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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Os subterrâneos do PAC

Estava viajando e pouco li os detalhes do caso de corrupção envolvendo as obras do PAC em Cuiabá.
Peguei um jornal para ler há pouco e comecei a ficar com nojo. A gente conhece boa parte dos envolvidos, pessoas que vivem nas colunas sociais e tem se mantido no poder (ou na fronteira dele) há muito tempo. Sabe também que provavelmente acontecerá com eles o que aconteceu com muitos que já estiveram sob o foco da mídia e da polícia em outras ocasiões, ou seja, nada. Eles continuam numa boa, ainda no poder. Ou seja, mais ou menos como acontece no Senado em Brasília, onde Renans, Sarneys e Collors nunca perdem a pose ou o poder, apesar dos fatos tenebrosos envolvendo seus nomes.
Enquanto isso, moradores das ruas atingidas pelas obras do PAC continuam sofrendo com a poeira e o desconforto provocado pela movimentação das máquinas, hoje, totalmente paradas, segundo os jornais. Até quando?
Hoje, de manhã, procurando no rádio uma estação para ouvir durante o banho fui surpreendida por um belíssimo choro solado no clarineta. Para minha surpresa, a programação inusitada vinha de uma tal Rádio Senado, operando em caráter experimental em Cuiabá. Fiquei pensando: será que eles querem com isso atenuar a má imagem do Senado e nos levar a ter algum sentimento bom em relação àquele covil de cobras criadas?
Seja como for, temos que acreditar que as coisas podem melhorar. Não acredito sinceramente que eu vá viver para ver um mundo sem corrupção em que a política seja vista como uma arte nobre usada em benefício da maioria da população como convém numa democracia. Nem por isso vou desejar - como algumas pessoas - a volta da ditadura. Até porque a corrupção é do ser humano; existem ditadores corruptos (e quantos!) e "democratas" corruptos. Cabe a nós, enquanto sociedade, ser menos submissos, coniventes e egoístas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fim de reportagem

Hoje terminei minha reportagem na região centro norte de MT. Terminei é modo de falar, o mais certo seria "dei por encerrada". A gente sempre tem o que apurar, mas conseguimos bom material e temos limite de tempo e espaço.
O dia foi bem variado. A manhã começou meio angustiante porque eu não conseguia entrar em contato com as duas pessoas com quem eu tinha ficado de falar em Sinop. Acabei me encontrando com eles no Sindicato Rural. Depois demos um giro na cidade com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que é também produtor rural. Fomos ao Horto Florestal para fotografá-lo e fiquei encantada com o lugar. Até peguei uma arara! O Zé Medeiros tirou a foto e assim que ele me passar, provo para vocês. Fiquei com medo de ter uma arara nos braços, mas ela parecia tão calma e amistosa que me atrevi a viver essa experiência. Depois que o Zé fez a foto quis passá-la para o braço da supervisora do Horto, mas ela - a arara - não quis ir (acho que ela gostou de mim). O jeito foi me aproximar do ferro da lata de lixo e aí ela resolveu mudar de poleiro.
Percorremos outros lugares para que o secretário Rogério nos mostrasse várias provas do esforço da atual administração para resolver o problema do fogo na cidade, que disputou num passado recente a triste liderança em número de focos de incêndio no período da seca.
Após o almoço numa churrascaria, fomos visitar um assentamento rural (a Gleba Mercedes) - mais um caso de abandono pelo Incra. Conheci pessoas incríveis como o seu Valdemar e sua mulher, na casa de quem comemos queijo. Ouvi uma fala linda sobre o que é sustentabilidade. São pessoas como ele que deveriam estar nos eventos falando sobre o tema e não gente que vive na cidade, no maior conforto.
Retornamos ao hotel por volta de 7h da noite bem cansados e amanhã volto pra casa. Estou feliz por rever minhas filhas e retomar algumas coisas da minha rotina, mas, sinto que vou estranhar voltar a Cuiabá, aquela cidade grande e hoje abalada pelo escândalo dos políticos e empresários presos sob acusação de roubo nas obras do PAC. Gente graúda e que costumo encontrar (alguns dos acusados) sempre ligada ao poder e a muita grana. Será que ficarão presos? Será que devolverão o dinheiro roubado? Enquanto isso, pessoas como seu Valdemar ralam pra caramba para sobreviver como assentado.