembro de 2007, a situação em Cuiabá e outros municípios (onde se queima bastante) ficou insuportável. Mesmo na capital, a gente mal via os prédios mais próximos por causa da cortina de fumaça e fuligem que tudo cobria, tornando o ar irrespirável, pesado e deprimente.
Nos últimos anos um grande esforço foi feito por parte das secretarias de Meio Ambiente (estadual e municipais) e da Defesa Civil para coibir as queimadas e amenizar o quadro no período da seca. Alguns municípios, como Sinop (a 470 km de Cuiabá), onde sempre se queimou muito, conseguiram reduzir drasticamente o número de focos de fogo. Estive lá (e em outros municípios do Médio-Norte mato-grossense) em agosto passado e o céu estava surpreendentemente azul e límpido.
Este ano, desde maio, os sinais de que a situação poderia ficar tão ruim quanto em 2007 vêm sendo dados pelos agentes responsáveis pelo controle do fogo. Eu mesma já fiz uma matéria a esse respeito na edição de junho da revista Produtor Rural, mas parece que a imbecilidade humana não tem limite e as pessoas continuam queimando. É bem verdade que há excesso de material combustível acumulado, o que aumenta o risco de fogo independentemente da decisão de queimar das pessoas, como alertou o major do Corpo de Bombeiros, Agnaldo Pereira de Souza, superintendente da Defesa Civil de Mato Grosso.
De qualquer maneira a situação preocupa, ainda mais que este ano temos outros focos de poluição (visual e sonora) por causa das eleições de 3 de outubro. Vou ter que praticar muita yoga e talvez recorrer a outras técnicas de relaxamento para suportar o período que vem pela frente.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Campeão às avessas

Hoje acordei meio desanimada (estou tentando reverter meu baixo astral). Olhei as chamadas de primeira página do jornal Folha do Estado e fiquei mais desanimada: "Ensino médio de MT tem a 3ª pior média do Brasil", "Mato Grosso já é o 2º em focos de queimadas no país" e "MT é o 6º em trabalho escravo no país". 
Ufa, que estado é este? É verdade que é da natureza jornalística dar destaque às notícias ruins (notícia boa não vende, dizem os especialistas), mas como conciliar essas chamadas com aquelas que estão presentes no noticiário da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) apregoando a melhoria de MT em termos de educação, meio ambiente e qualidade de vida?
A campanha para as eleições de outubro começa hoje oficialmente e é claro que o time da oposição terá munição à vontade para  tentar detonar o atual governo. Os exageros não levam a nada e eu, como cidadã, só gostaria que os bons resultados obtidos pelo agronegócio resultassem realmente em melhoria de vida para a população com um todo. Utopia? 
É, mas estão aí exemplos como o do município paulista de Cajuru (SP), que emplacou cinco escolas municipais entre as 10 melhores do país no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), para não nos deixar desanimar: está mais provado que boa educação se faz aplicando-se bem os recursos destinados para o ensino. Não tem receita milagrosa. http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2010/07/melhor-no-ideb-cajuru-sp-alia-investimento-projeto-pedagogico.html
O problema é que boa parte do deveria ser aplicado na educação e na saúde em muitos municípios mato-grossenses provavelmente não é. Muito dinheiro se perde em corrupção, burocracia e para manter um aparato que serve para nada.  Enquanto isso, o pau está quebrando aqui fora.