Dia dos mortos - há quanto tempo não visito um cemitério!
Os mortos que me perdoem, mas tenho horror a cemitério. Eu me sinto meio mal, mas tenho que confessar: desde que me mudei para Mato Grosso nunca mais visitei o túmulo dos meus pais no Rio de Janeiro e não tenho vontade de ir. Fui muitas vezes ao cemitério para "ver" meu pai quando era muito pequena e isso meio que me traumatizou. Enquanto minha mãe e minhas irmãs rezavam, eu ficava imaginando meu pai lá dentro do túmulo, sozinho. Morria de medo daquelas histórias de gente que era enterrada sem estar realmente morta e me assustava a ideia de que isso pudesse acontecer comigo ou alguém da minha família.
Por mim, todos seriam cremados e não haveria cemitérios. As cinzas ficariam em potinhos, que não ocupariam muito espaço ou então seriam espalhadas em algum lugar, conforme a vontade do morto. Meu tio Natalino Fontes, por exemplo, quis que suas cinzas fossem espalhadas no Pantanal mato-grossense, onde tinha suas fazendas. Achei tão bonito isso!
Quando eu morrer, se for possível, quero que meus órgãos sejam doados e depois ... sei lá, não quero pensar nisso agora. Acho que gostaria de ser cremada para não correr o risco de acordar debaixo da terra.
Hoje, assim que acordei, pensei por alguns segundos nas pessoas que amei e que já se foram: meus pais, meu irmão Zezinho, meu sobrinho Del. É sempre neles que penso em primeiro lugar. Depois penso nos meus cunhados, outros parentes e amigos que já foram. Ainda bem que são poucos. Sou muito grata por isso.
Eu me lembrei de novo de Lúcia Rito - amiga querida que foi de uma generosidade ímpar comigo. Mas não pensei nela por ser Finados e sim porque nesses dias de muita reflexão, descobertas e interrogações, eu voltei a me lembrar da energia dela, de sua enorme criatividade. Como tinha planos e ideias, minha amiga Lúcia! A última vez que a encontrei foi a dois dias de uma cirurgia da qual ela não mais se recuperou. Ela parecia tão otimista e combinamos de dançar salsa em algum lugar do bairro carioca de Santa Tereza no dia seguinte. Eu não fui porque era véspera de eu ir embora e achei que tinha que ficar com minha família. Hoje eu me arrependo.
Por isso acho que a gente tem que procurar viver e dar o melhor de si para cada pessoa que é importante a cada momento. A gente não deve guardar, reservar o amor para momentos apropriados. Sempre fui muito comedida nas minhas manifestações de amor, como se o amor gastasse e tivesse que ser usado com parcimônia. Como se dentro de mim tivesse uma vozinha dizendo: "Vê lá se você não vai se arrepender de dar seu amor a essa pessoa! Será que ela digna de seu amor?
Os mortos estão mortos e torço para que sejam espíritos e recebam nossas manifestações de amor, ainda que tardias e expressadas longe dos cemitérios.
Por isso, apesar de desempregada, eu vou ao Rio de Janeiro este mês: para rever algumas pessoas que amo, inclusive, amigos que estiveram muito afastados nos últimos 20 anos e que agora vou rever.
PS: Se alguém que estudou na Escola da Comunicação da UFRJ na minha turma ler por acaso este post, entre em contato comigo (martharb@terra.com.br): estamos organizando um pequeno encontro no próximo dia 17.