Sempre tive horror a temporais. É inegável que há alguma beleza no cair da chuva, no barulho dos trovões e na luz dos relâmpagos, porém o limite entre um temporal sem maiores consequências e outro com consequências devastadoras para uma comunidade é muito pequeno.
Agora, por exemplo, está se armando um temporal em Cuiabá. Ouço os trovões e vejo os relâmpagos, e logo me lembro das cenas terríveis a que todos nós assistimos nos últimos dias.
Foi muito impressionante o salvamento daquela senhora, Ivair, numa cidadezinha perto de Teresópolis (não consigo gravar o nome). Ela estava numa casa ilhada, com dois cachorros, e as paredes iam simplesmente desabando até que alguém de um prédio próximo jogou uma corda que ela amarrou ao corpo. Ela foi muito corajosa ao se jogar na enxurrada, sempre com um cachorrinho nos braços. Porém ele logo rodou e ela foi içada pelos vizinhos numa altura de 10 metros sem que aquela corda improvisada se rompesse.
Achei tão triste vê-la no noticiário da noite perambulando pelas ruas enlameadas ainda com a roupa do momento do resgate e tão sozinha.
Muito triste. Acho louvável nesse momento o trabalho dos repórteres, que precisam ser muito corajosos e fortes para ir até lugares tão desolados, colher depoimentos de pessoas que perderam tudo e não desabar em pranto.
Hoje eu estava até feliz de estar trabalhando bastante, entrevistando pessoas tão diferentes para matérias tão diferentes e pensando no quanto gosto disso. Mas depois de assistir às notícias sobre a catástrofe da região serrana do Estado do Rio eu me senti bem pequenininha.
Ah, hoje, mais uma vez, um especialista da UnB falou da falta de vontade política para realizar as politicas públicas necessárias para se evitar tragédias como essas. Falou-se também sobre quanto o governo federal deixou de gastar em medidas de prevenção e se comparou a quantidade de chuvas na Austrália, Portugal e nas cidades serranas do Estado do Rio, e o número de mortes provocadas em cada lugar. O Brasil ganhou de goleada no mau sentido.
As catástofres são naturais, mas a falta de planejamento, de controle e investimentos em saneamento básico, obras de infraestrutura e educação ambiental nas cidades brasileiras não é natural.