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terça-feira, 7 de junho de 2011

Tortura doméstica

Por que o tempo passa tão rápido? Quando se está assistindo à TV, meio minuto de comercial (como frisou Fátima Bernardes ontem no Jornal Nacional) parece uma eternidade, mas quando estamos na agitação do dia a dia meia hora voa!
E por falar em Jornal Nacional, ontem assisti a uma reportagem muito importante e triste. Falava sobre medidas de combate à violência contra crianças e citou boas iniciativas da cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo.
Fiquei muito impressionada de saber (mais uma vez) que existe gente que consegue ser tão má com seus filhos ou por crianças pelas quais deveria zelar. Em Mogi das Cruzes, eles estão cruzando dados nos hospitais para checar os casos de violência doméstica. Segundo os entevistados, dificilmente o agressor leva a vítima ao mesmo estabelecimento de forma seguida para não levantar suspeitas.
Não entra na minha cabeça que alguém machuque o filho a ponto de ter que levá-lo a um hospital. Por que essas pessoas ajem assim? Que mente mais perversa que é capaz de machucar alguém mais frágil e depois ir buscar auxílio médico  alegando quedas e acidentes?
Quando essa pessoa busca socorro médico para a vítima provavelmente é porque esta já corre algum risco de morte, ou seja, quantos espancamentos e agressões sequer são tornados públicos?
Enfim, é um assunto que me entristece e diante do qual eu me sinto totalmente impotente. Por isso só posso louvar autoridades, pessoas comuns, ONGs e instituições em geral que se dedicam ao problema, e tentam amenizá-lo, procurando aliviar a dor dessas crianças e livrá-las de seus torturadores.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mudando de ramo?

Acabei de ligar para o dono de uma escola de línguas em Cuiabá oferecendo meus serviços como professora. Ele, que se lembrava de mim como professora da francês, ficou surpreso ao saber que estou habilitada a dar aulas de inglês e me prometeu trabalho para o próximo semestre.
Na verdade, a gente se encontrou no final do semestre passado num restaurante e ele me deu seu número de celular para que eu entrasse em contato. Na época identifiquei esse encontro como um sinal de que ficaria bem apesar de ter sido dispensada da revista Produtor Rural da Famato, mas acabei não ligando por vários motivos.
Há poucos dias, numa reunião de pauta da revista com a qual estou colaborando, a dona da empresa responsável pela publicação disse que estava fazendo aulas  de inglês como aluna vip nessa escola de idioma e me lembrei do contato do dono da franquia
Paga-se pouco a um professor de língua estrangeira nessas escolas de idioma e, erradamente, os empresários do ramo não fazem grande distinção entre os professores. Ou seja, em geral, querem um professor que cative a clientela, porém investem pouco no profissional, mas, pelo menos, no caso dessa escola, nunca tive problema para receber. Pelo contrário, fui super bem tratada nos dois semestres que dei aulas de francês lá. Como a escola prosperou muito nesse período, acredito que a situação não mudou nesse aspecto.
É triste, mas é verdade: eu, jornalista veterana, premiada, com especialização em ensino e aprendizagem de língua estrangeira, que já dei aulas em duas universidades de Cuiabá e numa de Cáceres, e trabalhei nos melhores órgãos de comunicação do país, estou com dificuldades para arrumar trabalho. Faz oito meses que saí da Famato! Fiz - e ainda estou fazendo - excelentes frilas, que abriram meus horizontes e garantiram alguma renda, mas preciso ganhar melhor - e de alguma coisa fixa, mensal, com uma remuneração compensadora e que seja efetivamente paga.
Ontem estava lendo o Código de Ética dos jornalistas e diz umas coisas bem legais, entre elas, que o jornalista não deve trabalhar por uma remuneração que lhe pareça aviltante. 
Às vezes eu acho que uma pessoa muito importante na minha infância deve estar rindo de mim onde quer que esteja, afinal, ele recomendou tanto que eu não estudasse jornalismo.
Minha intenção hoje não é me autodepreciar ou me jogar para baixo, apenas estou registrando mais uma vez o panorama maluco do mercado de trabalho: quem tem competência e quer receber uma remuneração justa muitas vezes fica de fora, enquanto outras pessoas ganham muito dinheiro sem sequer trabalhar (estou me lembrando da matéria de ontem do Jornal Nacional sobre funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa do Pará).
O importante é o seguinte: tenho que arregaçar as mangas e aproveitar (ou caçar) as oportunidades.
Outro dia brinquei com minha filha mais velha que ia me oferecer para trabalhar como porteira no meu prédio. Os dois porteiros do dia estavam saindo (um deles já saiu) e sendo substituídos por rapazes que parecem bem menos preparados.
Comentei com ela: é um trabalho bom, dá para ler nos intervalos, almoçar em casa e não vou precisar encarar o trânsito para trabalhar. Ficamos imaginando a cara da síndica se eu me oferecesse para o trabalho e dos outros moradores quando me vissem na portaria ...
Se as coisas continuaram assim, quem sabe me candidato quando surgir uma nova vaga?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Falta de planejamento

Hoje acordei em Cáceres, segui de carona para Cuiabá, dirigi pela primeira vez uma caminhonete S10 cabine dupla (de um amigo que me deu carona e precisava de um "motorista" que conduzisse seu veículo do aeroporto até a garagem de outro amigo), cheguei em casa e mal tive tempo de me arrumar para um compromisso profissional que acabou furando. Aproveitei para ir ao supermercado comprar algumas coisas básicas para o dia a dia.
Tudo isso não tem a menor importância diante do que acabo de assistir no Jornal Nacional. Cenas horríveis das consequências das chuvas pelo Brasil. Casas cheias de água suja, pessoas colocando móveis e eletrodomésticos em cima de bujões de gás e cadeiras, casas e prédios desabando e soterrando as pessoas. O mais triste é que, segundo os especialistas, não há soluções fáceis: a cidade cresceu demais.
Fico pensando em cidades como Cuiabá que também está crescendo demais e de forma totalmente desordenada, sem deixar alternativas para que a água da chuva encontre espaço para se espalhar. É assim em Cáceres também. Os administradores canalizam os córregos e rios para permitir a urbanização e quando chove demais córregos e rios transbordam.
Como falta planejamento em nossas cidades!
Mas o pior veio depois com imagens de dois hospitais públicos em Porto Velho, onde o governador decretou estado de calamidade pública na saúde. Pessoas "internadas" à espera de cirurgias e tratamento em cadeiras, no chão; um preso acorrentado à maca, com duas pernas quebradas, à espera de uma cirurgia há 10 meses!
Talvez essa situação não seja muito diferente da que ocorre há meses nos prontos socorros de Várzea Grande e Cuiabá, e em outras cidades brasileiras.
Como falta planejamento em nossas cidades!