sexta-feira, 18 de abril de 2008

Fogo e gelo

Hoje teria tantos assuntos para comentar que poderia ficar horas escrevendo neste blog, mas em breve preciso retomar o trabalho na revista, por isso preciso me ater a apenas alguns. Por motivos diferente "Deus" esteve muito presente na minha vida esta semana. Cheguei a responder a um interlocutor que não acredito em Deus, mas sempre com aquela pontinha de esperança de que ele pudesse me convencer de que Ele existe (por hábito de infância não consigo falar "Dele" sem usar a maiúscula). Percebi que não tinha argumentos para provar que "Ele" não existe, até porque esse não é meu objetivo. Acho que tudo é uma questão de fé.
Por motivos alheio à minha compreensão, perdi a fé pouco antes de completar 20 anos. Isso não modificou a minha forma de agir, porém me deixou mais fragilizada, na medida em que me sinto insegura, meio solta no mundo.
Acabei de ler a carta que a mãe da menina Isabella publicou no seu Orkut. Com todo respeito, ou ela é um ser muito superior (a mãe) ou é louca, porque eu não conseguiria publicar um texto tão delicado, poético se minha única filha de 6 anos tivesse assassinada barbaramente, talvez pelo seu próprio pai, ou seja, um homem por quem eu teria nutrido uma relação de amor.
Me dá até um arrepio ...
Não sou santa, tenho pensamentos mesquinhos e estúpidos que me fazem morrer de vergonha minutos depois. Acho que a pessoa que mais admiro é Gandhi e, portanto, sou totalmente admiradora da sua filosofia da não violência, embora algumas vezes sinta desejo de esganar algumas pessoas, principalmente aquelas que demonstram desdém total pela vida humana (que contradição, né?).
Mas admito que eu também sou conivente com o sofrimento dos outros, mesmo que não aja deliberadamente para causar qualquer sofrimento. Às vezes sou dura, ajo como se estivesse coberta por uma placa de gelo e sei que posso magoar pessoas agindo dessa forma. Não vejo como terminar este post sem recorrer a outro poema maravilhoso de Robert Frost: Fire and Ice.
Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I've tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice.
Não ouso traduzir, mas posso dizer o que entendo do poema: algumas pessoas dizem que o mundo vai acabar em fogo e outros em gelo, mas pelo que experimentei do desejo, estou com aqueles que ficam com o fogo. Porém, se ele tivesse que acabar duas vezes, penso que conheço bastante do ódio para dizer que, para destruir, o gelo também é poderoso e bastaria.

Nenhum comentário: