Mostrando postagens com marcador Teatro do Sesc Arsenal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teatro do Sesc Arsenal. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Minha Missão - Deize Águena canta a poesia de Paulo César Pinheiro



Hoje não quero falar de corrupção, descaso, violência, nada disso. Vou falar de música, de poesia. Deize Águena, uma amiga cantora vai bisar no Teatro do Sesc Arsenal, neste final de semana, o show "Minha Missão! Cantando Paulo César Pinheiro".
Assisti ao espetáculo há um ano no Cine Teatro Cuiabá, mas o show criado por Deize traz tanta informação que, com certeza, merece se revisto.
Conheço a obra de Paulo César Pinheiro há muito anos, por conta de algumas composições mais famosas como "Viagem", parceria com João de Aquino - uma pérola que ele escreveu ainda adolescente. Sabia que tinha sido casado com a cantora Clara Nunes, mas nunca tinha me debruçado muito por sua obra e vida até que há dois ou três anos li o livro "Histórias das minhas canções" de Paulo César Pinheiro. Adorei! Descobri que um monte de sambas que aprendi a amar frequentando o Chorinho (o bar Choros & Serestas, em Cuiabá) tem letras suas.
Paulo César é um letrista profícuo e muito inspirado, um verdadeiro poeta! Por ser letrista, acaba ficando um pouco ofuscado por seus parceiros famosos como João Nogueira e Baden Powell, para citar dois dos mais assíduos.
Ao assistir ao show de Deize, conheci novas composições de Paulo César e (re)descobri outras que nem sabia (ou não me recordava) que eram dele, como a belíssima "Desenredo" (parceria com Dori Caymmi).
Sei o quanto Deize se esforçou para realizar esse espetáculo, que merece ser visto por muitas pessoas daqui, de outras cidades, por vários motivos, entre eles, a originalidade da proposta. 
Ela se uniu a grandes músicos e grandes parceiros profissionais para realizar "Minha Missão" - um título que vai além do próprio espetáculo e que foi tirado de uma parceria de Paulo César com João Nogueira (um samba magnífico).
Deize fez desse projeto "sua missão", que é levar arte, sentimento, beleza e conhecimento a quem se dispuser a ouvi-la.
Digo tudo isso aqui com um intuito: compartilhar com um número maior de pessoas a possibilidade de assistir a um espetáculo tão bonito! Posso fazer isso, sem medo, porque já garanti meu ingresso para sábado.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sucesso total


Essa notícia deveria  sair nas manchetes dos jornais de Cuiabá se fossem eles feitos de outra matéria. 482 pessoas lotaram o teatro do Sesc Arsenal no último fim de semana para assistir aos concertos do Grupo de Percussão do Departamento de Artes da UFMT (GPDA). 
Foram duas apresentações, com repertórios diferentes, no sábado e domingo, e teve gente que compareceu nos dois dias. A entrada era franca, o que não é garantia de casa cheia quando se trata de apresentação de música instrumental no Brasil.
Eu optei por ir ontem e me sentei ao lado de dois garotinhos (com idade por volta de 10 anos), que se comportaram muito bem, diga-se de passagem.. Perguntei ao que estava mais próximo se conhecia alguém do grupo e ele respondeu que era "cunhado do Alex".
Alex é o professor Alex Teixeira, percussionista resposável pelo grupo, que venho acompanhado há mais de ano. Ontem, ao final do concerto, ele estava muito emocionado com a acolhida do público. Não deve ser fácil manter um grupo formado por estudantes do curso de Música da UFMT e alguns membros da comunidade, que se propõe a fazer música de concerto com percussão, tendo que transportar toneladas de instrumentos.
O repertório de ontem foi requintado: duas peças de Dimitri Cervo e peças de Marlos Nobre, Lorenzo Fernandes, Ryan L. Raney e  Paul Creston. As peças de Nobre (com três movimentos) e Creston foram regidas por Roberto Victorio, também compositor de música contemporânea.
Algumas peças foram bastante difíceis (como "Rythmetron" de Marlos Nobre) e exigiram grande esforço dos músicos e da plateia que, mesmo aplaudindo na hora errada por impulso, parece ter adorado as apresentações.
Eu me deliciei particularmente com a "Toccata Amazônica" de Dimitri Cervo - uma composição mnimalista lindíssima, daquelas que dá vontade de ouvir de olhos fechados. Foi a segunda vez que a ouvi (sempre interpretada pelo GPDA) e estou até agora com a melodia na cabeça.
 Depois do concerto, o pianista Jhon Stuart, que faz parte do grupo, me contou que Cervo é um compositor gaúcho radicado no Rio de Janeiro, jovem e acessível, que está compondo uma peça especialmente para o Grupo de Percussão da UFMT.
Lamentei ter perdido o concerto de sábado, mais eclético, que mesclou compositores populares, como Djavan e Ivan Lins, com eruditos, como Dimitri Cervo, Roberto Victorio e Claudio Santoro.
Não posso terminar este post sem mencionar os nomes dos músicos integrantes do Grupo, começando por Alex Teixeira, Tarcísio Sobreira (meu querido ex-aluno no curso de Jornalismo da UFMT, que nem chegou a exercer a profissão para seguir sua verdadeira vocação, que é a música), Estela Ceregati (compositora, cantora e instrumentista de talento), Juliane Grisólia,  Wender Couto, Ricardo Kalan, Francisval Costa, Anderson Cardoso, Karolini Martins, Everton Figueiredo, Kellen Oliveira e Jhon Stuart.
Uma bela safra de músicos mato-grossenses!


sábado, 29 de outubro de 2011

Espectro pantaneiro

Foto de Protásios de Morais
"Eu sei que vou te amar", o samba-canção de Tom Jobim e Vinícius de Morais na viola de cocho? Parece mentira, mas foi o que ouvi ontem no show "Espectro pantaneiro", no Teatro do Sesc Arsenal.
Antes de seguir adiante, gostaria de falar um pouco sobre a viola de cocho, usando como fonte um livro maravilhoso: "Cultura mato-grossense",  do cuiabano Roberto Loureiro (Entrelinhas Editora, 2006). A viola de cocho é "confeccionada a partir de um bloco de madeira inteiriça" e, sobre o bloco de madeira, "o artesão esculpe o formato da viola, escavando a madeira até que as paredes fiquem bem finas, um cocho bem trabalhado". A peça recebe um tampo de madeira como o de um violão, porém, sem a boca.
É um instrumento que desafia minha compreensão. Lembra um pouco o alaúde, usado nas músicas medievais.
Até há pouco tempo a viola de cocho era usada apenas nos rituais de cururu e siriri, com poucas variações, mas alguns músicos e pesquisadores de Mato Grosso e de fora vêm dando outra dimensão ao instrumento, que é a cara de MT. Para isso muito contribuiu o trabalho desenvolvido pela Orquestra do Estado de Mato Grosso (OEMT), que tem à frentre o maestro Leandro Carvalho. Em muitos concertos, a OEMT conta um naipe de violas de cocho.
A introdução ficou um pouco longa, mas o que quero falar mesmo é sobre Sidnei Duarte, um dos músicos que toca viola de cocho na OEMT. Aos 38 anos, ele é um músico estudioso (além de ser graduado em Física), que transita com tranquilidade entre a viola de cocho, o violão e a guitarra. Vai do chamamé ao jazz mais contemporâneo - daí o nome de seu show "Espectro pantaneiro".
Sidnei divide o palco com três parceiros: Sandro Souza (bateria), Samuel Smith (baixo) e Phellyppe Sabo (saxofones e flauta). O show passeia pelo erudito (um estudo feito por Sidnei para viola de cocho), a MPB e o jazz, con o vigor de composições de Charlie Parker, Pat Metheny, John Scofield e Kurt Rosenwinkel.
Tem lugar ainda para a delicadeza e a vibração de composições dos brasileiros Garoto e Guinga.
Como vocês podem ver, o "espectro" sonoro de Sidnei é bastante amplo para mostrar toda a versatilidade e talento desse paulista,  que se fez músico em Mato Grosso.
Comparando com tudo que já ouvi (ao vivo no Rio de Janeiro e em outras cidades, em CDs e no rádio), a performance de Sidnei e dos músicos que tocaram com ele e a qualidade de suas composições não decepcionariam em qualquer palco do mundo onde se faça música instrumental de qualidade.  Felizmente ou não, Sidnei mora em Cuiabá e por aqui não se dá tanto valor a esse tipo de música, que prescinde de palavras para sensibilizar.
Talvez o show precise de alguns ajustes em termos de repertório (eu teria que assistir novamente para fazer uma avaliação mais precisa) e uma direção artística que torne o espetáculo mais azeitado. Seja como for, é sempre um privilégio ouvir em Cuiabá uma música ousada, vibrante e que foge ao senso comum.
Quem quiser conferir, hoje tem mais uma apresentação de "Espectro pantaneiro", às 20h, no Teatro do Sesc Arsenal. O show é o pré-lançamento do CD do mesmo nome que Sidnei está gravando.

sábado, 25 de junho de 2011

Deixa Florir

Acabei de combinar uma resenha mais alentada com meu editor no Ilustrado (o Lorenzo do Tyrannus), mas quero registrar aqui a minha satisfação com o show "Deixa Florir" que o Grupo Bionne apresenta neste fim de semana (ontem e hoje) no Teatro do Sesc Arsenal.
O show é uma delícia, daqueles que você sai do teatro de alma lavada, querendo ouvir mais.  As meninas estão lindas, sorrindentes, deixando florir...
O repertório, escolhido em parceria com o diretor musical Paulo Monarco, é muito gostoso e trouxe músicas totalmente novas para mim e mesmo assim foi muito prazeroso ouvi-lo.
Desejo muita boa sorte às meninas do Bionne - grupo musical  feminino que conheço desde quando vim morar em Cuiabá (foi criado em 2003). Parece que finalmente o Bionne encontrou seu caminho. Deixa florir!
A se destacar ainda os arranjos do pianista Leandro Braga.
Quem não viu ontem, aproveite hoje que é o último dia - pelo menos desta temporada.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tilintar dos cristais

O bom do blog é que a gente pode escrever quando dá vontade. Hoje, por exemplo, quero falar sobre o show ao qual assisti ontem para que outras pessoas que, eventualmente, leiam meu blog possam assistir hoje.
Já vou dar o serviço: Grupo Uratau, no teatro do Sesc Arsenal, às 20h (pontualmente).
Não me proponho a fazer uma crítica ou coisa do gênero, apenas quero registrar minhas impressões para valorizar o esforço e o talento de seis jovens mato-grossenses (se todos nasceram aqui não sei, mas é aqui que vivem e batalham pela sua arte), todos alunos de música da UFMT.
Registrei  com alegria o nascimento desse urutau em 12 de abril de 2010 neste blog.  http://martha-caentrenos.blogspot.com/search?q=Urutau 
Depois disso não tive mais a oportunidade de ouvir o grupo. Os meninos evoluíram. Estão fazendo um som muito bonito, mágico, como só a música instrumental pode ser.
Ainda estão meio tímidos, na minha opinião, principalmente Joelson Conceição (violão), que conheci como pupilo de Marinho (o sete cordas do Chorinho), mas, aos poucos, vai trilhando seus próprios caminhos.
Completam o time Phellyppe Sabo (nos sopros), Jhon Stuart (contrabaixo, piano), Tarcísio Sobreira (percussão e bateria) e as meninas Juliane Grisólia (percussão e vocal) e Estela Ceregati (percussão, violão e voz).
Tarcísio foi meu aluno no curso de Jornalismo da UFMT (aluno querido, daqueles que sempre esbanjam carinho com a ex-professora) e agora segue sua verdadeira vocação. Por que mesmo ele foi fazer Jornalismo???
Ontem, após a apresentação, tive a oportunidade de conhecer Estela pessoalmente. Vinte e três anos, professora de crianças na escola dos pais, Estela tem tudo para brilhar. Compositora (aliás, as músicas tocadas pelo Urutau são todas dos integrantes do grupo), dona de uma voz maravilhosa e de grande personalidade, e ainda toca castanhola. Touché!
O show "Tilintar dos Cristais" é uma experiência única, numa cidade, num país, cravejado por "música" sem qualidade alguma. Num determinado momento, o amigo que me acompanhava no show me perguntou: "Estamos no Brasil?"
Respondo a ele agora. Estamos. Somente o Brasil tem elementos (instrumentos de percussão, folclore, outras fontes musicais) que permitem tornar a música instrumental tão rica. Por isso grandes músicos de jazz e até do rock (como David Byrne do Talking Heads) vêm beber nas nossas fontes. O problema é que a música instrumental nunca é valorizada aqui como é no exterior (vide os exemplos de Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, só para citar os mais notáveis).
Por isso, novamente desejo muita sorte aos meninos do Urutau, que têm a coragem e a disciplina para fazer música instrumental de qualidade em Cuiabá.
Ontem só faltou mesmo anunciar os nomes dos integrantes do Grupo no final da apresentação. Tudo bem que a plateia tinha muitos amigos e conhecidos, mas mesmo assim fez falta.
Vida longa ao Urutau!



sábado, 26 de junho de 2010

Dica cultural

Embora com um olho no computador e outro na TV, no jogo EUA x Gana (sou Gana desde pequenininha), quero registrar a  apresentação da turma da percussão do Departamento de Artes da UFMT hoje e amanhã no Teatro do Sesc Arsenal em Cuiabá.
Não conheço todo mundo, mas confio em quem me deu a dica: o músico Tarcísio Sobreira, meu querido ex-aluno no curso de Jornalismo da UFMT (o mundo perdeu um jornalista, porém ganhou um músico aplicado e talentoso), baterista e percussionista.