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sábado, 14 de janeiro de 2012

De volta ao passado (ou ao futuro?)

José Medeiros em ação na fazenda Cortezia em Lucas do Rio Verde


Hoje voltei a fazer algo que não fazia há muito tempo.
Acordei pouco depois das 3h (da madrugada), saí de casa às 4h30, enfrentei estrada sob chuva forte ao lado do grande parceiro, o fotógrafo José Medeiros, e cheguei em Lucas do Rio Verde (a cerca de 350 km de Cuiabá) por volta de 8h para fazer um frila para a revista "Globo Rural".
Vim fazer uma matéria sobre o início da colheita de soja em Lucas e Nova Mutum. Escrevo de Nova Mutum - cidade situada a cerca de uma hora de Lucas, onde vamos passar a noite, na esperança de concluir a reportagem a contento amanhã de manhã, de modo que possamos dormir em Cuiabá.
Vocês não tem ideia de como choveu esta manhã! Choveu tanto que nem deu para vir uma comitiva do Ministério da Agricultura, que viria de avião de Cuiabá para Lucas, juntamente com o governador de Mato Grosso. Se tivessem madrugado e vindo de carro como nós, simples mortais, teriam chegado.
Fora o cansaço, curti bastante voltar ao campo literalmente. Eu curto muito sair de Cuiabá de vez em quando mesmo que seja a trabalho e mesmo que seja num final de semana, sacrificando alguns momentos de lazer e convívio com minhas filhas queridas que chegaram ontem em casa depois de quase três semanas em Cáceres.
É um mundo muito diferente e  reencontrei vários conhecidos dos tempos da revista "Produtor Rural". Eu tinha me esquecido de como é o discurso dos produtores rurais, meus principais interlocutores ao longo do dia. Falamos sobre quantidade de sacas por hectare, doenças, excesso de chuva e outras preocupacões que acompanham os agricultores. A vida deles também não é fácil.
Enfim, se eu estava angustiada com a chuva, imagine o cara que precisa de sol para colher 5.500 ha de soja? 
Fiz umas fotos, mas não me lembrei de trazer o cabo para passá-las pro computador.
Aliás, eu me esqueci também de trazer sabonete. Como são detestáveis esses sabonetinhos de hotel que parecem de brinquedo! Mas como é bom estar de banho tomado e poder ir para a cama daqui a pouco depois de fazer um lanchinho!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O prazer de plantar

Quem mora no Rio de Janeiro ou outras cidades grandes e mesmo quem mora em Cuiabá não faz ideia do que é Lucas do Rio Verde - uma cidade que viu sua população crescer de 30 mil para 46 mil habitantes em poucos anos, vive problemas típicos de uma cidade que cresceu muito de repente (por causa da vinda de indústrias como a Sadia) e quer manter a qualidade dos serviços que fizeram com que se destacasse no cenário estadual.
É uma terras de muitos oportunidades. Hoje, no final de um dia de trabalho que começou às 8h e terminou depois das 18h, comentei com meu colega: "Dá até vontade de me mudar para Lucas. Deve haver alguma coisa aqui que eu possa fazer para ganhar muito dinheiro".
A cidade é bonita, organizada, mas não tem samba, Se eu me mudasse para cá, sentiria muita falta das noites de samba do Chorinho ... Não tem cinema, é uma cultura muito diferente da cultura carioca. Não sei se eu iria me acostumar ... Mas é tentador viver numa cidade onde muitas coisas ainda estão em construção e onde ainda é possível errar menos ou evitar fazer erros que outras cidades fizeram.
Hoje conheci pequenos produtores muito bacanas. Gente que tem um pequeno pedaço de terra, enfrenta adversidades como falta de energia elétrica, porém demonstra muita alegria e confiança por estar trabalhando no que é seu. É uma questão cultural. Tem gente que sonha ter um emprego público, com a segurança de ter um dinheiro certo no final do mês, mesmo que não faça um serviço que lhe agrada. Mas ainda tem pessoas que preferem se lançar na aventura de plantar hortaliças, frutas, legumes e se sentem orgulhosas de terem construído um lar com suas próprias mãos.
É comovente e, ao mesmo tempo, dá tristeza pensar em quantos recursos poderiam transformar vidas de mais pessoas como essas e que se perdem nos escaninhos da corrupção, da burocracia e da politicagem.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Lucas do Rio Verde

Já estou em Lucas do Rio Verde e ainda não tenho muitas histórias para contar. Tive uma entrevista rápida, porém proveitosa com o prefeito Marino Franz, um catarinense que pouco sorri, mas que é um empresário muito bem sucedido, homem de opiniões fortes, reeleito para um segundo mandato. Ele diz que em poucos anos Lucas será a quarta ou a quinta maior economia de Mato Grosso. Não duvido.
Amanhã vou conversar com a secretária de Meio Ambiente, conhecer o complexo industrial e alguns personagens deste município que tem pouco mais de 18 anos e vem crescendo de forma prodigiosa, por vários motivos: boa localização geográfica, colonizadores extremamente empreendedores e o fato desses primeiros povoadores terem apostado desde cedo na agroindustrialização e na criação de uma infraestrutura urbana bacana em termos de educação, saúde, etc. Lucas é uma cidade muito organizada que me surpreende cada vez que venho aqui.
Eu disse que não tinha muito para contar e já ia me esquecendo que hoje, ao contrário do que costuma ocorrer nas nossas viagens pela revista, eu dirigi boa parte do tempo. Peguei o carro da revista logo depois do almoço em Rosário Oeste, numa churrascaria bem gostosa na BR-163 (O Laçador), porque José, meu companheiro de viagem, estava com sono. Ele acabou não dormindo (será que ficou com medo de deixar o carro nas minhas mãos ???), mas eu curti a experiência e acabei superando meu medo da BR-163 (a famosa Cuiabá-Santarém) e dirigindo até Lucas sem maiores sustos. Só fiquei com medo num trecho em obras que tinha tanta poeira e tanto vento que mal dava para enxergar a estrada. Mas foi só um trechinho.

Pé na estrada

Estou partindo por Médio-Norte mato-grossense daqui a pouco. É mais uma etapa de uma série de reportagens que estou fazendo para a revista Produtor Rural. Lucas do Rio Verde e Nova Mutum são os municípios mais conhecidos dessa região, uma das mais prósperas do estado. A distância é de cerca de 300 km. Para nós, de Mato Grosso, é quase ali. Já tenho entrevistas agendadas lá no final da tarde de hoje.
Embora não seja longe, fico sempre com o meu coração dividido. Gosto de viajar, mas fico preocupada de deixar "minhas meninas".
À noite, conto mais.