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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Poço de contradições

Sou um poço de contradições. Mas quem não é?
Nem preciso dizer que comecei a semana novamente em crise, porém (lá vem a Pollyana de novo) toda crise tem aspectos positivos, certo?
Tem tanta coisa na minha cabeça hoje que está difícil focar, mas vou começar com o registro (tardio) da morte do escritor gaúcho Moacyr Scliar.
Eu me sinto meio "íntima" dele por dois motivos: o primeiro é que li muitas obras dele (inclusive, dois de seus últimos romances: "A mulher que escreveu a Bíblia" e "Manual da paixão solitária") e o segundo é que já falei com ele. Duas vezes.
A primeira foi na época em que trabalhava na sucursal da revista Veja no Rio, nos anos 80. O trabalho na revista era pesado, mas tinha um lado muito bom. Você tinha todas as condições para fazer um bom trabalho. Eu escrevia sobre tudo na época e não sei por que me pediram uma matéria sobre o Scliar. Pude comprar e ler vários livros de contos dele para me embasar melhor de modo a fazer a entrevista (por telefone).
A segunda foi por ocasião de uma palestra dele no Sesc Arsenal em Cuiabá.
Gosto muito do seu estilo (erudito, porém de simples compreensão; irônico) e lamento que ele tenha partido. Pretendo (re) ler algumas de suas obras. Achei chatinha a matéria que o Fantástico fez sobre o Scliar: protocolar, oficiosa. Nada acrescentou sobre o autor.
Hoje recebo um email de um amigo jornalista do Rio sobre a morte de um personagem folclórico de Santa Tereza, o mineiro Messias dos Santos,  conhecido como Mestre Messias, compositor, pintor, que provavelmente não vai ganhar matéria na Rede Globo.
O que quero dizer com isso? Nem eu sei. Apenas quis registrar a passagem de dois artistas. Mais famoso ou menos famoso, os dois se foram e agora ficam suas obras.
Neste fim de semana terminei a leitura de "Um homem mau", livro de Wilson Britto que já comentei neste espaço.Talvez retorne a ele em outro momento, mas quero só registrar agora a principal mensagem da obra: a importância de viver no "aqui e agora" como chave para obter tudo que é importante (liberdade, paz, felicidade).
Como é difícil!

PS. Decidi mudar o visual do blog. Não sei se acertei. Estava achando-o meio caidinho, desbotado diante do colorido da maioria dos blogs e sites. Se alguém quiser dar sua opinião, sinta-se em casa ...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um sonho

Hoje tive um sonho muito forte, que prefiro não contar aqui, porém a sua lembrança me fez ter vontade de falar sobre o livro que acabei de ler. Chama-se "Manual da paixão solitária" (Companhia das Letras, 2008) e foi escrito pelo gaúcho Moacyr Scliar, um dos meus escritores preferidos.
Há muitos anos, quando trabalhava na sucursal carioca da revista Veja, recebi uma pauta sobre Scliar, que acabara de lançar um livro de contos. Posso falar mal de Veja por um monte de razões, mas em lugar algum que trabalhei tive tão boas condições de trabalho. Fui autorizada a comprar e ler vários livros de Scliar para me embasar melhor para a entrevista que faria com ele por telefone. Escrevi uma matéria pequena, de uma página, mas que prazer me deu aquele trabalho!
Desde então eu me tornei fã de Scliar. Li há uns dois ou três anos o romance "A mulher que escreveu a Bíblia", que é uma delícia, e agora minha amiga Mônica (grande fornecedora de livros) me emprestou o "Manual".
Gostei tanto do livro que acabei de ler e comecei a ler de novo. Parece até mentira! É que ele pequeno e tem muitos personagens e isso meio que confunde a gente. Por isso recomecei a leitura para esclarecer alguns pontos e agora não consigo parar.
O livro trata de amor, de paixão e, principalmente, de sonhos, por isso a associação com meu sonho. Ele fala também com muita propriedade sobre a escrita, como uma paixão solitária, embora também fale sobre outro tipo de "paixão solitária". É muito divertido porque o texto é, ao mesmo tempo, sério e leve, irônico, debochado.
Na verdade, os grandes narradores da história são Shelá e Tamar, que contam sua versão dos mesmos fatos, inspirados numa passagem de menos importância do Velho Testamento da Bíblia.
Eu já ia me esquecendo de dizer que com "Manual", Scliar ganhou o Prêmio Jabuti de 2008.
A leitura da obra está me convidando a escrever uma história, assim como Shelá e Tamar, graças à imaginação e ao talento de Scliar, escreveram a sua história.