segunda-feira, 31 de março de 2008

Agenda cultural

Uma das pretensões deste blog é ser uma espécie de agenda cultural, divulgando as coisas interessantes (do meu ponto de vista, é claro) que acontecem em Cuiabá. Algumas pessoas se queixam de que não ficam sabendo da realização de alguns shows muito bacanas, por isso vou compartilhar com meus eventuais leitores as informações que eu tiver.
Bom, no próximo fim de semana temos um Tributo à Bossa Nova no teatro do Sesc Arsenal, a partir de 20h. O ingresso é um litro de leite Longa Vida (ou R$ 2). Não tenho aqui a programação completa, mas sei que o músico Ebinho Cardoso vai tocar. Só isso para mim já é garantia de qualidade.
Na segunda, dia 7, véspera do feriado municipal, tem apresentação da banda "Mandala Soul" no Clube da Esquina (perto do Cefet), com seu tributo a Tim Maia. Perdi o show realizado há 15 dias no teatro do Sesc Arsenal, mas tive a sorte de assistir a uma "palinha" da banda no último sábado no sarau promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (aliás, muito divertido). A banda é ótima, tem um suingue fantástico e é uma delícia para quem curte os sucessos de Tim Maia. Impossível ficar parado.
Por enquanto é isso.

Ressaca

Hoje estou meio de ressaca. Depois de uma semana de ensaios diários para a apresentação do Coro Cantorum no teatro do Sesc Arsenal (sexta, sábado e domingo), a gente fica com uma sensação estranha. Dá um misto de alívio, alegria (pelo trabalho realizado e elogiado por todos) e tristeza porque não vai mais cantar a "Missa de Alcaçus" (que não sai da minha cabeça; acho que estou enlouquecendo com tantas notas e frases em latim na minha cabeça) e porque vai ficar uma semana sem ver o pessoal do coral. São novos amigos, novas pessoas (nem sei o nome de muitas delas) com as quais compartilhei um momento singular e altamente emocionante.
Mas hoje é segunda-feira, fim de mês, eu me dou conta das contas a pagar e das coisas chatas que tenho para fazer (Imposto de Renda, etc). Mesmo assim, fica uma energia boa da participação no coro. O nosso regente, André Vilani, disse no sábado antes da apresentação, que o cantor é como um "médico da alma". Não sei se tenho a capacidade de fazer tão bem a outras pessoas, porém tenho certeza de que cantar me faz um bem enorme. Me dá um gás, uma vontade de seguir em frente enorme, de enfrentar novos desafios.
Há pouco li algumas notícias que me deixaram triste: a morte de uma menina de 5 anos em São Paulo, que caiu ou foi atirada da janela do apartamento do pai: a morte de um menino num brinquedo num parque em São Paulo, a morte de um adolescente num toboágua também em São Paulo e o assassinato de três crianças pelo pai nos EUA (ele disputava a guarda dos filhos com a ex-mulher). Toda notícia de morte envolvendo criança me deixa especialmente triste porque acho muito injusto. Para mim, nada justifica uma violência contra uma criança ou mesmo uma morte acidental: ela ainda não viveu o suficiente; é totalmente indefesa diante de seus algozes.
Quando eu era menor, uma de minhas irmãs não conseguia ter filhos e perdia os bebês com semanas ou meses de gestação. Ela era louca para ter um filho (conseguiu no final ter uma filha maravilhosa) e eu não conseguia entender por que Deus (nessa época eu ainda era católica praticante) não era bondoso e não dava um bebê para aquela minha irmã tão amorosa. Minha maior preocupação, entretanto, era com aqueles bebês que morriam antes de poder viver. Minha mãe dizia que eles iriam para o limbo se não vivessem o tempo suficiente para serem batizados e eu achava aquilo extremamente injusto. Acho que foi por essa e outras razões que fui deixando aos poucos de seguir a religião católica, tão cheia de dogmas e "não-me-pergunte-por que". (obs.: ando em conflito com as regras dos porques, juntos e separados, com acento ou sem)
Com o tempo, tentei ser espírita (também não consegui acreditar na reencarnação, embora ache a idéia mais justa), budista. Tudo em vão. Não posso dizer que não seja espiritual, porém volta e meia sou levada a concordar com os versos de Shakeaspeare na peça "Macbeth" :
Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage,
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.
Após a morte da Lady Macbeth, Lord Macbeth, desesperado, diz que a vida é como um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, mas que nada significa.
É pesado, mas quem me garante que não é isso mesmo, enquanto nós ficamos tentando encontrar explicações para tudo?

sábado, 29 de março de 2008

Amor & liberdade

Acabei de editar (cortar os excessos) de uma entrevista que fiz para a edição de abril da revista Produtor Rural, onde trabalho desde 2004. Estou exausta! Mas, como não pretendo mais mexer com computador hoje (quero descansar), resolvi encarar logo o blog, no qual estou ficando viciada.
Hoje, de manhã, no supermercado, estava me lembrando das conversas de ontem à noite durante um chopinho básico no Sesc Arsenal, logo após a estréia do nosso coral, que foi muito legal. Em meio à chuva que caía, raios e trovões, falávamos sobre tudo - projetos e histórias pessoais- mas sempre retornávamos ao nosso ponto em comum: o Coro Cantorum. Acabei falando de mim - da vinda do Rio, a vida no interior de Mato Grosso, o casamento, a separação, o livro que escrevi.
Disse aos meus novos amigos que hoje meu sentimento em relação ao meu ex-marido é de muita gratidão por tudo que ele me deu: duas filhas lindas e grandes companheiras, a possibilidade de ter conhecido a fundo a realidade no Pantanal mato-grossense e ter revisto alguns dos meus conceitos de mulher criada no litoral e, at last but not at least (adoro essa expressão em inglês, que quer dizer mais ou menos "e por último, mas não menos importante"), a felicidade de ter amado e ter sido amada tão intensamente. Quantas pessoas tiveram essa felicidade por tantos anos?
Tem uma música do Sting, que é maravilhosa e diz: "If you love somebody, set them free". É o que penso: a liberdade é o maior bem que temos e é impossível ser feliz sem ser livre. Portanto, se você ama alguém, não o/a prenda. Deixe que seu amado (ou amada) viva livremente. É difícil, mas vale a pena tentar.

sexta-feira, 28 de março de 2008

No céu!

Hoje, apesar das dívidas, apesar do calor, apesar dos políticos, apesar da entrevista que ainda tenho para tirar do gravador, estou no céu! Acabei de chegar do último ensaio geral do coro com a orquestra. O regente, André Muniz, fez uma preleção muito legal, agradecendo o esforço de todos: músicos, cantores, etc. É claro que houve muitos erros (e ele ressaltou alguns deles), mas ele falou coisas muito bacanas. Disse, por exemplo, que anda meio niilista (que coincidência?), mas que ver pessoas dispostas a fazer um bom trabalho com música em Cuiabá fez com que ele se sentisse melhor.
É exatamente assim que me sinto quando ouço música (ou canto): dá vontade de viver, meu coração se enche de coragem, amor, boa vontade! Ontem minha professora de inglês (olha ela aí de novo), Delvânia, contou que adora os vídeos do YouTube de um grupo de pessoas da Inglaterra que resolveu protestar contra tudo através da música. Elas se reúnem e, em vez de reclamar do atraso do ônibus, por exemplo, com cartazes ou palavras de ordem, cantam uma música inventada por elas. Ainda não tive tempo de olhar, mas é uma idéia original e ótima.
Mas, hoje não estou a fim de reclamar, nem protestar, quero apenas curtir esse momento único.

quinta-feira, 27 de março de 2008

A mil!

Hoje estou tão a mil que nem estou com cabeça para escrever. O motivo? A apresentação do coral amanhá, sábado e domingo no teatro do Sesc Arsenal. Tivemos ensaios todos os dias desde segunda-feira, mas o de hoje foi especial. Ensaiamos com a Orquestra de Câmera do Estado de MT,tendo o compositor da "Missa de Alcaçus" (a peça que vamos apresentar), Danilo Guanais, como solista no violão, sob a regência de outro convidado, o maestro pernambucano André Muniz.
Foi muita emoção! Teve uma hora que fiquei arrepiada. É claro que ainda há muito a melhorar, mas o que tiver que ser será. Não dá pra sair correndo na hora H. Eu estou extremamente feliz com essa experiência e prometo escrever mais sobre ela. Neste momento, estou com calor demais!
Outro dia, uma nova amiga, minha professora de inglês, estava falando que o clima de Cuiabá não convida à introspecção. Ela comparou com o clima da Inglaterra. Realmente, aqui a gente não tem muita vontade de se juntar com outras pessoas para estudar, conversar sobre poesia, coisas do gênero, a menos que tenha um ótimo ar condicionado por perto. E, sabe de uma coisa? Cansa ficar no ar condicionado. A maioria das pessoas se junta para beber, jogar conversa fora. Isso ocorre no Rio também. O apelo da praia, do mar, do sol é muito forte. Mas esse também é um tema que merece mais aprofundamento.
No momento, o que importa é o suor! Fui.
PS. Acabei de falar com meu amigo, Glauco, que está na Itália, e lá estava 12º, se não me falha a memória. Hoje recebi o email de um jornalista norueguês, Thomas, um novo amigo, ele disse que lá estava 5º abaixo de zero embora já seja primavera. Ele até me mandou uma fota da casa dele cheia de neve. Que contraste!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Perplexidade

Enquanto esperava a chuva passar no piscinão do TRT, toda hora me voltava à memória a reportagem da revista "Veja" que tinha acabado de ler e que abordava o caso da menor torturada em Goiânia. O assunto mereceu duas páginas (uma de foto e outra de texto). Hoje também saiu uma matéria no jornal "O Globo" dizendo que o marido, o filho e a mãe adotiva da empresária também serão indiciados por omissão de socorro e prática de trabalho escravo. A mãe da menina também deverá ser indiciada.
Quanto mais leio e penso, menos consigo entender o assunto. Cada vez aparecem mais pessoas dizendo que passaram pelas mãos da empresária e que também foram torturadas por ela. Eu tinha entendido que ela só tinha um filho, mas agora li que ela tinha três, sendo dois crescidos. Li também que ela já teria sido denunciada ao Conselho Tutelar, que não apurou a denúncia.
É incrível: primeiro, para quem servem esses Conselhos Tutelares se sempre que surgem casos de violência a gente fica sabendo que já tinha havido uma denúncia anterior, porém o caso não foi devidamente investigado. Segundo, o que fazia essa "empresária" quando não torturava as pessoas? Que tipo de marido, filho convive com uma situação dessas: ter uma pessoa (uma criança) sendo tão judiada e não tomar qualquer atitude? Terceiro, quantas outras meninas como L. devem existir por aí em maior ou menor grau de sofrimento? Quarto, quantas pessoas como essa "empresária" não existem por aí, posando de pessoas normais, mas torturando suas empregadas, filhos, enfim todo tipo de pessoa indefesa? Quinto: que tipo de mãe entrega a filha para uma estranha e nunca mais aparece para saber como a filha está?
Enfim, é uma história macabra, estranha e muito triste.

Piscinão do TRT

Acabei de passar quase uma hora no "piscinão do TRT". A criatividade do nome não é minha, apenas entreouvi a expressão enquanto aguardava as águas baixarem após almoçar no restaurante do TRT. Para quem não conhece, o prédio do TRT fica no Centro Político Administrativo (CPA) em Cuiabá, quase em frente ao Shopping Pantanal. Ocupa uma área enorme e sua arquitetura sempre me despertou muito mais antipatia do que simpatia.
Quando faz sol (ou seja, na maioria do tempo) quem passa na rua (a pé ou de carro) sente nos olhos o efeito dos raios refletidos nos vidros espelhados. Quando chove, os ralos (que ralos?) são insuficientes para absorver a água da chuva que se acumula por toda área externa.
Hoje, por exemplo, eu me abriguei na lanchonete que fica num vão e por alguns momentos tive que levantar os pés para não molhar, o que justifica o apelido que intitula esta nota. Até que teve um lado engraçado de ficar lá esperando a chuva passar e água baixar: assim que a chuva começou uma tropa começou a empurrar a água de rodo na mão, sob os olhares atentos de um supervisor. Só que a tarefa do pessoal era meio inglória: quanto mais o povo empurrava, mais água juntava. De vez em quando os funcionários paravam e davam um tempo.
Fiquei pensando como gostaria que o arquiteto (ou arquitetos) que projetaram esse "monumento" à falta de bom senso passasse por lá numa hora de chuva para admirar sua obra, que provavelmente deve ter custado os olhos da cara. Coisas do Brasil ...