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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Farquhar em Belém

Uma coisa que me irritou em Belém foi o assédio dos flanelinhas. Em qualquer lugar que você encoste o carro sempre aparece um "tiozinho" (como disse o Sol) com sua flanelinha na mão. Não são meninos, nem jovens, em geral, e sim homens que aparentam mais de 40 anos. A gente estacionou o carro numa ruazinha sem movimento perto de uma das avenidas principais e, pronto, rapidinho apareceu o "guardador" com sua flanelinha. 
Outro detalhe que estranhei foi o tamanho das valas junto ao meio-fio de algumas ruas. Será que é para dar vazão à água da chuva? Confesso que me deu um pouco de medo quando percorremos alguns quarteirões a pé à noite em busca de um restaurante perto do hotel.
A paraense que conheci no aeroporto me disse que Belém é uma cidade ótima para passear, mas não para viver. Segundo ela, lá falta emprego. Até em shoppings, é difícil encontrar trabalho, acrescentou a moça, que mora e trabalha em Brasília, assim como sua mãe e irmãs. 
Belém é uma cidade com uma culinária e uma história fantásticas, e muitos produtos turísticos: parques, jardins botânicos, igrejas, museus, monumentos e praias. Tem duas universidades públicas. Mas, a exemplo do que ocorre no Rio de Janeiro, Salvador e outras cidades históricas, há uma linha tênue separando o belo do decadente, o atraente do repulsivo, o pitoresco do deprimente. 
Se você fica poucos dias, prevalece o sabor dos sorvetes, a lembrança da comida gostosa e a simpatia da maioria das pessoas, mas dá para sentir que a vida lá não é fácil para a maioria delas. É uma capital que desafia a capacidade dos administradores e cujo futuro não me atrevo a prever. 
Lendo as informações expostas ao público na Estação das Docas descobri que Percival  Farquhar, aquele da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e da fazenda Descalvados (no município mato-grossense de Cáceres), teve uma participação importantíssima na construção do Porto de Belém. Que personagem fascinante esse Percival! Para quem não assistiu à minissérie global "Mad Maria" (o personagem em questão foi interpretado pelo ator Toni Ramos), o norte-americano  Farquhar foi um daqueles "malucos" que saem pelo mundo participando de projetos grandiosos. Um empreendedor e tanto! Eu me atrevo a dizer que é muito tênue também a linha que separa os empreendedores dos malucos.

sábado, 17 de julho de 2010

Saudades ... do Pará

Acabei de chegar em casa e não resisti a atualizar meu blog.
Hoje tive um dia cheio. Conheci o Mercado Ver-o-Peso. É muito bacana! É grande e dividido por, digamos, temas. Tem uma parte só de barracas de açaí e peixe (o paraense come peixe frito com açaí), outra só de camarões, outra só de farinhas, outra só de castanhas, outra só de polpa de frutas, outra só de artesanato e assim por diante.
O ambiente é tenso (os donos das barracas nos alertam para a presença de ladrões) e divertido, ao mesmo tempo. A gente acaba comprando os artigos dos vendedores mais simpáticos. Tomei suco de graviola, comprei castanha de caju e do Pará, cheiro do Pará, farinha e tapioca, e acabei resolvendo seguir o costume da terra e comer peixe com açaí numa dessas barracas. Detestei! O peixe (pirarucu) estava muito salgado e confirmei que realmente não gosto de açaí. Mas o Sol (o fotógrafo) que gosta também não gostou. Segundo ele, o açaí de lá é diferente do açaí daqui. Mas foi agradável ver o prazer com que as pessoas comiam aquela estranha mistura. Ah, não provei pato no tucupi, nem tacacá, mas comi muito peixe, camarão e frutos do mar.
Andamos bastante, entramos no Museu do Índio, no mercado do peixe e curtimos aquela estranha mistura de sons, cheiros e sotaques. Tinha muito gringo no mercado. Reencontramos as duas espanholas e a brasileira que tínhamos conhecido na véspera e nos cumprimentamos como se fôssemos velhas conhecidas.
Depois corremos para conhecer o Forte do Presépio (linda a vista) e a Casa das Sete Janelas, que é maravilhosa. Lá tem um restaurante charmoso e eu perguntei ao garçon se era meio caro ou muito caro. Ele respondeu: "Caríssimo". Mas, se você tiver com grana vale a pena.
Depois disso corremos para devolver o carro e chegamos ao aeroporto três minutos antes da hora prevista, ou seja, em cima da hora. O voo atrasou bastante e fiquei conversando com uma paraense super legal que mora em Brasília e ela me contou sobre um passeio lindo que fez a uma praia na ilha de Icutijuba (acho que é isso). Chega-se lá de balsa e, segundo ela, lá não tem carro e o banho é ótimo.
Fiquei morrendo de vontade voltar ao Pará. Achei as pessoas muito simpáticas em geral. Agora continua forte a impressão de uma cidade de muitos contrastes: tem muito morador de rua, muita gente bem judiada (com cara de bêbado, largado), sem dentes ou com caquinhos de dentes. Mas realmente lá tem muitos pontos turísticos a serem visitados.
Ontem à noite fomos à Estação das Docas, um lugar muito bonito e bem sacado. Onde eram antigos armazéns foram construídos bares, restaurantes e lojas - um centro de lazer à beira da baía do Guajará. Parece que você está em Puerto Madero em Buenos Aires, mas tem hora que lembra a orla de Miami. O ambiente é climatizado e fica colado ao Mercado Ver-o-Peso, mas a maioria dos frequentadores é de classe média e alta.  Vale a pena conhecer os dois lugares. 
Estou feliz de estar de volta à minha casa (ainda mais que vou passar o dia com minha filha "jabuticabense" amanhã), mas confesso que já estou com saudades do Pará.
PS.  Assim que o Sol me passar as fotos, vou postar umas fotos minhas no Pará.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Belém

Ainda não sei se gosto ou não de Belém. Acordei cheia de boa vontade e animada para conhecer a cidade e, no caminho para o nosso primeiro compromisso do dia (uma entrevista com o presidente da Faepa - a Famato daqui), comecei a achar Belém linda. Descemos a avenida Governador José Malcher e ela é cheia de árvores - super sombreada.
Na Faepa rolaram uns contratempos, mas o pessoal foi  muito receptivo. Saímos de lá no horário de almoço e, por sugestão da assessora de comunicação, fomos comer no Restô do Parque, na antiga residência do governador. No trajeto, pela avenida Nazaré, levamos uma fechada de um ônibus daquelas de doer a alma, o estômago e a unha do pé. Estacionamos o carro e uma motocicleta acelerou em cima de mim assim que o sinal abriu. Pronto, fiquei de mal com Belém de novo.
O almoço foi ótimo, o lugar era lindo, tomei sorvete de doce de cupuaçu e castanha depois, melei toda minha mão e conhecemos um segurança muito simpático, que nos deu muitas dicas, falou sobre o processo de demolição de muitos prédios antigos com tristeza e nos acompanhou até a porta.
Passamos no hotel, que era praticamente do lado, para deixar parte do equipamento do Sol (o fotógrafo) e agora vamos visitar a orla e fazer fotos do porto. Vamos finalmente ver a Baía do Guajará.
Amanhã de manhã vamos conhecer o famoso Mercado Ver-o-Peso e, à tarde, voltamos para Cuiabá. Talvez eu só volte a atualizar o blog em casa e tenha finalmente uma opinião sobre Belém. Ou talvez a cidade seja isso mesmo: cheia de contrastes que a tornam linda e feia, atraente e repulsiva, ao mesmo tempo.Como, aliás, muitas capitais brasileiras e do mundo inteiro.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Saudades

Estou super cansada hoje. Trabalhei que nem gente grande, mas foi um dia muito proveitoso. Fui almoçar às 15h e, em seguida, deixamos Paragominas com destino a Belém. Juro que estou com saudades de lá. A cidade é tão bonitinha e simpática!
Chegamos em Belém por volta de 20h depois de enfrentar um trânsito horroroso tanto na estrada como na chegada à cidade. Quase que por milagre conseguimos chegar a um hotel que nos tinha sido recomendado. Fomos comer qualquer coisa a pé e retornamos para o hotel.
Amanhã acho que vai dar para conhecer e curtir mais a cidade, embora tenhamos ainda bastante trabalho pela frente. Por enquanto, a impressão foi ruim. Achei a cidade feia, escura.
 Estou com saudades da minha casa e das minhas filhas ...