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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Isso pode?

Hoje uma amiga brasileira que mora nos EUA me perguntou sobre as enchentes no Estado do Rio. Ela tem acompanhado o assunto por meio do site da Folha e disse que hoje pouco espaço foi dado ao assunto. Seu temor é que o assunto já tenha caído no esquecimento.
Tranquilizei-a por um lado - a Globo continua falando bastante nas consequências da tragédia -, mas por outro compartilhei minha preocupação no sentido de que aos poucos o desabamento e as mortes irão deixando de causar comoção e se tornarão mais uma tragédia - a maior, por enquanto - ao lado de outras tantas como as de Santa Catarina, Niterói, Alagoas, Pernambuco, etc.
Será que teremos fôlego para impedir outras tragédias como essas ou pelo menos minimizarmos suas consequências com algumas medidas preventivas?
Há pouco conversávamos na sala de nosso apartamento num bairro nobre de Cuiabá quando passou uma moto sem escapamento fazendo um barulho ensurdecedor.
- Isso pode? - perguntou meu cunhado que acabara de chegar de Cáceres.
Não pode - respondi - assim como não pode furar sinal de trânsito, estacionar o carro sobre as calçadas e passeios públicos, andar armado, etc.
Pode político que assumiu o governo por alguns dias receber pensão vitalícia como governador? Ah, isso pode! Pode deputado envolvido em escândalo ganhar uma baba para cumprir um mandato de verão? Pode.
A gente deixa e, enquanto isso, rala, rala, para sobreviver.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Modismos de verão

Hoje vou continuar falando das tragédias que se abatem religiosamente sobre várias cidades brasileiras no verão.
O verão dos modismos, das musas, da alegria está se tornando cada vez mais o verão das tragédias anunciadas.
É muito triste ver as pessoas perdendo móveis e eletrodomésticos, o sono, o aconchego de um lar. É mais triste ainda ver as pessoas perdendo casas, sonhos de uma vida inteira, a vida.
Na hora do almoço pensei com preocupação numa irmã que tem uma casa bonita há décadas numa cidade do interior do Rio de Janeiro, na encosta de um morro. Há pouco ela me ligou para me cumprimentar pelo aniversário de minha filha e me tranquilizou, dizendo que lá tudo está bem, sem chuvas fortes e ameaças de desabamento.
Pensei em gente que conheço que tem casa em Teresópolis, na região serrana, e me lembrei dos inúmeros fins de semana, feriados e férias passados nessas cidades.
Ontem um especialista entrevistado pela Rede Globo disse que seria mais barato para o governo prevenir do que corrigir as tragédias provocadas pelas chuvas, porém a ação preventiva não dá muito ibope e sempre tem um custo social e político, pois exige remoções, etc.
Até quando vamos trocar os modismos, musas e a leveza do verão pelo noticiário sobre enxurradas, mortes, crateras se abrindo nas ruas, herois e vítimas anônimos?