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sábado, 7 de janeiro de 2012

Incoerência

Acabei de ler um texto lindo de um amigo blogueiro. O texto é baseado na lenda "O cavalo de Saiou" e o blog se chama "Cotidiano de um Espirito".  Se tiverem curiosidade de ler, ele já está incluído na minha lista de blogs.
O texto bate na tecla de que nada acontece por acaso e que nosso espírito está aqui para aprender. Tomara que seja verdade.
Tenho pensado muito nos últimos dias e me esforçado bastante para não ficar triste. Afinal, tenho duas filhas maravilhosas, família idem, saúde, conforto, etc, etc.
Mas o fato é que tenho me sentindo muito sozinha e não é fácil ficar sozinha com meus pensamentos.
Tive tantas oportunidades na vida e aproveitei muitas deles. Fui corajosa, reconheço, porém não assegurei muitas conquistas feitas e hoje eu me sinto meio de mãos vazias.
É doloroso admitir isso.
Estou buscando desesperadamente saídas para essa sensação de angústia e frustração, atenuada com trabalho, a prática de natação e yoga, e leituras.
Assisto atônita ao noticiário de TV.
Inúmeras pessoas perdem tudo que conseguiram juntar em catástrofes mais ou menos naturais. Aquela história dos moradores da região de Campos, no norte fluminense, que tiveram suas casas inundadas depois que a enchente derrubou um pedaço da estrada é de doer! A matéria de ontem do Jornal Nacional ou do Hoje (já não me lembro) me confundiu mais do que esclareceu em relação às (ir)responsabilidades sobre a construção da rodovia.
Outra reportagem mostrou centenas de pessoas em várias cidades passando dias em filas em frente a lojas de eletromésticos para aproveitar as liquidações. Compram tanto para depois as enchentes levaram tudo (ou os ladrões)!
Em Cuiabá, a polícia esforça-se para prender dezenas de criminosos envolvidos na modalidade denominada "saidinha de banco", aí vem um desembargador e solta todo mundo por uma firula jurídica. Ontem, saíram novos mandados de prisão contra os ladrões. Tomara que eles estejam quietinhos esperando a polícia prendê-los de novo.
Juro que quero acreditar na sociedade, ser positiva, mas fica difícil diante de tanta incoerência de quem deveria zelar por uma vida mais segura.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Uma pitada de otimismo

Não poderia começar a semana (de fato) sem comentar as imagens (incômodas e que não saem da minha cabeça) das cenas de tortura num presídio de Santa Catarina. Como não vi a matéria completa, só hoje fiquei sabendo que as imagens seriam de fevereiro de 2008. Vi o governador de Santa Catarina dizendo que os responsáveis devem ser punidos rigorosamente, mas fiquei com uma sensação de déjà vu.
Todo mundo está careca de saber que esse tipo de coisa acontece rotineiramente nas delegacias e presídios do país. Há muitos anos li um livro que até hoje não esqueci: "Lúcio Flávio - o passageiro da agonia", escrito pelo jornalista José Louzeiro, um dos melhores livros-reportagens que conheço. As descrições das torturas e humilhações sofridas pelo assaltante - que tinha uma inteligência acima da média e foi o primeiro a questionar a diferença entre policiais e bandidos - são de embrulhar o estômago de qualquer um. A cultura da violência persiste e o que me espanta é ver as autoridades fazendo uma cara de surpresa como se vivêssemos em outro mundo.
Mas, de qualquer maneira, acho que é sempre é válido (embora doloroso) que essas notícias venham á tona. Quem sabe um dia essa cultura deixa de existir ou realmente se torne um traço de um passado vergonhoso?
Gostaria de comentar uma notícia bacana: li em O Filtro que "as principais entidades civis contra a corrupção estão se mobilizando para lançar em 2010 uma campanha, pela internet, contra os candidatos ficha suja e contra fraudes e desvios de dinheiro em campanhas eleitorais". É uma iniciativa muito boa porque a parte da sociedade que não rouba, não corrompe e não se beneficia das safadezas não pode ficar dependendo da boa vontade do atual Congresso e nem permanecer calada, simplesmente se queixando da política e dos políticos. Política, polícia se tornaram sinônimos de coisa ruim, mas a gente tem que acreditar na possibilidade de resgatar e reforçar o lado bom da sociedade. A internet pode ser uma arma poderosa nesse sentido.
Será que estou sendo excessivamente otimista?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Angústia

Comecei a semana angustiada. Os motivos são vários e não vou cansar meus leitores até porque (esse é junto ou separado?) eles (os motivos, não os leitores) são, em sua maioria, triviais e, talvez até familiares à maioria das pessoas. Muita pressão, cobrança (mais interna do que externa), autoestima em baixa, etc, etc ...
Sinto que preciso me reequilibrar internamente para seguir em frente com menos desgaste e sofrimento. Entre as medidas de ordem prática, pretendo retomar algum tipo de exercício físico (que me faz bem à alma) esta semana: não sei se retomo as aulas de yoga, volto pra academia, mudo pra natação ou pra hidroginástica.
Em meio a essa onda de angústia, vou à copa da instituição onde trabalho para tomar um cappucino e pego a edição de A Gazeta de domingo para ler. Fico sabendo que oficiais da PMs de Mato Grosso, investigados e presos pela Polícia Federal, tinham uma fortuna incompatível com o vencimento de seus cargos graças à troca de "serviços". Entre outras coisas descritas na reportagem, eles simulavam uma invasão a alguma propriedade rural para cobrar pelos serviços de expulsão dos supostos invasores. Ah, li também sobra a morte de um adolescente de 15 anos a facadas em consequência de uma briga com outro adolescente por motivos "fúteis" (o assassino começou a perseguir o outro porque este teria mexido com a sua namorada). Parei de ler o jornal, invadida por uma sensação de angústia ainda maior.
O que fazer da minha vida? O que ensinar às minhas filhas? O que esperar desse mundo tão louco onde a vida vale tão pouco, a impunidade é enorme e onde quem deveria proteger a população agride, rouba e lança mão de seu poder para transgredir a lei?
Antes que alguém me diga "mas eles estão presos", eu pergunto: "E quantos como eles continuam soltos?" ou "Até quando?" ou ainda "E quanto às suas vítimas?"
Leio no mesmo jornal uma reportagem sobre sofrimentos psicológicos impostos a crianças por pais ou mâes (em geral, mães) que, por motivos pessoais, querem distanciar seus filhos do ex-cônjuge. Para isso, denigrem a imagem do pai (ou da mãe), chegando a acusá-los de abuso sexual.
Volto para minha sala e descubro em OFiltro (www.colunas,epoca.com.oglobo.com/ofiltro) que a ONU estima que o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia (cerca de R$ 2,40) no mundo deverá aumentar para cerca de 90 milhões até o final deste ano em consequência da crise financeira mundial.
Num outro dia, talvez, eu terminasse este post com uma mensagem de esperança, hoje está difícil. Lamento.